Nova York avalia o que fazer com parklets e mesas de restaurantes na calçada

Projeto de lei apresentado na última semana prevê autorizar, de forma permanente, as áreas externas abertas por restaurantes durante a pandemia

Mais de 12.000 restaurantes instalaram mesas e cadeiras nas calçadas e nas vias durante a pandemia
Por Laura Nahmias
21 de Maio, 2023 | 04:58 PM

Bloomberg — As áreas de jantar externas que proliferaram nas ruas de Nova York durante a pandemia poderão continuar funcionando - mas com o limite de horário das 10h da manhã à meia-noite e apenas entre os meses de abril a novembro, de acordo com um projeto de lei apresentado no Conselho da Cidade de Nova York (equivalente à Câmara de Vereadores) na última semana.

O projeto tem o apoio do prefeito Eric Adams e deve ser votado pelo Conselho em junho.

Isso é motivo de comemoração para os consumidores que apreciam as refeições ao ar livre, mas é motivo de preocupação para os outros, pois as estruturas incentivam ratos, barulho e são obstáculos no trânsito.

As áreas externas, charmosas para alguns e uma monstruosidade para outros, começaram a surgir no final em maio e junho de 2020. Foi quando as autoridades de Nova York, desesperadas para salvar o setor de restaurantes da cidade e os mais de 300.000 empregos associados a ele, afrouxaram as restrições para permitir refeições ao ar livre enquanto quase todos lugares fechados foram impedidos de funcionar.

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Mais de 12.000 restaurantes optaram por aproveitar o programa Restaurantes Abertos, instalando mesas e cadeiras nas calçadas e nas vias.

As refeições na calçada poderão continuar durante todo o ano para restaurantes com área própria externa. Outros ambientes terão que ser retirados nos meses de mas frio.

Em comunicado, Adams disse que o programa “salvou 100.000 empregos e inúmeros restaurantes locais no auge da pandemia, ajudando a cidade a reimaginar seus espaços públicos”.

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Um estudo divulgado pelo Departamento de Transportes da cidade em outubro de 2022 descobriu que o programa melhorou significativamente os negócios nos bairros onde estava em vigor.

Mas o programa também recebeu críticas sobre a estética dos ambientes ao ar livre, sobre a ocupação de vagas para carros nas ruas e sobre as sobras de comida, que poderiam atrair ratos.

Adams, em sua declaração, também reconheceu os problemas, dizendo que, embora esse programa tenha salvado 100.000 empregos, “também deixou centenas de áreas abandonadas em nossas ruas que se tornaram paraísos para ratos e uma monstruosidade para os nova-iorquinos”.

“Durante meses, tenho dito alto e bom som que as refeições ao ar livre vieram para ficar e precisamos acertar”, disse o prefeito.

A nova legislação visa abordar algumas das críticas. Refeições ao ar livre não serão permitidas entre meia-noite e 10h, nem entre 1º de dezembro e 31 de março.

Os restaurantes de Manhattan localizados ao sul da 125th Street terão que pagar taxas mais altas para licenças de refeições ao ar livre. Diretrizes de projeto específicas para as estruturas de jantar ao ar livre serão decididas posteriormente.

Andrew Rigie, diretor executivo da New York City Hospitality Alliance, um grupo comercial que representa restaurantes, disse que o acordo final será positivo para o setor.

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“Estamos entusiasmados com o fato de o prefeito e o conselho da cidade terem concordado com os termos de um histórico programa permanente de refeições ao ar livre que inclui cafés e streeteries”, disse Rigie em um comunicado.

“A nova lei reduzirá a burocracia e as taxas para os restaurantes em comparação com as licenças excessivamente restritivas antes da pandemia.”

Em um comunicado, a secretária de imprensa do Conselho, Breanna Mulligan, disse: “Ao criar um programa permanente de refeições ao ar livre, o Conselho priorizou a correção de alguns dos maiores obstáculos às refeições ao ar livre antes da pandemia que limitava restaurantes e bairros de nossa cidade de participar e beneficiar de maneira equitativa.”

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