Internacional

Nova era de inflação elevada deixa Powell e Lagarde em busca de respostas

Autoridades monetárias acostumadas com pressão de preços e juros baixos têm que se acostumar com o novo cenário

Christine Lagarde y Jerome Powell
Por Carolynn Look e Bryce Baschuk
29 de Junho, 2022 | 08:25 pm
Tempo de leitura: 2 minutos

Bloomberg — Os presidentes dos bancos centrais dos Estados Unidos e da Zona do Euro reforçaram nesta quarta-feira (29) suas dúvidas sobre se o ambiente de baixa inflação pré-pandemia retornará – um novo cenário que tem deixado as autoridades monetárias em busca de respostas à medida que as taxas de juros aumentam.

“Desde a pandemia, vivemos em um mundo onde a economia tem sido impulsionada por forças muito diferentes”, disse Jerome Powell, presidente do Federal Reserve, o banco central americano, em um painel moderado por Francine Lacqua, da Bloomberg Television.

Ao lado dele, a presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, concordou e disse não esperar “que voltemos àquele ambiente de baixa inflação”.

Nesta quarta, durante o fórum anual do Banco Central Europeu em Sintra, Portugal, Powell explicou que forças como globalização, envelhecimento demográfico, baixa produtividade e desenvolvimentos tecnológicos não estão mais mantendo os preços sob controle. Esse alarme do Fed com a inflação levou a um aumento das taxas para o maior patamar desde 1994.

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“O que não sabemos é se voltaremos a algo que se pareça mais com o que tínhamos antes – suspeitamos que será uma espécie de mistura”, disse Powell. “Estamos aprendendo a lidar com isso.”

Autoridades do banco central de todo o mundo estão reunidas no primeiro retiro do BCE desde antes da pandemia, em um cenário de aumento dos preços ao consumidor, ameaças ao crescimento econômico e possibilidade de novas interrupções no fornecimento de energia. Com uma leve nostalgia, Lagarde observou que as coisas simplesmente não serão as mesmas.

“Existem forças que foram desencadeadas como resultado da pandemia devido a esse enorme choque geopolítico que estamos enfrentando agora e que vão mudar o quadro e o cenário em que operamos”, disse.

Também presente no evento, o presidente do Banco da Inglaterra, Andrew Bailey, cuja economia também está lutando com sua saída da União Europeia, observou que a simples sucessão de impactos que atingem o Reino Unido é em si um desafio.

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“É como você lida com uma série de grandes choques de oferta sem diferença entre eles, o que obviamente alimenta as expectativas”, disse ele. “Coloque todos juntos, eles não são transitórios no sentido tradicional do termo.”

Mudanças à vista

Lagarde ecoou Powell para fornecer uma lista semelhante das forças descendentes que conteram a inflação nos últimos 20 anos, incluindo a fabricação “just-on-time”. Ela calculou que a era das mudanças anunciará ainda mais reviravoltas.

“Isso mudou e provavelmente mudará continuamente em direção a um sistema sobre o qual não temos certeza”, disse Lagarde.

Powell alertou que, embora considere possível aumentar as taxas sem desencadear uma recessão, “será bastante desafiador”. O BCE – que está a caminho de aumentar duas vezes os juros no próximo trimestre – deve estar pronto para intensificar o movimento, se necessário, dada a alta incerteza, disse Lagarde.

O chefe do banco central dos EUA alertou que pode ser muito cedo para julgar se a inflação alta é uma característica mais permanente da economia global, observando que os modelos dos economistas não conseguiram prever um grande choque de oferta.

“Esse processo pode funcionar ao contrário”, disse ele. “A inflação pode cair mais rapidamente.” Enquanto isso, os banqueiros centrais devem se ajustar à nova realidade.

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“Vivemos naquele mundo onde a inflação não era um problema”, disse Powell. “Acho que entendemos melhor o quão pouco entendemos sobre inflação.”

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