Ibovespa cai com Wall Street e após projeções de Selic mais alta em 2023

No primeiro pregão de agosto, mercados monitoram cena externa e temporada de balanços corporativos à espera de decisão de juros no Brasil

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Bloomberg Línea — O Ibovespa (IBOV) recua na manhã desta segunda-feira (1), primeiro pregão de agosto, seguindo Wall Street, em meio à mensagem de bancos centrais de que taxas de juros mais altas são necessárias para controlar a inflação, apesar dos riscos crescentes de recessão.

No âmbito doméstico, os investidores aguardam a definição de juros pelo Comitê de Política Monetária (Copom) na quarta-feira, com expectativa de aumento de meio ponto percentual na Selic, para 13,75% ao ano, de acordo com o relatório Focus, do Banco Central, mais recente.

O relatório divulgado nesta manhã aponta para juros mais altos por mais tempo: o mercado elevou as projeções para a taxa básica em 2023, de 10,75% para 11% ao ano.

Para a inflação, as expectativas recuaram de 7,30% para alta de 7,15% este ano, enquanto subiram de 5,30% para 5,33%, em 2023. Com relação ao Produto Interno Bruto (PIB), os economistas consultados pelo BC estimam um crescimento de 1,97% da economia este ano (ante 1,93% anteriormente) e de 0,40% no próximo ano, contra estimativa de expansão de 0,49%.

Por volta das 10h40 (horário de Brasília), o Ibovespa cedia 0,8%, enquanto o dólar era negociado perto de R$ 5,20, com leve alta diante do aumento de aversão ao risco.

Entre as commodities, o petróleo recuava depois que os dados econômicos ruins da China aumentaram as preocupações de que uma desaceleração global possa minar a demanda. O West Texas Intermediate (WTI) caiu abaixo de US$ 96 o barril, depois de afundar quase 7% em julho – a primeira perda mensal consecutiva desde o final de 2020.

Os traders estão especulando que o Federal Reserve irá diminuir sua campanha anti-inflação e optar por um caminho mais lento de aumento dos juros depois que dados mostraram que a economia dos Estados Unidos encolheu no segundo trimestre.

Embora esse sentimento tenha impulsionado a reviravolta do mercado em julho após perdas históricas no primeiro semestre, no fim de semana algumas autoridades do Fed reforçaram a mensagem de que são necessárias taxas mais altas para acabar com as pressões de preços.

Apesar do avanço de 12,6% do S&P 500 em relação à baixa de 16 de junho, o índice segue em um cenário desafiador. O folclore de Wall Street diz que outubro é o mês mais perigoso para o mercado de ações por causa das quedas em 1929, 1987 e 2008. Mas agosto e setembro são realmente piores, com o S&P 500 registrando quedas médias de 0,6% e 0,7%, respectivamente, nos últimos 25 anos.

Confira o desempenho dos mercados nesta segunda-feira (1):

  • Às 10h35 (horário de Brasília), o Ibovespa recuava 0,76%, aos 102.379 pontos;
  • O dólar à vista subia 0,13%, negociado a R$ 5,18;
  • Entre os contratos de juros futuros, o DI para 2025 cedia oito pontos base, a 12,63%;
  • Nos EUA, os índices recuavam: o Dow Jones cedia 0,47%, o S&P 500, 0,65%, enquanto o Nasdaq tinha baixa de 0,69%;
  • Na Europa, as bolsas avançavam: o índice FTSE, do Reino Unido, subia cerca de 0,4%;

-- Com informações da Bloomberg News

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