Mercados

Mercados cautelosos antes de dados que medirão o pulso do emprego nos EUA

A grande questão é: as empresas manterão suas equipes ou os tambores de uma recessão começam a ruflar?

Conheça os eventos que vão orientar os investidores hoje
05 de Agosto, 2022 | 08:13 am
Tempo de leitura: 3 minutos

Barcelona, Espanha — (Atualiza as cotações da nota originalmente publicada às 6h25)

Os mercados iniciam o dia no modo “ver para crer”. É que hoje saem dados cruciais para examinar a resistência da maior economia do mundo: as folhas de pagamentos dos Estados Unidos. As cifras, previstas para as 9h30 de Brasília, darão uma ideia do panorama do emprego e têm potencial de agitar os mercados, já que podem interferir no plano de ação do Federal Reserve (Fed).

📌 A grande questão é: as empresas manterão suas equipes ou os tambores de uma recessão começam a ruflar?

🏃🏽 Se correr o bicho pega. Se a situação laboral permanecer forte, dará mais argumentos para o Fed seguir com uma política monetária mais restrita para domar uma inflação persistentemente alta, recorde em 40 anos. No mês passado, o Fed aumentou sua taxa de referência em 0,75 ponto percentual pela segunda vez consecutiva, na campanha de aperto monetário mais agressiva em uma geração.

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👹 Se ficar o bicho come. Por outro lado, se os dados sobre o payroll indicam que o mercado de trabalho vai perdendo impulso, já que a corrosão do poder de compra afeta a demanda, dará a entender que será difícil para a economia evitar uma recessão.

👁️ Não querendo dar spoiler, mas... É possível que as contratações se abrandem em julho, segundo Anna Wong, economista-chefe da Bloomberg Economics nos EUA. Mas segundo ela, o mercado de trabalho permanece consistente com uma economia em expansão - e não recessiva, o que deve levar o Fed a seguir como aperto monetário.

🎯 Uma meta: controlar a inflação. Esta é a mensagem que tem transmitido membros do Fed, cujo mantra é que a inflação precisa ser debelada - e já. Ontem, a presidente do Fed de Cleveland, Loretta Mester, voltou a frisar que o banco central norte-americano precisa aumentar ainda mais seus juros para aliviar a demanda para domar a inflação.

🔴 Geopolítica no radar. Hoje, a China enviou navios de guerra através da linha divisória do Estreito de Taiwan, disse o governo de Taiwan. O movimento, incomum, sinaliza que seus maiores exercícios em décadas ao redor das ilhas continuam pelo segundo dia - uma reação à visita da presidente da Câmara dos EUA, Nancy Pelosi, à ilha. Além disso, acredita-se que quatro mísseis balísticos disparados pelo Exército de Libertação do Povo durante os exercícios de quinta-feira tenham voado sobre a ilha principal de Taiwan, disse o Ministério da Defesa japonês, oferecendo a primeira informação oficial.

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→ Como os mercados operam nesta manhã:

Os futuros de índices dos Estados Unidos operavam voláteis, indo de mais a menos no começo da manhã de hoje. A expectativa é grande em torno do relatório de emprego. Na Europa, o Stoxx Europe 600 era arrastado por empresas de mídia e seguradoras.

Os investidores estão se voltando para as ações defensivas, especialmente as ações tecnológicas, já que o recuo dos prêmios dos títulos reforça o apelo por ativos de maior vencimento.

O rendimento do título do Tesouro de 10 anos chegou a recuar até os 2,69% esta manhã, depois de ter alcançado os 3,5% em outras sessões, a maior marca em 11 anos. A inversão entre os rendimentos de dois anos e de dez anos permanecia no maior patamar desde 2000, indicando preocupações sobre uma recessão à medida que a política monetária se torna mais restritiva.

→ Leia o Breakfast, uma newsletter da Bloomberg Línea: Uma startup jovem e gigante (e que aprendeu a lidar com o burnout)

Um panorama da manhãdfd
🟢 As bolsas ontem: Dow Jones Industrials (-0,26%), S&P 500 (-0,08%), Nasdaq Composite (+0,41%), Stoxx 600 (+0,18%), Ibovespa (+2,04%)

As ações dos Estados Unidos tiveram pregão instável, com os operadores analisando balanços em um cenário de aumentos agressivos das taxas de juros pelos bancos centrais globais. A curva de rendimentos dos títulos dos EUA permaneceu invertida à medida que os temores de recessão persistiram.

Saiba mais sobre o vaivém dos Mercados e se inscreva no After Hours, a newsletter vespertina da Bloomberg Línea com o resumo do fechamento dos mercados.

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Na agenda

Esta é a agenda prevista para hoje:

EUA: Relatório de Emprego (Payroll) Privado e do Governo/Jul, Crédito ao Consumidor/Jun

Europa: Alemanha (Produção Industrial/Jun); Reino Unido (Índice de Preços de Imóveis Halifax/Jul); França (Transações Correntes/Jun, Balança Comercial/Jun); Itália e Espanha (Produção Industrial/Jun)

América Latina: Brasil (IGP-DI/Jul, Vendas e Produção de Veículos/Jul); México (Investimento Fixo Bruto/Mai)

Ásia: Japão (Indicador Coincidente/Jun, Índice de Indicadores Antecedentes/Jun); Hong Kong (Reservas Internacionais/Jul)

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Bancos centrais: Pronunciamentos de Huw Pill (BoE), Thomas Barkin (Fed/FOMC)

Balanços do dia: Nutresa, Banco de Chile, LSE group, Deutsche Post, Suncor, Allianz, Telus

(Com informações da Bloomberg News)

Michelly Teixeira

Michelly Teixeira

Jornalista com mais de 20 anos como editora e repórter. Em seus 12 anos de Espanha, trabalhou na Radio Nacional de España/RNE e colaborou com a agência REDD Intelligence. No Brasil, passou pelas redações do Valor, Agência Estado e Gazeta Mercantil. Tem um MBA em Finanças, é pós-graduada em Marketing e cursa um mestrado em Digital Business na Esade.

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