Internacional

5 pontos-chave do discurso de Powell depois da decisão do Fed

Presidente do banco central americano sinalizou o patamar para o qual as taxas devem subir para controlar a inflação e não descartou um soft landing da economia

Jerome Powell, presidente do Federal Reserve, fala em entrevista depois da reunião do banco nesta quarta-feira (15)
15 de Junho, 2022 | 05:02 pm
Tempo de leitura: 2 minutos

Bloomberg Línea — Em uma decisão rara,o Federal Reserve elevou nesta quarta-feira (15) as taxas de juros da economia americana em 0,75 ponto percentual, para o intervalo de 1,50% a 1,75%.

As apostas de um aperto mais agressivo cresceram depois que dados de inflação surpreenderam o mercado na sexta-feira (10). Este foi o primeiro aumento desta magnitude e o maior desde 1994.

Em entrevista após a decisão, o presidente da autoridade monetária, Jerome Powell, chamou a atenção para o cenário ainda incerto, de grande pressão inflacionária, que exige um aperto monetário mais agressivo.

Confira, a seguir, cinco pontos importantes do discurso do presidente do Fed após a decisão:

PUBLICIDADE

1. Situação incomum

De acordo com Powell, o aperto monetário mais agressivo foi incomum e impulsionado pelos dados mais recentes do índice de preços ao consumidor (CPI) divulgado na sexta, que veio pior que o esperado.

“Na última reunião, dissemos que se os dados viessem piores que o esperado, seríamos mais agressivos. Quando saíram os dados do CPI e as expectativas de inflação na semana passada, pensamos que [o aumento] era a coisa certa a fazer”, disse.

“Não é comum ver dados divulgados tão próximos da reunião do FOMC interferirem no resultado, como hoje. Então não deve ser algo que aconteça novamente.”

2. Próximos aumentos

Para o próximo encontro do Fed, nos dias 26 e 27 de julho, Powell disse que o FOMC deve elevar a taxa de juros em 0,50 ponto percentual ou em 0,75 ponto percentual. Ele destacou que as disrrupções na cadeia global de suprimentos são severas e que estão durando mais do que o esperado – com destaque para a valorização das commodities e os lockdowns na China.

PUBLICIDADE

3. Taxas entre 3,5% e 4%

Para que seja possível uma situação de equilíbrio entre oferta e demanda no mercado de trabalho, Powell afirmou que as taxas de juros devem subir para um intervalo de 3,5% a 4%. A medida, segundo ele, seria um caminho apropriado para controlar a inflação e reduzi-la para 2% ao ano.

“Se dados vierem melhor que o esperado, não aumentaremos mais; se vierem pior, seremos mais duros”, afirmou.

4. Mandato duplo

Se tem algo em que Powell bateu na tecla durante o discurso foi sobre o plano do banco central americano de trazer a inflação de volta para a meta de 2% e manter um mercado de trabalho sólido. Ambos fazem parte do mandato do banco central americano.

“Vamos usar todas as ferramentas para trazer a inflação de volta aos 2% e manter as expectativas ancoradas. Reconhecemos que a inflação permanece alta e estamos atentos aos riscos inflacionários e comprometidos com a estabilidade dos preços. A economia americana é forte e suporta tal política monetária”, afirmou.

5. “Pouso suave”

Na avaliação do presidente do Fed, um “pouso suave” (soft landing em inglês) é o objetivo e é possível. “Os últimos meses aumentaram o nível de dificuldade e muitos dos impactos não conseguimos controlar, como os preços internacionais das commodities. Mas estamos focados em trazer a inflação de volta para os 2% -- o que é essencial para um mercado de trabalho resiliente, como no pré-pandemia.”

Leia também:

Aposta de El Salvador no bitcoin causa perda milionária e acentua crise no país

Mariana d'Ávila

Mariana d'Ávila

Redatora na Bloomberg Línea. Jornalista brasileira formada pela Faculdade Cásper Líbero, especializada em investimentos e finanças pessoais e com passagem pela redação do InfoMoney.