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Mercados

Mercados em rumos contrários nos EUA e na Europa; balanços e macro dividem atenção

Além de balanços, dados de inflação, PIB e sinalização da China de sustentar sua economia orientam os mercados; futuros de índices recuam nos EUA

As variáveis que orientarão os mercados
29 de Abril, 2022 | 08:44 am
Tempo de leitura: 5 minutos

Barcelona, Espanha — Os futuros de índices nos Estados Unidos operavam no vermelho esta manhã, em direção contrária das ações na Europa. Além da bateria de dados macroeconômicos e dos balanços, influencia as operações a promessa da China de aumentar o estímulo econômico, o que ajuda a restaurar a confiança na segunda maior economia do mundo e impulsiona a demanda por commodities.

Dentre os contratos de índices nos EUA, os futuros de Nasdaq tinham o pior desempenho, refletindo a queda nos lucros de empresas como a Amazon. Tesla subia em torno dos 4,2% no pré-mercado, depois que Elon Musk dissera que não planeja vender mais ações. Na Europa, a alta do índice Stoxx Europe 600 se amparava no setor de mineração.

Decepções de alguns gigantes da tecnologia a parte, a movimentada temporada de ganhos, ainda em curso, tem ajudado em grande parte a amenizar as perdas durante um ano turbulento. Cerca de 86% das empresas que compõem o S&P está batendo as estimativas, segundo a Bloomberg, citando os estrategistas do Barclays.

Os títulos do Tesouro perdiam valor nominal, com o prêmio para os bônus de 10 anos avançando para 2,86%. Nos mercados de câmbio, o iene interrompeu uma sequência de depreciação, quando rondou o mínimo em 20 anos. O euro, a libra esterlina e as moedas vinculadas a commodities tiveram ganhos, enquanto o dólar declinava.

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Enquanto isso, o petróleo subia, com os futuros do West Texas Intermediate perto de US$ 106 por barril na sexta-feira. A commodity caminha para seus maiores ganhos mensais desde o início de 2018.

De olho no PIB

Depois da surpresa com o Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos, hoje é a vez de a Europa mostrar a temperatura de suas economias. Dados sobre a inflação ao consumidor no continente também estão na agenda, além de balanços corporativos em todos os mercados.

🇺🇸 Os EUA anunciaram ontem que sua economia se retraiu 1,4% no primeiro trimestre de 2021. Trata-se da primeira queda desde 2020. Os analistas previam que as riquezas produzidas pelo país continuassem em alta, de 1%, embora bem inferiores aos +6,9% do quarto trimestre.

Apesar do desconforto com os números, os analistas pontuam que o consumo privado manteve o avanço no trimestre: +2,7% na base anual, versus +2,5% do trimestre anterior. O resultado do PIB norte-americano, portanto, se deveu fundamentalmente à queda da rubrica exportações, estoques e gastos públicos.

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🇪🇺 As maiores economias da Europa começaram 2022 com um desempenho fraco - evidenciando os danos causados pelo aumento dos custos de energia e os problemas com o fornecimento de commodities após a invasão russa à Ucrânia. O mercado está atento a como vêm se movendo as economias da Europa: uma deterioração muito rápida da produção e do consumo complicaria os esforços do Banco Central Europeu (BCE) para combater a inflação. Dentre as armas de política monetária estão a retirada de estímulos monetários e o aumento dos juros.

A Alemanha evitou por pouco uma recessão: a economia se expandiu apenas 0,2% no primeiro trimestre. Na França, o PIB se estagnou, depois de uma expansão de 0,8% nos três meses finais de 2021. A economia da Itália encolheu 0,2%, afetada pelos custos de energia. A da Espanha se desacelerou mais do que o previsto (de +2,2% no quarto trimestre de 2021 para 0,3% de janeiro a março deste ano).

  • Porém, apesar de todo o cenário de incerteza, o PIB europeu do primeiro trimestre cresceu +5,0% na base anual, em linha com o esperado pelos analistas e ligeiramente acima dos +4,7% reportados anteriormente.

🤷🏻‍♀️ Inflação na Europa. Perto do teto?

A inflação está quente, embora o mercado já comece a desconfiar que na Europa a alta dos preços está perto de tocar o teto. O IPC da Zona do Euro em abril ficou praticamente estável em +7,5%, marca recorde, contra +7,4% no mês anterior. A taxa de inflação da França subiu inesperadamente para 5,4% em abril - o nível mais alto desde que o euro foi introduzido e mais do que os economistas esperavam.

