Mercados

Dólar bate em R$ 5,30, enquanto Ibovespa oscila, de olho no exterior

Investidores começam a mirar eleições de outubro, enquanto exterior mede riscos de recessão

Moeda avança nesta sexta (1) com aumento de aversão ao risco
01 de Julho, 2022 | 10:35 am
Tempo de leitura: 2 minutos

Bloomberg Línea — *Matéria atualizada às 14h54 (horário de Brasília)

O dólar avançava nesta sexta-feira (1), início do segundo semestre, com o sentimento de cautela e a aversão ao risco ditando o humor dos mercados globais. Por volta das 14h55, horário de Brasília, a moeda era negociada perto de R$ 5,30, um pouco abaixo da máxima da manhã.

Já o Ibovespa (IBOV) operava próximo à estabilidade, seguindo o recuo do exterior. No segundo trimestre, o índice recuou 17,9% e, em junho, a queda foi de 11,5% – a maior baixa mensal desde março de 2020.

Lá fora, as bolsas americanas operavam mistas, com o Nasdaq recuando levemente, enquanto o S&P 500 e o Dow Jones subiam, no último pregão antes do feriado de 4 de julho, que irá manter os índices fechados por lá.

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Segundo o estrategista-chefe de investimentos do Bank of America (BAC), Michael Hartnett, um “choque de recessão” começa para os mercados após o pior primeiro semestre para o S&P 500 em mais de 50 anos.

Enquanto as expectativas de aumentos agressivos das taxas de juros pelo Fed estão no pico, as expectativas de inflação não estão, e o indicador bull ou bear do Bofa permanece em “máximo de baixa” pela terceira semana consecutiva, escreveu Hartnett em nota.

Por aqui, os investidores começam a olhar para as eleições de outubro, com gestores alertando que os próximos meses devem ser de cautela dado a incerteza do cenário.

O fundo macro multimercado da Opportunity está praticamente zerado em posições no Brasil, disse o responsável pela estratégia de gestão, Marcos Mollica. Para ele, os preços dos ativos locais às vésperas da eleição ainda não compensam os riscos.

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O Opportunity Total FIC FIM, que tem retorno acumulado de 7% em 2022, desmontou ao longo de junho a posição em ações de commodities no país e ficou apenas com uma pequena exposição nesses papéis, com perspectivas de desaceleração da atividade global em meio à alta de juros promovida no mundo desenvolvido.

Confira o desempenho dos mercados nesta sexta-feira (1):

  • Por volta das 14h55 (horário de Brasília), o Ibovespa (IBOV) subia 0,05%, aos 98.597 pontos;
  • O dólar à vista subia 0,94%, negociado a R$ 5,3054;

Mercados nos EUA

O risco de uma nova venda nos mercados de ações ainda é alto, já que os investidores estão precificando apenas uma leve recessão, de acordo com estrategistas do Goldman Sachs (GS). É provável que os lucros corporativos também fiquem sob pressão no segundo semestre do ano, já que as margens enfrentam o teste da alta dos preços e do enfraquecimento do sentimento do consumidor.

Tanto as ações quanto os títulos de renda fixa foram abalados por saídas de capital nesta semana, já que os investidores temem que a economia global possa se contrair em meio à inflação altíssima e bancos centrais agressivos. Cerca de US$ 5,8 bilhões saíram de fundos de ações globais na semana até 29 de junho, disse o BofA, citando dados da EPFR Global. Já os títulos tiveram resgates de US$ 17 bilhões.

“Esta semana marca uma mudança significativa de regime no mercado: estamos nos afastando de uma inflação mais alta para um crescimento global mais fraco e risco iminente de recessão como o impulsionador dominante do mercado”, escreveu George Saravelos, do Deutsche Bank, em nota.

-- Com informações da Bloomberg News

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Mariana d'Ávila

Mariana d'Ávila

Redatora na Bloomberg Línea. Jornalista brasileira formada pela Faculdade Cásper Líbero, especializada em investimentos e finanças pessoais e com passagem pela redação do InfoMoney.

Ana Siedschlag

Ana Carolina Siedschlag

Editora na Bloomberg Línea. Jornalista brasileira formada pela Faculdade Cásper Líbero e especializada em finanças e investimentos. Passou pelas redações da Forbes Brasil, Bloomberg Brasil e Investing.com.