Voláteis, mercados aguardam payroll nos EUA para inferir sobre política do Fed

Dados de emprego podem dar pistas sobre a estratégia do Fed para controlar a inflação; enquanto isso, investidor avalia fraqueza do setor de chips e temores com Rússia

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Barcelona, Espanha — (Atualiza nota publicada originalmente às 6h27)

Os investidores moderam seu apetite por risco e priorizam as posições de cautela. Enquanto esperam os dados do mercado de trabalho dos Estados Unidos, que saem hoje, os operadores monitoram o noticiário e encontram mais razões para buscar proteção do que para aproveitar preços descontados nos mercados, que operam com volatilidade.

O retrato da folha de pagamentos nos EUA em setembro será suficiente para o Fed suavizar o combate contra a inflação? As estimativas apontam para 255 mil postos de trabalho, o menor número mensal desde o final de 2020. Loretta Mester, presidente do Fed de Cleveland, disse ontem que ainda espera por uma evidência convincente que sugira a possibilidade de reduzir o ritmo de alta de juros nos EUA.

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Os dados divulgados ontem mostram um mercado de trabalho nos EUA mais fraco. Os pedidos de seguro-desemprego aumentaram mais do que o esperado, para 219 mil, contra 190 mil da semana anterior. As demissões anunciadas (Challenger) avançaram +46% na comparação mensal, para 29.989 em setembro.

Esta manhã, tanto as bolsas europeias como os futuros de índices dos EUA oscilavam entre ganhos e perdas. No mercado de títulos de dívida, o rendimento dos bônus de 10 anos do Tesouro norte-americano operava próximo à estabilidade.

O petróleo era negociado ao redor de US$ 89 o barril, também operando com volatilidade, assim como a cotação do ouro, que instantes atrás caía.

→ O que move os mercados hoje

Além do relatório do mercado de trabalho e salários pagos nos Estados Unidos (Payroll), os investidores acompanham o desfecho de outras ameaças à economia, como o enfraquecimento da indústria de chips e os riscos geopolíticos derivados da guerra da Rússia contra a Ucrânia.

🤳 Sinal fraco. Enquanto isso, duas gigantes no setor de chips já acusam um golpe à economia. A Samsung anunciou uma queda de 32% no lucro operacional do terceiro trimestre, enquanto a Advanced Micro Devices (AMD) disse que suas vendas preliminares no mesmo intervalo ficaram US$ 1 bilhão abaixo do estimado. Ambas as companhias culparam o cenário de demanda fraca e altos estoques na cadeia de suprimentos.

🤯 Biden teme “Armagedom”. O presidente dos EUA, Joe Biden, disse acreditar que Vladimir Putin pode estar falando sério em suas ameaças de uso de armas nucleares, o que levaria a um “Armagedom”, em referência à batalha bíblica entre forças do bem e do mal. Os comentários de Biden contrastam com os do conselheiro de segurança nacional Jake Sullivan, que disse na semana passada que os EUA atualmente não veem indicações sobre o uso iminente dessas armas.

✍🏻 Fazendo contas. O Credit Suisse pretende desembolsar US$ 3 bilhões para recomprar títulos da sua própria dívida. O plano, anunciado hoje, mostra fôlego financeiro para aproveitar o momento de baixa dos mercados. A atuação também precede a apresentação da revisão de seu plano estratégico, dentro de algumas semanas, após o preço das ações terem perdido metade do valor neste ano ante as dúvidas sobre sua solidez financeira.

🟢 As bolsas ontem (6): Dow Jones Industrials (-1,15%), S&P 500 (-1,02%), Nasdaq Composite (-0,68%), Stoxx 600 (-0,64%), Ibovespa (+0,31%)

O mercado acionário dos EUA voltou a recuar ontem pelo segundo dia consecutivo, cauteloso antes da divulgação da folha de pagamento não-agrícola (Payroll) de setembro, que sai hoje. Também deram combustão ao mau humor dos investidores novos comentários de funcionários do Fed sobre sua intenção de seguir lutando contra a inflação com o aumento de juros.

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Na agenda

Esta é a agenda prevista para hoje:

Feriado: China

• EUA: Relatório de Emprego-Payroll/Set, Vendas no Atacado/Ago, Crédito ao Consumidor/Ago

• Europa: Zona do Euro (Cúpula de Líderes da União Europeia); Reino Unido (Produtividade de Mão de Obra, Índice de Preços de Imóveis Halifax/Set); Alemanha (Produção Industrial/Ago, Vendas no Varejo/Ago); França (Balança Comercial/Ago, Transações Correntes/Ago, Total de Ativos em Reserva/Set); Itália (Vendas no Varejo/Ago); Espanha (Confiança do Consumidor); Suíça (Taxa de Desemprego/Set)

• Ásia: China (PMI de Serviços/Set); Japão (Indicadores Antecedentes/Ago); Hong Kong (Reservas Internacionais/Set)

• América Latina: Brasil (Vendas no Varejo/Set, Produção de Veículos/Set)); México (Índice de Preços ao Consumidor/Set)

• Bancos centrais: Boletim Trimestral do BoE, Pronunciamentos de David Ramsden (BoE), John Williams (Fed)

📌 Para segunda-feira (10):

• EUA (Índice de Tendências de Emprego/Set, Reuniões do FMI); Zona do Euro (Confiança do Consumidor/Out); Reino Unido (Vendas no Varejo/Set); Japão (Transações Correntes/Ago); Portugal ( Balança Comercial/Ago); Discurso de Charles Evans (Fed); Feriado no Japão

(Com informações da Bloomberg News)