Internacional

Rússia quer criar seu próprio preço de referência para petróleo

País quer usar nova tabela para atrair parceiros estrangeiros e fugir da interferência dos Estados Unidos e aliados

A Rússia já vinha tentando criar sua própria referência de petróleo há mais de uma década, com pouco sucesso.
Por Bloomberg News
15 de Julho, 2022 | 08:14 am
Tempo de leitura: 2 minutos

Bloomberg — O governo russo traçou um plano para criar seu próprio preço de referência para o petróleo na tentativa de contornar os esforços dos EUA e seus aliados de restringir o fluxo dos petrodólares que financiam a invasão da Ucrânia.

Os principais ministérios russos, produtores domésticos de petróleo e o banco central planejam lançar uma plataforma de negociação de petróleo em outubro, de acordo com um documento visto pela Bloomberg News. O país buscará atrair parceiros estrangeiros para comprar petróleo através do novo mercado, com o objetivo de atingir volumes de negociação suficientes para estabelecer uma referência de preços entre março e julho de 2023, de acordo com o plano.

A Rússia já vinha tentando criar sua própria referência de petróleo há mais de uma década, com pouco sucesso. Alguns dos produtores do país têm vendido lotes de petróleo para exportação na bolsa de commodities Spimex em Moscou, mas os volumes negociados não foram altos o suficiente para estabelecer uma referência aceita globalmente.

As ambições do país se intensificaram depois que a invasão da Ucrânia provocou uma série de sanções ocidentais ao petróleo. No mês passado, as nações do G7 concordaram em explorar urgentemente como reduzir a receita de petróleo de Moscou, impondo um teto ao preço.

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O principal petróleo de exportação russo, conhecido como Urals, é normalmente comprado e vendido a um preço expresso como um desconto em relação ao Brent, o petróleo de referência mundial. Desde a invasão, esse desconto aumentou significativamente à medida que as sanções reduziram o apelo dos barris russos. No entanto, o rali mais amplo dos preços globais fez com que o fluxo de petrodólares para os cofres do Kremlin tenha continuado inabalável.

Duas autoridades russas, que falaram sob condição de anonimato, confirmaram que o trabalho está em andamento para criar uma referência de preço nacional e que o país busca garantir que possa vender seu petróleo sem qualquer pressão ou restrições externas. A proposta do G7 só provou ainda mais a necessidade de uma referência russa independente, disse uma autoridade.

Um executivo de uma produtora de petróleo russo, que também falou sob condição de anonimato, confirmou que houve discussões sobre um benchmark.

A proposta ainda está em estágio inicial e os órgãos governamentais ainda precisam determinar se o país precisa de marcos legais adicionais para o comércio de petróleo na plataforma, segundo o documento.

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O ministério de energia da Rússia não respondeu imediatamente a um pedido de comentário da Bloomberg.

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