Como se preparar para a recessão que pode estar chegando?
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Bloomberg Opinion — A economia dos Estados Unidos está em um “chove-não-molha” com a possibilidade de uma nova recessão. O mercado acionário está oficialmente em baixa (o que significa que as ações acumularam queda de 20% em relação ao último pico). O Fed aumentou a taxa de juros em 0,75 ponto percentual – o maior aumento desde 1994. É possível sentir a inflação em todos os lugares, até enquanto tomamos nosso café. E ainda estamos passando por um período de demissões em massa.

Então, decidimos trazer alguns conselhos para quem ainda não trabalhava durante a última crise. Cada recessão é única, mas tende a assustar as pessoas, principalmente no que diz respeito ao desemprego. Na Grande Recessão de 2008-2009, o desemprego de longo prazo (por 26 semanas ou mais) subiu de cerca de 20% para 45%, de acordo com o Departamento Nacional de Pesquisa Econômica do país. Isso geralmente dificulta que as pessoas paguem as contas, o que leva a consequências como apreensão de veículos, execuções hipotecárias ou despejos.

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Antes de entrar em pânico, vamos falar sobre o que você pode fazer para se preparar para uma possível recessão.

Embora tecnicamente já tenhamos vivido uma recessão em 2020, ficamos distraídos pela pandemia global. Quando saímos do isolamento, o mercado de ações nos surpreendeu com sua recuperação, estávamos prontos para voltar a gastar, e até mesmo o mercado de trabalho tinha funcionários em uma posição de poder.

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O clima econômico parece bastante diferente agora.

Algo que a geração Z pode esperar é muito mais incertezas. Isto se deve em parte ao fato de que uma recessão não será anunciada oficialmente até que já estejamos passando por ela durante meses. No passado, uma recessão era marcada por dois trimestres de declínio econômico e geralmente determinada por um declínio no produto interno bruto e um aumento no desemprego. Mas não é a regra.

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Outros indicadores entram na consciência pública antes que uma recessão se torne oficial. A inflação é um deles. Pessoas que não conseguem pagar empréstimos é outro. Uma queda perceptível nos gastos dos consumidores é um grande indicador. E, é claro, há as demissões.

A perda de empregos (ou mesmo a garantia de um emprego) é uma das maiores preocupações em uma recessão. É um sentimento de vulnerabilidade em qualquer idade, mas pode ser particularmente brutal para quem está nos estágios iniciais de estabelecer-se profissional e financeiramente.

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Quando a Grande Recessão chegou, os millennials mais velhos tinham 27 anos e muitos estavam apenas se preparando para entrar no mercado de trabalho. Cerca de 8,7 milhões de empregos não agrícolas foram perdidos entre o início de 2008 e 2010, de acordo com o Departamento de Estatísticas do Trabalho. E o mercado de trabalho não se recuperou até maio de 2014, mesmo que o Departamento Nacional de Pesquisa Econômica tenha declarado o fim da recessão nos EUA em junho de 2009.

Os millennials ainda carregam as cicatrizes emocionais e financeiras da dificuldade de ter um bom emprego. Apesar de ser a geração mais educada da história, seu potencial de riqueza a longo prazo foi seriamente prejudicado, pois a recessão atrasou o início de muitas carreiras. Os bicos não eram exatamente uma vontade, mas uma necessidade para conseguir viver com seu salário.

Essa é uma lição que vale a pena lembrar agora: diversificar seus fluxos de renda pode ajudar a torná-lo menos vulnerável em uma recessão (mas, por favor, não entre em um esquema de marketing multinível, que tendem a ficar atrativos em tempos de incerteza financeira).

Se você tem uma renda estável, é bom começar a acumular reservas financeiras. Particularmente se você sentir algum problema em seu setor.

Uma estratégia que utilizo é descobrir o “orçamento de primeira necessidade”. Essa é uma forma de descobrir a quantia mínima que preciso para passar o mês. Deixe de fora qualquer item não essencial e foque no custo de moradia, serviços públicos, transporte, cuidados com animais de estimação ou crianças, medicamentos, prêmios de seguro, parcelas de dívidas e comida. Saber essa quantia ajuda a descobrir quanto preciso receber.

Você também deve continuar (ou começar) sua reserva de emergência. Pegue a quantia de seu orçamento para produtos de primeira necessidade e multiplique pelo número de meses que você esperaria poder cobrir se perdesse sua principal fonte de renda. A regra geral é de três a seis meses, mas lembre-se de que encontrar um novo emprego pode demorar algum tempo.

Também leve em consideração sua rede de apoio mais ampla. Faça um balanço de quem pode te ajudar. Há parentes ou amigos com quem você possa morar ou que possam emprestar-lhe dinheiro sem comprometer as próprias finanças? Millennials que moram com os pais são o clichê da geração, mas, na verdade, era o que fazia mais sentido para muitos.

Sua rede profissional é sólida o suficiente para ajudar na busca por seu novo emprego? Você poderia receber seguro-desemprego se perdesse o emprego ou sua principal fonte de renda? Essas são perguntas a se pensar.

Por fim, não esqueça de sua saúde mental e emocional. Talvez seja importante incluir terapia em seu orçamento de primeira necessidade – isso é essencial para muitos e não deve ser colocado em segundo plano até que a economia se estabilize. Se morar com parentes não for uma opção saudável para você, não há problema em suspender outras metas financeiras de curto prazo (por exemplo, economizar para a aposentadoria ou pagar dívidas) para direcionar seu dinheiro para uma situação de vida viável.

As recessões, assim como uma pandemia, são tempos assustadores e incertos. Nenhuma recessão econômica será exatamente o espelho de sua antecessora. Tudo o que podemos fazer é focar no que podemos controlar e nos preparar para o que pode vir.

Esta coluna não reflete necessariamente a opinião do conselho editorial ou da Bloomberg LP e de seus proprietários.

Erin Lowry é colunista da Bloomberg Opinion e escreve sobre finanças pessoais. É autora da série em três partes “Broke Millennial”.

--Este texto foi traduzido por Bianca Carlos, localization specialist da Bloomberg Línea.

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