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A saga continua: Bradesco ganha liminar e trava recuperação judicial do Hopi Hari

Tribunal de Justiça de SP suspende homologação de plano de recuperação judicial do parque de diversões

Inaugurado em 1999 em Vinhedo, que integra a Região Metropolitana de Campinas, o Hopi Hari entrou em recuperação judicial em 2016
14 de Abril, 2022 | 12:22 pm
Tempo de leitura: 3 minutos

São Paulo — Um dos credores do Hopi Hari, o Bradesco (BBDC4) conseguiu uma liminar suspendendo a homologação do plano de recuperação judicial do maior parque de diversões de São Paulo.

Com a decisão judicial proferida pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, a companhia sediada em Vinhedo, no interior paulista, está legalmente impedida de efetuar os pagamentos aos credores sujeitos ao seu plano, incluindo os titulares de créditos trabalhistas que vinham sendo pagos antes mesmo da homologação do plano de soerguimento.

“A suspensão dos pagamentos decorreu da concessão de pedido liminar requerido pelos credores quirografários Alpha Consultoria Administrativa Ltda e Banco Bradesco, que titularizam crédito não preferencial no montante de pouco mais de R$ 528 mil, valor irrisório quando comparado ao montante titularizado pelos credores que, reunidos em Assembleia-Geral, aprovaram o plano de recuperação judicial que reestrutura um passivo superior a R$ 400 milhões”, comentou o Hopi Hari em nota enviada à Bloomberg Línea.

A companhia acrescentou que “seus advogados estão empreendendo todas as medidas judiciais cabíveis para reverter a decisão monocrática que suspendeu a homologação de seu plano de recuperação, a fim de possibilitar, o mais breve possível, a retomada dos pagamentos em cumprimento ao plano de recuperação judicial”.

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O Bradesco não comentou imediatamente o teor da nota do Hopi Hari. “Os gestores do Hopi Hari aguardam com otimismo a revogação da decisão liminar que suspendeu o plano de recuperação judicial pelo órgão Colegiado do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, de modo que seja autorizado às recuperandas a retomada do fluxo de pagamentos, sobretudo em favor dos credores trabalhistas, titulares de créditos alimentares e, por essa razão, privilegiados”, informou o parque, em nota.

Hopi Hari teve plano de recuperação judicial homologado em fevereiro, mas União questionou dívida tributária no mês seguintedfd

Revés

Em fevereiro, o Hopi Hari teve seu plano de recuperação judicial homologado pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. Este é o segundo revés nesse processo. No mês passado, a União questionou o pagamento de débitos tributários da ordem de R$ 370 milhões, valor contestado pela companhia. Em entrevista à Bloomberg Línea, o CEO da companhia, Alexandre Rodrigues, disse, no começo de março, que o risco de falência da empresa era zero.

Pelo plano de recuperação judicial homologado em fevereiro pelo juiz Fábio Marcelo Holanda, da Comarca de Vinhedo, o Hopi Hari teria um prazo de dois anos para cumprir as obrigações previstas no plano, como o pagamento de credores. O CEO diz que a liminar suspendendo a homologação do plano não tem relação com a cobrança da Procuradoria da Fazenda Nacional de uma certidão negativa atestando a regularidade fiscal da companhia.

Em 2016, o Hopi Hari entrou em recuperação judicial com uma dívida estimada em R$ 500 milhões. Entre seus credores, estão o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), SLW, Prevhab e Mirai, sendo que os dois últimos representam quase 90% do valor de toda a classe 3 (quirográficos), a segunda com maior valor e com maior quantidade de credores, de acordo com o Hopi Hari.

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Após a homologação do plano pela justiça paulista, o executivo trabalhava com a expectativa de tirar do papel um plano de investimentos (estimado em R$ 150 milhões para os próximos cinco anos) em busca de um aumento gradual de receita, após dois anos de pandemia da Covid-19.

Concorrência

No ano passado, a companhia registrou um faturamento de R$ 98 milhões, com EBITDA de R$ 32 milhões em oito meses de funcionamento. O Hopi Hari fechou o ano de 2021 com 733 mil visitantes, com apenas 148 dias de funcionamento pleno, uma média de 4,9 mil pessoas por dia.

No ano passado, a companhia chegou a ser cobiçada pela concorrência (Beto Carrero, Playcenter e Wet’n Wild), que apresentou uma proposta alternativa de pagamento aos credores, na tentativa de assumir o parque paulista.

O plano de recuperação judicial foi aprovado no dia 2 de fevereiro, após nove horas de discussões entre os representantes legais dos administradores do parque e os advogados dos credores.

Segundo a assessoria da empresa, o parque temático segue com suas operações normalmente. Inaugurado em 1999, o Hopi Hari fica a 72 km da capital e, ao longo das décadas, entrou no roteiro turístico do estado, tendo sua montanha-russa de madeira como um dos seus brinquedos mais procurados.

Antes da fundação do Hopi Hari, o parque mais famoso do Brasil era o Playcenter, na Marginal Tietê na capital paulista, que acabou fechando em julho de 2012. No seu esforço para virar a página da reestruturação de suas obrigações com credores, o Hopi Hari contou com a condução jurídica do Escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, feito pelo advogado Felipe Genari.

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Sérgio Ripardo

Sérgio Ripardo

Jornalista brasileiro com mais de 25 anos de experiência, com passagem por sites de alcance nacional como Folha e R7, cobrindo indicadores econômicos, mercado financeiro e companhias abertas.

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