Ex-CEO do Santander, Sergio Rial vai comandar Americanas a partir de 2023

Executivo vai substituir Miguel Gutierrez a partir de 1º de janeiro; ações acumulam queda de 58% no ano, o segundo pior desempenho do Ibovespa

Sergio Rial, que comandou o Santander no Brasil, vai assumir o comando da Americanas a partir do dia 1º de janeiro de 2023
19 de Agosto, 2022 | 07:16 PM

São Paulo — O ex-CEO do Santander Brasil Sergio Rial vai comandar a Americanas (AMER3) a partir de 1º de janeiro de 2023, no lugar de Miguel Gutierrez, que acumulou quase 30 anos na companhia. A decisão foi tomada pelo conselho de administração e comunicada ao mercado na noite desta sexta-feira (19).

“Acreditamos que este movimento de sucessão reforçará a estratégia da companhia de crescimento com rentabilidade”, citou a Americanas.

As ações da Americana acumulam queda de 57,68% em 2022, o segundo pior desempenho entre as 92 ações que fazem parte do Ibovespa.

A companhia informou ainda que a seleção do novo CEO foi um “processo de meses, que permitiu uma avaliação criteriosa de vários profissionais capacitados”.

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O comunicado também mencionou o currículo de Rial, destacando sua “vivência internacional por mais de 15 anos, na Ásia, Europa e nos EUA”.

O nome de Rial também chegou, no mês passado, a ser citado como cotado para assumir o comando da Vibra Energia (VBBR3), ex-BR Distribuidora. Rial se despediu do cargo de CEO da operação brasileira do banco espanhol Santander no começo deste ano, sendo substituído por Mario Leão.

A chegada de Rial deve acelerar o plano de crescimento da Americanas, um dos mais tradicionais grupos de varejo do Brasil, depois de redesenho societário no segundo semestre de 2021, que resultou em uma fusão de bases acionárias.

Os empresários Jorge Paulo Lemann, Carlos Alberto Sicupira e Marcel Telles, fundadores da Ambev e sócios da gestora 3G Capital, abriram mão do controle da antiga Lojas Americanas S.A., tornando-se acionistas de referência com 29,2% do capital da Americanas.

Prejuízo

Em resultado recém-divulgado do segundo trimestre, a Americanas reportou um prejuízo líquido de R$ 98 milhões por causa de maiores despesas financeiras como consequência da alta das taxas de juros. O fluxo de caixa foi negativo em R$ 540 milhões por causa da sazonalidade do trimestre e do aumento dos investimentos em bens de capital, segundo apontaram analistas em relatório da XP.

O GMV (volume de mercadorias vendidas) cresceu 10,4% na base anual, totalizando R$ 12,9 bilhões entre abril e junho. Houve recuperação sólida do canal físico, do fluxo de clientes em loja, consolidação dos resultados do Hortifruti Natural da Terra, adquirido no ano passado, e um sortimento mais resiliente, escreveram os analistas Gustavo Senday, Thiago Suedt e Danniela Eiger, head de varejo.

“Recentemente, [Rial] liderou a operação do banco Santander Brasil, que se tornou a operação mais rentável do grupo Santander e com o melhor índice de eficiência e de retorno sobre o patrimônio líquido do sistema financeiro nacional por vários trimestres”, citou a varejista no comunicado ao mercado.

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O comunicado também destacou características da administração do executivo. “São elementos conhecidos de sua gestão a determinação por crescimento rentável, transformação digital com foco no cliente e desenvolvimento de equipes e negócios de alta perfomance.”

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Sérgio Ripardo

Jornalista brasileiro com mais de 25 anos de experiência, com passagem por sites de alcance nacional como Folha e R7, cobrindo indicadores econômicos, mercado financeiro e companhias abertas.