Ibovespa fecha em alta após IPCA-15 abaixo do esperado; dólar volta aos R$ 5

After Hours: Perspectiva de que o BC pode iniciar um corte de juros no 2º semestre após os dados mais fracos do IPCA-15 influenciou os ganhos nesta quinta; bolsas também sobem no exterior

Por

Bloomberg Línea — O Ibovespa (IBOV) fechou em alta de 1,25%, aos 110.157 pontos, nesta quinta-feira (25), impulsionado pelo sentimento positivo nos mercados internacionais e pelas perspectivas de cortes de juros no Brasil. O dólar, por sua vez, subia 1,48%, a R$ 5,03, e voltou a ficar acima do patamar de 5 reais.

No Brasil, os ganhos foram liderados principalmente por Itaú (ITUB4) e Bradesco (BBDC4), e também por ações ligadas a setores mais sensíveis à taxa de juros, como construção, varejo e consumo. Os papéis da Hapvida (HAPV3), da MRV (MRVE3), da Locaweb (LWSA3), da Via (VIIA3) e da Cyrela (CYRE3) lideraram as altas. Por outro lado, os papéis relacionados a commodities minerais caíram, com destaque para a Vale (VALE3) e a Petrobras (PETR3; PETR4).

Dados do IPCA-15 de maio, divulgados nesta quinta, mostram uma desaceleração da inflação pelo segundo mês consecutivo. O índice, que é visto como uma prévia do IPCA, subiu 0,51% no mês, abaixo do piso das estimativas dos economistas do mercado financeiro.

O arrefecimento dos preços ajudou a sustentar a visão de investidores de que o Banco Central pode iniciar um ciclo de corte de juros no segundo semestre, com a melhora das condições financeiras, embora os núcleos da inflação continuem elevados e acima da meta de inflação.

A aprovação do projeto do arcabouço fiscal na Câmara, que inclui mudanças no texto que restringem mais as despesas do governo, também ajudou reduzir as incertezas e a melhorar as perspectivas para a inflação no país.

Para Lucas Carvalho, analista-chefe da Toro Investimentos, o resultado do IPCA-15 pode dar indícios dos próximos passos do BC já no segundo semestre deste ano.

“São vários fatores que nos mostram que se avizinha esse cenário de corte de juros. A gente não acredita que isso acontecerá em junho, vamos avaliar de fato o comunicado do Copom, mas a partir de agosto já podemos ter uma possibilidade real de queda”, afirma.

Danilo Passos, economista da WHG, não enxerga uma redução significativa na Selic a curto prazo por conta da queda na prévia da inflação. Segundo ele, a notícia é boa, mas só deve ser um sinal positivo para o Banco Central se o movimento de redução for perpetuado ao longo dos meses.

“Por ora, esse IPCA-15 lido de uma forma mais isolada não deve mudar muito a visão do BC. Ele está incomodado ainda som os níveis altos de inflação, então ele precisa ter sinais mais claros e evidentes de que a trajetória consistente de núcleos de inflação para baixo”, diz.

Bolsas internacionais

O Ibovespa também foi favorecido pelo bom humor nas bolsas em Nova York, que foram impulsionadas pelos ganhos das empresas de tecnologia. Companhias ligadas à onda da inteligência artificial tiveram ganhos, superando as preocupações dos investidores com um possível default da dívida dos Estados Unidos.

As ações da Nvidia (NVDA), fabricante de processadores gráficos usados em computadores que processam recursos de inteligência artificial, dispararam 25% depois que a previsão da empresa relacionada à IA surpreendeu até os analistas mais otimistas de Wall Street, levando a empresa à beira de um valor de mercado de US$ 1 trilhão.

É outro sinal de que os investidores estão dispostos a investir em ações de tecnologia promissoras, apesar das crescentes preocupações com a economia da China e de um default potencialmente catastrófica da dívida dos EUA. A Fitch Ratings alertou que a classificação AAA dos EUA está ameaçada, embora ainda espere que os políticos cheguem a um acordo antes do fim do prazo.

“Entre o teto da dívida e a IA, todo o resto é meio que diminuído pela magnitude dessas duas coisas”, disse Louise Goudy Willmering, sócia da Crewe Advisors

Os rendimentos dos títulos do tesouro com vencimento no início do próximo mês subiram, pois os investidores continuaram a exigir um prêmio sobre títulos vistos com maior risco de não pagamento se o governo esgotar sua capacidade de endividamento. As disputas em Washington se somam aos riscos avaliados pelos funcionários do Federal Reserve, que consideram interromper os aumentos das taxas de juros.

Os investidores agora estão precificando totalmente outro aumento de 0,25 ponto percentual nas próximas duas reuniões de política após a divulgação de dados mistos na quinta-feira, incluindo um PIB revisado mais alto no primeiro trimestre e pedidos de seguro-desemprego abaixo do esperado.

Confira como fecharam os mercados nesta quinta-feira (25):

-- Com informações da Bloomberg News

Leia também

Estrategistas de Wall Street passam a questionar a visão pessimista para os mercados

Recuperação da China frusta investidores e derruba preços de commodities