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Ibovespa fecha junho com maior queda mensal desde março de 2020

After Hours: Incerteza e volatilidade dos mercados contribuíram para saída de investidores de ativos de risco no período, como ações e cripto

After hours
30 de Junho, 2022 | 05:33 pm
Tempo de leitura: 3 minutos

Bloomberg Línea — Em um primeiro semestre desafiador para os mercados, marcado pela guerra da Rússia na Ucrânia, lockdowns na China, avanço da inflação e dos juros, bem como preocupações com uma recessão, as bolsas globais tiveram dificuldade em manter o desempenho no campo positivo.

Por aqui, o Ibovespa (IBOV) seguiu pressionado pelo cenário externo e também pelos riscos fiscais que voltaram à tona, com as pressões para reduzir os preços dos combustíveis e com propostas de novos auxílios, em um teto fiscal já apertado. No período, o principal índice de renda variável da Bolsa brasileira caiu 6%, encerrando o pregão desta quinta-feira (30) aos 98.541 pontos.

Junho marca também o fim do segundo trimestre, quando o Ibovespa recuou 17,9%. Já no mês, a baixa foi de 11,5%, a maior baixa mensal desde março de 2020. A aversão ao risco também contribuiu para grande volatilidade e valorização do dólar ante o real, que encerrou junho com alta de 11%, negociado por volta dos R$ 5,26.

Entre as criptomoedas, o sentimento de incerteza levou investidores a fugirem de ativos mais arrojados, como ações e moedas digitais, contribuindo para um “inverno cripto”. No segundo trimestre, o bitcoin (BTC) perdeu quase 60% de seu valor de mercado, em sua pior perda trimestral em mais de uma década. O mesmo aconteceu com o ethereum (ETH), que caiu mais de 69% entre abril e junho, em seu pior trimestre já registrado.

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As fortes perdas levaram o fundo de hedge Three Arrows Capital a ser liquidado, enquanto outras empresas suspenderam os saques para usuários em meio a problemas de liquidez.

Nos Estados Unidos, as bolsas também tiveram dificuldade em manter os ganhos. O índice S&P 500, por exemplo, teve seu pior primeiro semestre desde 1970, enquanto o Nasdaq 100, com grande exposição ao setor de tecnologia, perdeu quase um terço de seu valor este ano, apagando cerca de US$ 5,4 trilhões em uma liquidação que deixou poucas ações ilesas.

Confira como fecharam os mercados nesta quarta-feira (30):

Mercados hoje

Nesta quinta-feira (30), as preocupações de que o aumento dos juros possa levar a uma recessão global ditaram o rumo dos mercados e contribuíram para perdas dos índices acionários ao redor do mundo.

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Isso porque ontem (29), durante o fórum anual do Banco Central Europeu em Portugal, as autoridades contemplaram o novo manual de política que pode ser necessário em um mundo de preços em alta.

O presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, e seus pares na Europa e no Reino Unido alertaram que a inflação será mais duradoura. A visão de que os bancos centrais precisam agir rápido nas taxas porque julgaram mal a inflação agitou os mercados neste ano, com as ações globais prestes a fechar seu pior trimestre desde os três meses encerrados em março de 2020.

No Brasil, o Ibovespa (IBOV) encerrou o pregão desta quinta em baixa de 1,08%. Na agenda de indicadores, a taxa de desemprego caiu mais do que o esperado, seguindo a criação de empregos e se somando aos sinais de que a maior economia da América Latina vem se recuperando desde o início do ano, em meio ao aquecimento da corrida presidencial.

A taxa de desemprego caiu para 9,8% nos três meses até maio, de acordo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira (30), abaixo da estimativa de 10,2% dos economistas em pesquisa da Bloomberg. A taxa é a menor desde janeiro de 2016. No trimestre encerrado em abril, a taxa estava em 10,5%.

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Mariana d'Ávila

Mariana d'Ávila

Redatora na Bloomberg Línea. Jornalista brasileira formada pela Faculdade Cásper Líbero, especializada em investimentos e finanças pessoais e com passagem pela redação do InfoMoney.