Investidores estudam jogo de equilíbrio do Fed e mercados operam voláteis

Operadores digerem sinal de abrandamento em ata do Fed; futuros de índices dos EUA já visitaram os campos negativo e positivo na manhã de hoje

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Barcelona, Espanha — O Federal Reserve (Fed) deu o que falar ao revelar que cogitou abrandar sua política monetária, o que significaria elevar com menos vigor os juros dos Estados Unidos. Se por um lado o Fed luta para evitar que a inflação se arraigue, também quer ponderar o impacto do maior custo do dinheiro sobre a economia para evitar ou minimizar uma recessão.

🛍️ Sinais de arrefecimento. Os efeitos da dobradinha juros altos x inflação ardente já se fazem notar nas ruas. Em julho, as vendas no varejo nos EUA vieram praticamente estáveis ante junho, sinalizando uma eventual fraqueza do consumo e da economia – o primeiro dado nessa direção depois de indicadores recentes mostrando a solidez da economia norte-americana.

💲 A resposta dos bônus. A mensagem expressa pelo Fed em sua ata de política monetária repercutiu de imediato no mercado de bônus soberanos. Os títulos do Tesouro dos EUA com dez anos de prazo pediam prêmios menores esta manhã, o que se traduz em maior valor nominal, contrariando seus pares na Europa.

🇪🇺 O céu é o limite? É que no velho mundo a perspectiva de que a inflação atingiu o teto, como sugeriu o último indicador de preços dos EUA, ainda não é lá muito factível. A taxa de inflação anual da Zona do Euro fechou o mês de julho em 8,9%, acima dos 8,6% de junho, divulgou esta manhã o Eurostat. Um ano antes, a taxa era de 2,2%. Ontem, o mercado soube que a inflação britânica acelerou mais do que o esperado, renovando o recorde de preços mais altos em 40 anos.

💸 O cenário não melhorou. Para Isabel Schnabel, membro do Banco Central Europeu (BCE), as perspectivas de inflação na Zona do Euro não melhoraram desde o aumento das taxas em julho, segundo a Reuters. No mês passado, o banco central do bloco de 19 países surpreendeu com uma alta das taxas da ordem de 0,50 ponto percentual - o primeiro aumento de juros pelo BCE desde 2011.

🔎 Os mercados observam. No mais, os investidores ficarão de olho nos pronunciamentos de Esther George e Neel Kashkari, do Fed, e nos indicadores macroeconômicos dos EUA, que darão mais pistas sobre a resistência da maior economia do mundo ao cenário turvo com inflação, juros em alta e ameaça de recessão no horizonte. Os próximos passos do Fed vão depender deste conjunto de indicadores. Os operadores estão no aguardo do simpósio anual de Jackson Hole, nos EUA, que acontecerá na semana que vem e contará com o encontro dos banqueiros centrais.

→ Assim se comportavam os mercados esta manhã:

Depois de operarem nos vermelho, os futuros de índices norte-americanos mudavam de rumo, volatilidade que guarda relação com o delicado ato de equilíbrio que o Fed terá de aplicar. Os prêmios dos títulos do Tesouro oscilavam de mais a menos e o dólar subia. Na Europa, as bolsas operam em direções variadas, com o Stoxx 600 subindo.

→ Leia o Breakfast, uma newsletter da Bloomberg Línea: Bancos desconfiam do rumo dos juros na América Latina

🟢 As bolsas ontem: Dow Jones Industrials (-0,50%), S&P 500 (-0,72%), Nasdaq Composite (-1,25%), Stoxx 600 (-0,91%), Ibovespa (+0,17%)

As ações caíram em Wall Street com os investidores avaliando as perspectivas para o caminho de alta dos juros nos Estados Unidos. Na ata da última reunião do Federal Reserve, realizada em julho, a autoridade monetária observou a necessidade de eventualmente diminuir o ritmo de aumentos de juros para avaliar como está funcionando o aperto monetário para conter a inflação.

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Na agenda

Esta é a agenda prevista para hoje:

EUA: Vendas de Casas Usadas/Jul, Pedidos Iniciais de Seguro-Desemprego, Índice de Indicadores Antecedentes - Conference Board, Índice de Atividade Industrial e de Condições Empresariais - Fed Filadélfia/Ago

Europa: Zona do Euro (Produção do Setor de Construção/Jun, IPC/Jul); Reino Unido (Confiança do Consumidor GfK/Ago)

Ásia: Japão (IPC/Jul)

América Latina: Brasil (Reunião do CMN)

Bancos centrais: Pronunciamentos de Esther George e Neel Kashkari, do Fed, e de Isabel Schnabel (BCE)

Balanços: Kohl’s, Estee Lauder, Ross Stores

📌 Para amanhã:

• Reino Unido (Vendas no Varejo/Jul, Dívida Líquida do Setor Público/Jul); Alemanha (IPP/Jul); Zona do Euro (Transações Correntes/Jun); Itália (Saldo de Conta Corrente/Jun); México (Vendas no Varejo/Jun)

(Com informações da Bloomberg News)