Mercados

Mercados de olho em barganhas, mas voláteis com tensão geopolítica

Futuros americanos e bolsas europeias operavam sem direção no começo do dia e agora tentam engatilhar alta; no radar, crise EUA x China, Fed e Opep

Conheça os eventos que vão orientar os investidores hoje
03 de Agosto, 2022 | 07:44 am
Tempo de leitura: 3 minutos

Barcelona, Espanha — (Esta é a versão atualizada da nota publicada originalmente às 5h45)

Após dois dias de queda das bolsas, os investidores de futuros de índices nos Estados Unidos tentam situar-se em terreno positivo, aproveitando os preços atrativos. Na Europa, as bolsas, que no começo da manhã recuavam, mudaram de rumo, embora com pouca convicção.

Contudo, embora os receios de uma deterioração aguda dos laços EUA-China pareçam ter esfriado frente à reação de ontem das bolsas, o humor do mercado permanece frágil e as cotações, voláteis.

O mercado agora tem um novo elemento de tensão e incerteza no horizonte. A visita de Nancy Pelosi, presidente da Câmara norte-americana a Taiwan, criou um atrito entre Estados Unidos e China que poderia culminar em um conflito militar.

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A China, que considera Taiwan como parte de seu território, anunciou testes de mísseis e exercícios militares ao redor da ilha depois que Pelosi se tornou a política americano de mais alto nível a visitar o território em 25 anos.

Como retaliação, a China impôs a Taiwan algumas sanções comerciais: suspendeu, por exemplo, exportações de areia natural para Taiwan e algumas importações de peixes e frutas da ilha.

Com a menor ansiedade em torno do impasse geopolítico, os futuros de índices nos EUA, até mesmo o Nasdaq, que antes caíam, operavam em alta. Na Europa, o Stoxx 600 também subia, refletindo, em parte, a promessa do Societé Generale de maior lucratividade. Por outro lado, a BMW AG caía depois de cortar suas perspectivas de entrega, afetadas pela turbulência na cadeia de abastecimento.

No mercado de bônus, os prêmios dos títulos do Tesouro de 10 anos voltavam a subir, uma reação aos últimos comentários de integrantes do Fed. O petróleo caía para abaixo de US$ 94 por barril antes da reunião da OPEP+.

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→ Outros fatores que movem a jornada de hoje

🛢️ Oferta futura. Em um momento de grande volatilidade nos preços do petróleo, hoje os investidores estarão de olho no desfecho da reunião de hoje da OPEP, que define sua política de produção para setembro. Especialistas deste mercado vêem pouca probabilidade de que o cartel responda ao chamado do presidente dos EUA, Joe Biden, para aumentar a oferta de petróleo.

🔙 Teoria cai por terra. Quando o mercado dava como certo que a própria desaceleração econômica daria cabo da inflação, liberando o Federal Reserve (Fed) de novas subidas fortes dos juros, alguns membros da autoridade monetária vieram a público para desmontar esta teoria. Um deles foi a presidente do Fed de São Francisco, Mary Daly, segundo quem os integrantes do Fed estão unidos no esforço de debelar a inflação. Ela reforçou que o Fed não está “nem perto” de terminar seus esforços para conter a disparada dos preços.

Loretta Mester, de Cleveland, disse que precisa ver “provas muito convincentes” de que os aumentos de preços mês a mês estão moderados. Tais observações, juntamente com as de dois outros presidentes de bancos distritais, ajudaram a desencadear um aumento nos prêmios dos títulos do Tesouro, que vinham caindo nas últimas sessões. Hoje tem mais pronunciamentos de lideranças do Fed: James Bullard, Patrick Harker e Thomas Barkin.

→ Leia o Breakfast, uma newsletter da Bloomberg Línea: Mais um fator de risco no radar

Um panorama dos mercadosdfd
🟢 As bolsas ontem: Dow Jones Industrials (-1,23%), S&P 500 (-0,67%), Nasdaq Composite (-0,16%), Stoxx 600 (-0,32%), Ibovespa (+1,11%)

Pesou sobre os mercados o aumento das tensões entre os Estados Unidos e a China. A presidente da Câmara dos EUA, Nancy Pelosi, desembarcou em Taiwan nesta terça e tornou-se a política americana de mais alto escalão a visitar o local em 25 anos. A China, em resposta, condenou a visita e anunciou exercícios militares em diferentes áreas ao redor da ilha principal de Taiwan. Os investidores também repercutiram os comentários de integrantes do Fed, que disseram estar unidos no combate à inflação.

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Na agenda

Esta é a agenda prevista para hoje:

Indicadores PMI: EUA, Zona do Euro, Alemanha, França, Reino Unido, Itália, Espanha, Brasil

EUA: Encomendas à Indústria, Pedidos de Bens Duráveis/Jun, Atividade Empresarial Não Manufatureira ISM, Reunião da OPEP+, Pedidos de Hipotecas MBA, Atividade das Refinarias de Petróleo - EIA

Europa: Zona do Euro (IPP/Jun, Vendas no Varejo/Jun); Alemanha (Balança Comercial/Jun); Itália (Vendas no Varejo/Jun)

Bancos centrais: Decisão de política monetária do Brasil (18h). Pronunciamentos de James Bullard, Patrick Harker e Thomas Barkin, do Fed

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Balanços do dia: AXA, Maersk, CVS Health, Just Eat, Regeneron, Nintendo, BMW, Vonovia, Moderna, Booking, Fortinet, eBay, Telecom Italia e Robinhood

📌 Para a semana:

Quinta-feira: Decisão de política monetária do Bank of England (BoE). EUA: Pedidos Iniciais de Seguro-Desemprego. A presidente do Cleveland Fed, Loretta Mester, deve se pronunciar

Sexta-feira: Relatório de Emprego dos EUA/Jul

(Com informações da Bloomberg News)

Michelly Teixeira

Michelly Teixeira

Jornalista com mais de 20 anos como editora e repórter. Em seus 12 anos de Espanha, trabalhou na Radio Nacional de España/RNE e colaborou com a agência REDD Intelligence. No Brasil, passou pelas redações do Valor, Agência Estado e Gazeta Mercantil. Tem um MBA em Finanças, é pós-graduada em Marketing e cursa um mestrado em Digital Business na Esade.

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