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Cenário pede juros mais altos por mais tempo, dizem estrategistas brasileiros

Conforme gestores da Guide, Occam e Legacy, é necessária uma desaceleração global ainda maior para conter a pressão inflacionária

Bancos centrais das principais economias, incluindo o Brasil, devem prolongar trajetória de alta de juros
30 de Junho, 2022 | 12:32 pm
Tempo de leitura: 2 minutos

São Paulo — O mundo precisa de uma desaceleração ainda maior para conseguir conter a inflação, o que deve fazer os bancos centrais das principais economias, incluindo o Brasil, prolongarem a trajetória de alta de juros após um certo atraso na saída do ciclo de queda, disseram gestores da Guide, Legacy e Occam em evento nesta quinta-feira (30) em São Paulo.

Para Alex Lima, estrategista-chefe da Guide Investimentos, a covid acelerou vários ciclos econômicos e, por uma série de fatores, os BCs globais acabaram ficando atrás da curva em termos de correção da inflação. Por isso, disse, o mundo começa agora a entrar em um contexto de desaceleração econômica, já visto ligeiramente nos Estados Unidos e na Europa, que deve se alongar enquanto a política monetária precisar ser agressiva.

Na manhã de hoje (30), os EUA divulgaram uma queda nos gastos do consumidor pela primeira vez este ano. As compras de bens e serviços caíram 0,4% em maio, após uma alta de 0,3% revisada para baixo no mês anterior, inflando os receios com a desaceleração econômica do país.

Para Gustavo Pessoa, sócio da gestora Legacy, diante deste cenário, o Federal Reserve, o banco central americano, terá um trabalho “mais árduo” pela frente ao apertar as condições financeiras. “S&P 500 vai cair, o crédito vai apertar e o desemprego vai sair das mínimas históricas. Mas será preciso uma desaceleração ainda maior para conter a inflação”, disse.

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Desaceleração será necessária, mas não suficiente

“Inflação [nos EUA] está alta demais, desemprego está baixo demais. Ainda bem que Banco Central no Brasil só tem meta de inflação, porque essa já é difícil de entregar, imagina lá fora. Desaceleração é condição necessária, mas não suficiente para o Fed parar de subir juros”, comentou Duda Rocha, cofundador e CIO da Occam Brasil.

Para ele, o momento é de “muita gestão de risco”, mas não exatamente de aversão ao risco. “Multimercados têm entregado muito acima do CDI. Não temos cenário otimista para frente, mas estou otimista que vamos continuar gerando dinheiro. Fed sempre acha que as coisas convergem. Para nós, que somos brasileiros, foi uma vantagem comparativa dos gestores já terem visto inflação. Mantra é gerar valor em qualquer cenário”.

Já Fernando Siqueira, gerente de Research da Guide, aponta que a bolsa no Brasil está barata, historicamente, principalmente no setor de commodities. “Mas não quer dizer que o retorno será daqui um ou dois anos. Está barato para fazer proteção”.

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Ana Siedschlag

Ana Carolina Siedschlag

Editora na Bloomberg Línea. Jornalista brasileira formada pela Faculdade Cásper Líbero e especializada em finanças e investimentos. Passou pelas redações da Forbes Brasil, Bloomberg Brasil e Investing.com.

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