BC eleva taxa Selic para 13,25% ao ano e sinaliza nova alta em agosto

Aumento leva juros para o maior patamar desde 2016; decisão segue aumento agressivo dos juros americanos para conter inflação

Selic tem 11º aumento seguido, para 13,25% ao ano
15 de Junho, 2022 | 06:38 PM

Bloomberg Línea — O Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, elevou nesta quarta-feira (15) a taxa Selic em meio ponto percentual, para 13,25% ao ano, conforme esperado por grande parte do mercado financeiro. Este é o maior patamar para os juros desde dezembro de 2016.

Para a próxima reunião, o Comitê antevê um novo ajuste, de igual ou menor magnitude, contrariando expectativas de que o ciclo de alta dos juros se encerraria este mês.

No comunicado divulgado junto com a decisão, a autoridade monetária destacou que “a incerteza em torno das suas premissas e projeções atualmente é maior do que o usual e cresceu desde a última reunião”.

Os dirigentes destacam a deterioração do ambiente externo, marcado por revisões negativas para o crescimento global em um ambiente de fortes e persistentes pressões inflacionárias – o que eleva a incerteza e gera volatilidade adicional, principalmente nos países emergentes.

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“O Copom considera que, diante de suas projeções e do risco de desancoragem das expectativas para prazos mais longos, é apropriado que o ciclo de aperto monetário continue avançando significativamente em território ainda mais contracionista. O Comitê enfatiza que irá perseverar em sua estratégia até que se consolide não apenas o processo de desinflação como também a ancoragem das expectativas em torno de suas metas”, escreve.

As projeções de inflação do Copom situam-se em 8,8% para 2022, 4,0% para 2023 e 2,7% para 2024.

Ao longo da semana, o mercado de juros futuros passou a embutir apostas de uma surpresa hawkish (com uma política mais rigorosa) nesta quarta, com a reprecificação externa para um Fed igualmente mais agressivo. O cenário, contudo, não ocorreu.

Aumento dos preços

O forte movimento de aperto monetário da autoridade monetária, que começou em março de 2021, tem como objetivo conter a pressão inflacionária, com alta de 4,78% do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no ano até maio e de 11,73%, em 12 meses.

Entre os fatores que contribuíem para a pressão inflacionária estão o comportamento das commodities com a guerra na Ucrânia, a queda do dólar e o surto de covid-19 na China, que tem levado a novos lockdowns.

O aumento dos juros não é exclusivo do Brasil, mas algo visto no mundo inteiro. Mais cedo, o Federal Reserve também elevou os juros básicos nos Estados Unidos. O raro aumento, de 0,75 ponto percentual, levou os juros para o intervalo entre 1,5% e 1,75%.

Em entrevista após a decisão, o presidente da autoridade monetária, Jerome Powell, chamou a atenção para o cenário ainda incerto, de grande pressão inflacionária, que exige um aperto monetário mais agressivo.

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Mariana d'Ávila

Editora assistente na Bloomberg Línea. Jornalista brasileira formada pela Faculdade Cásper Líbero, especializada em investimentos e finanças pessoais e com passagem pela redação do InfoMoney.