🔦 Foco nos balanços

A saúde financeira das empresas dirigirá, também, os negócios. Os investidores repercutem os balanços da Apple e da Amazon, divulgados depois do fechamento das bolsas. A fabricante superou as estimativas no primeiro trimestre com a forte demanda por iPhones e serviços. Mas a Amazon reportou prejuízo - o primeiro desde 2015.

Leia também o Breakfast, uma newsletter da Bloomberg Línea: Completa o tanque com... milho

Um panorama dos negócios no mercado financeirodfd

🟢 As bolsas ontem: Dow Jones (+1,85%), S&P 500 (+2,47%), Nasdaq Composite (+3,06%), Stoxx 600 (+0,62%), Ibovespa (+0,52%)

Os mercados acionários norte-americanos foram impulsionados por fortes relatórios trimestrais de ganhos, mesmo após um surpreendente declínio do PIB no primeiro trimestre do ano. As ações conseguiram resistir à perda de ritmo da economia americana, que se contraiu inesperadamente no último trimestre pela primeira vez desde 2020. O produto interno bruto caiu a uma taxa anualizada de 1,4%, depois de ter crescido 6,9% no final de 2021.

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Na agenda

Esta é a agenda prevista para hoje:

• Feriado no Japão

• EUA: Índice de Preços PCE/Mar; Renda e Gastos Pessoais/Mar; Consumo Pessoal Real/Mar; PMI de Chicago/Abr; Expectativas de Inflação Univ. Michigan/Abr; Confiança do Consumidor Michigan/Abr; Despesas de Consumo Pessoal (PCE) - Fed Dallas/Mar

• Europa: Zona do Euro (IPC/Abr; PIB/1T22; Massa Monetária - Agregado M3/Mar; Empréstimos ao Setor Privado); Alemanha (PIB/1T22; Preços de Bens Importados/Mar); França (IPC; IPP; Gasto dos Consumidores/Mar; PIB/1T22); Reino Unido (Índice de Preços de Imóveis Nationwide/Abr; Crédito ao Consumidor BoE /Mar; Aprovações de Hipotecas/Mar); Espanha (PIB/1T22; Vendas no Varejo/Mar); Itália (PIB/1T22; IPP/;Mar), Portugal (IPC/Abr)

• Ásia: China (PMI Composto/Abr)

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• América Latina: Brasil (IBC-Br; Empréstimos Bancários/Fev; Taxa de Desemprego; Balanço Orçamentário/Fev; Transações Correntes/Fev; Investimento Estrangeiro Direto; Dívida Líquida/PIB Fev); México (PIB)

• Balanços: Bank of China, Exxon Mobil, Orsted, Chevron, AbbVie, Bristol-Myers Squibb, AstraZeneca, Honeywell, DBS, Colgate-Palmolive, Eni, Neste Oyj, BBVA, NIO, CaixaBank, NatWest, Nutresa, Itaú CorpBanca, Celulose Irani

📌 E para segunda-feira, 2 de maio:

• Feriados: China, Hong Kong, Reino Unido

• Indicadores PMIs: Estados Unidos, Canadá, Zona do Euro, Alemanha, França, Espanha, Itália, Brasil, México

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• EUA: Preços no Setor Manufatureiro ISM/Abr; Índice ISM de Emprego no Setor Manufatureiro/Abr; Gastos de Construção/Mar; Pesquisa Fed com Principais Bancos de Empréstimos

• Europa: Zona do Euro (Confiança de Empresas e Consumidores/Abr; Clima de Negócios/Abr; Expectativas de Inflação ao Consumidor/Abr); Alemanha (Vendas no Varejo/Mar)

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• Ásia: Japão (Índice da Confiança Entre as Famílias/Abr)

• América Latina: Brasil (Boletim Focus; Balança Comercial/Abr); Argentina (Receita Tributária)

--Com informações da Bloomberg News

Michelly Teixeira

Michelly Teixeira

Jornalista com mais de 20 anos como editora e repórter. Em seus 12 anos de Espanha, trabalhou na Radio Nacional de España/RNE e colaborou com a agência REDD Intelligence. No Brasil, passou pelas redações do Valor, Agência Estado e Gazeta Mercantil. Tem um MBA em Finanças, é pós-graduada em Marketing e cursa um mestrado em Digital Business na Esade.