Quanto ganham um CEO e um CFO? Estudo aponta salário de executivos C-level no país

Levantamento da Page Executive, que não incluiu o pagamento em remuneração variável, teve como base entrevistas com mais de 2.000 executivos de alta liderança na região

Vista da região da Berrini, um dos principais centros corporativos da cidade de São Paulo e do Brasil (Foto: Paulo Fridman/Bloomberg)
26 de Abril, 2024 | 05:05 AM

Bloomberg Línea — O cenário de instabilidade geopolítica, juros altos ao redor do mundo e início de governo no Brasil contribuíram para uma estabilidade dos salários de executivos C-level no país, em que empresas postergaram grandes aumentos para se adaptar ao novo ambiente.

Levantamento recém-concluído pela Page Executive, unidade da Page Group especializada no recrutamento desses profissionais, apontou que a remuneração mensal fixa média de executivos da alta liderança ficou praticamente inalterada no Brasil em 2023 em relação a 2021, ano da pesquisa anterior.

O estudo, conduzido entre outubro de 2023 e fevereiro de 2024, contou com a participação de 2.000 executivos da alta liderança que atuam em empresas de diversos setores e tamanhos na América Latina.

Segundo a pesquisa, um CEO de uma empresa com faturamento acima de R$ 1 bilhão tende a receber um salário mensal fixo a partir de R$ 80 mil em base de 13 pagamentos - ou seja, na ordem de R$ 1 milhão por ano. O montante não inclui a remuneração variável, que em geral supera os 60% do total desembolsado por essas empresas, segundo a Page Executive.

PUBLICIDADE

Isso significa, por exemplo, que um CEO que ganhe R$ 80 mil de salário fixo e receba remuneração variável equivalente a 70% do total terá um total compensation equivalente a R$ 267 mil por mês.

Em grandes bancos e empresas listadas na B3, a remuneração total anual chega à casa de R$ 10 milhões por ano, conforme dados revelados em formulários de referência na Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Leia também: ‘Como falar Faria Limês’: como é a disputa por talentos no mercado financeiro

O equivalente a dois terços da amostra, ou 66,5% das posições C-level, apresentou estabilidade salarial. Os demais 33,5% do estudo da Page Executive registraram leve crescimento nos ganhos.

“Além da cautela global, vimos por aqui reformas e uma mudança de governo, o que se reflete em questões salariais com certa estabilidade. Na mudança, as empresas repensam estratégias e buscam determinados perfis de executivos para lidar com o novo cenário”, disse Paulo Dias, diretor da Page Executive, em entrevista à Bloomberg Línea.

Para o cargo de executivo-chefe financeiro (CFO), a remuneração fixa começa nos R$ 70 mil em grandes empresas, enquanto que para o executivo-chefe de operações (COO), o montante supera os R$ 60 mil.

Confira, a seguir, a estimativa das remunerações para os cargos de presidente (CEO) e diretores financeiro (CFO), de recursos humanos (CHRO), de tecnologia (CTO), comercial (CCO) e de operações (COO) segundo o estudo da Page Executive com base na amostra entrevistada:

PUBLICIDADE
CargoAté R$ 246 mi*De R$ 247 mi a R$ 494 mi*De R$ 495 mi a R$ 1 bi*Acima de R$ 1 bi*
CEOR$ 40 mil a R$ 65 milR$ 50 mil a R$ 80 milA partir de R$ 60 milA partir de R$ 80 mil
CFOR$ 30 mil a R$ 60 milR$ 40 mil a R$ 70 milR$ 50 mil a R$ 80 milA partir de R$ 70 mil
CHROR$ 30 mil a R$ 60milR$ 30 mil a R$ 70 milR$ 40 mil a R$ 80 milR$ 50 mil a R$ 80 mil
CTOR$ 30 mil a R$ 50 milR$ 30 mil a R$ 60 milR$ 40 mil a R$ 80 milA partir de R$ 60 mil
CCOR$ 30 mil a R$ 58 milR$ 40 mil a R$ 60 milR$ 45 mil a R$ 80 milA partir de R$ 50 mil
COOR$ 30 mil a R$ 60 milR$ 40 mil a R$ 70 milR$ 45 mil a R$ 80 milA partir de R$ 60 mil

*A remuneração desses profissionais é classificada por faixas, de acordo com o porte de faturamento da empresa na qual atuam: até R$ 250 milhões, de R$ 250 milhões a R$ 500 milhões, de R$ 500 milhões a R$ 1 bilhão e acima de R$ 1 bilhão.

**Remuneração mensal fixa; não inclui fatia variável (bônus, stock options etc.)

Mudança de estratégia

Dias disse que os pequenos aumentos vistos nas remunerações de cargos C-level no período foram concedidos em geral por empresas que estavam em processo de profissionalização ou que tiveram uma mudança de rota na estratégia de negócios.

No primeiro caso, a empresa pode ter ido a mercado em busca de um presidente executivo para substituir o dono da empresa – e precisou pagar um salário mais agressivo para atrair o novo profissional.

No segundo caso, a empresa esteve em crise ou precisou de novas demandas específicas - ao longo do último ano, dezenas de companhias listadas na B3 trocaram de CEOs e CFOs, por exemplo.

Cargos mais demandados

Em períodos de repensar estratégias, as empresas tendem a fazer mudanças mais táticas em seu quadro de funcionários, disse Dias.

Isso contribui, por exemplo, pela busca por executivos-chefe comerciais (CMOs), que redefinem mercados e produtos, bem como CFOs, “que vão revisitar custos, a estratégia de financiamento de novos produtos, com possibilidade de abertura de capital, emissão de debêntures” etc.

Leia mais: Remuneração total na Faria Lima supera R$ 10 milhões por ano

O executivo destacou ainda uma maior demanda por profissionais C-level nos setores de infraestrutura, como concessão de rodovias, saneamento e construção civil. “Começamos a ver um novo crescimento de um setor que ficou parado por muito tempo”, disse.

Em contrapartida, segundo ele, executivos-chefe de tecnologia (CTO) devem registrar menor demanda enquanto empresas seguram substituições e fazem menos movimentações após o boom do setor na pandemia de covid-19, a despeito do avanço acelerado do uso de IA (Inteligência Artificial) nos negócios.

Novas tendências

Na América Latina, o executivo destacou a demanda por posições relacionadas à liderança de tecnologia e dados, bem como de segurança da informação. Foi o caso do México, por exemplo, que atua como hub de algumas empresas na América Latina.

No Brasil, diante de necessidades relacionadas à Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), algumas empresas decidiram criar cargos C-level, o que levou a uma demanda no mercado.

O mesmo vale para cargos com foco em ESG, de melhores práticas sociais, ambientais e de governança, que passaram a contar com um executivo-chefe de sustentabilidade (CSO).

O objetivo é implementar uma visão estratégica que integra aspectos sustentáveis em todos os processos da operação, da cadeia de suprimentos até as iniciativas comunitárias, apontou a Page Executive.

Mariana d'Ávila

Editora assistente na Bloomberg Línea. Jornalista brasileira formada pela Faculdade Cásper Líbero, especializada em investimentos e finanças pessoais e com passagem pela redação do InfoMoney.