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O que a estreia do primeiro SPAC de tech do Brasil na Nasdaq diz sobre o mercado

Plataforma de dados se fundiu com a Alpha Capital e começou a ter ações negociadas nos Estados Unidos nesta quinta-feira (5)

Semantix estreia na Nasdaq depois de se fundir com o SPAC Alpha Capital
05 de Agosto, 2022 | 09:07 am
Tempo de leitura: 2 minutos

Bloomberg Línea — A plataforma de software e dados paulista Semantix concluiu nesta quinta-feira (4) sua combinação de negócios com a Alpha Capital (ASPC), uma empresa de aquisição de propósito específico (ou SPAC, na sigla em inglês) com foco em tecnologia. A operação tinha sido anunciada em novembro de 2021.

É o primeiro caso de um SPAC de tecnologia do Brasil listado nos Estados Unidos. A empresa de deep tech faz a extração, gestão e monetização de dados. O CEO da Semantix, Leonardo Santos, contou à Bloomberg Línea que a decisão de ir à bolsa por um SPAC se deu muito por conta de um “smart money” - um tipo de negócio em que, além dos recursos financeiros, alguns investidores também oferecem conhecimento sobre aquele mercado.

“Procurávamos uma rodada privada, preparando para listar a empresa nos próximos anos”, disse Santos. Mas um caminho para gerar liquidez de forma mais breve e mais barata do que uma oferta pública inicial (ou IPO) tradicional atraiu o conselho da empresa.

Após a aprovação da combinação de negócios pelos acionistas da Alpha Capital em 2 de agosto, as ações ordinárias e bônus de subscrição (títulos de opção) da Semantix passaram a ser negociados a partir desta quinta sob os tickers “STIX” e “STIXW”, respectivamente, na Nasdaq.

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Companhia usará a liquidez para expandir para novos mercadosdfd

Fundada em 2010, a Semantix possui mais de 300 clientes com atuação em aproximadamente 15 países utilizando seus softwares e serviços.

A equipe de gestão da Semantix continuará liderando a companhia aberta após a combinação de negócios. O time é composto pelo CEO e fundador, Leonardo Santos, pelo CFO, Adriano Alcalde, pelo gerente geral da América Latina, Andre Frederico, e pela CSO e diretora de relações com investidores, Marcela Bretas,

Após essa fusão, a Semantix terá um valor de capital implícito de aproximadamente US$ 1 bilhão e buscará aquisições, segundo a empresa.

O SPAC do Mercado Livre e Kaszek, a MEKA (MEKA), levantou US$ 287 milhões na Nasdaq, mas ainda não anunciou fusão com uma empresa-alvo.

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Desde que a Alpha Capital fez seu IPO, levou seis meses para encontrar a Semantix e mais nove meses de discussão até o acordo ser aprovado. “Eu e Alec Oxenford somos operadores. Viemos da indústria. Diferente de outros SPACs, em que os patrocinadores são pessoas mais da área financeira, não tão dedicados à empresa”, disse Rafael Steinhauser, patrocinador do SPAC, em entrevista à Bloomberg Línea.

Como estão as SPACs

Das 375 empresas que abriram capital através de SPACs nos últimos cinco anos, menos de 10% superaram o índice S&P 500 nos últimos 12 meses, segundo dados compilados e analisados pela Bloomberg. Para Steinhauser, as estatísticas podem enganar, já que boa parte das empresas de tecnologia estão abaixo dos níveis que estavam por conta da alta de juros, que traz a empresa “a valor presente”.

Diferentemente da explosão de SPACs dos últimos dois anos, os recentes d-SPACs que estão saindo na bolsa americana têm características de geração de receita, segundo os dados da Bloomberg.

É o caso da Semantix, segundo Steinhauser. “Não é uma empresa nova. Ela tem uma receita real, gera lucro. Mesmo em um contexto econômico complexo, as coisas podem acontecer para América Latina. Eu e o Alec acreditamos no poder transformacional da tecnologia para a América Latina e o talento que se criou na região. Precisamos encontrar mecanismos para dar vazão para essas empresas, para que elas continuem crescendo”, disse.

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Isabela  Fleischmann

Isabela Fleischmann BR

Jornalista brasileira especializada na cobertura de tecnologia, inovação e startups

Yanin Alfaro (BR)

Yanin Alfaro (BR)

Jornalista com experiência em startups e tecnologia

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