PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
Green

‘Rhino Bond’: Como funciona o título do Banco Mundial para preservar a vida selvagem

O título de cinco anos pagará retornos determinados pela taxa de crescimento das populações de rinoceronte negros em duas reservas sul-africanas

Um rinoceronte negro na reserva de ol-Pejeta perto do Monte Quênia
Por Antony Sguazzin
24 de Março, 2022 | 07:17 pm
Tempo de leitura: 3 minutos

Bloomberg — O Banco Mundial declarou que precificou o primeiro título de vida selvagem do mundo, levantando US$ 150 milhões, que serão parcialmente usados para a preservação de rinocerontes negros na África do Sul.

PUBLICIDADE

O título de cinco anos pagará retornos determinados pela taxa de crescimento das populações dos animais em duas reservas sul-africanas, a Addo Elephant National Park e a Great Fish River Nature Reserve, disse o Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento do Banco Mundial, em um comunicado, na noite de quarta-feira (23).

“O Wildlife Conservation Bond é um instrumento financeiro inédito, baseado em resultados, que canaliza investimentos para alcançar resultados de conservação – medidos neste caso por um aumento nas populações de rinocerontes negros”, disse o Banco Mundial em comunicado.

PUBLICIDADE

Se for bem-sucedido, o programa poderá ser expandido para proteger as populações de rinocerontes negros no Quênia, bem como outras espécies da vida selvagem, como leões, tigres, gorilas e orangotangos, segundo uma proposta anterior.

Existem cinco espécies de rinocerontes em todo o mundo, com a maioria dos animais na África do Sul e quase todos eles rinocerontes brancos. O número de rinocerontes negros caiu para cerca de 2.600, de 65.000 em 1970, sendo que, de acordo com a documentação do Banco Mundial, esse número pode ter sido de até 850.000 no passado. Os animais são encontrados em outros três países africanos e podem pesar até 1,4 tonelada – muito menores que o rinoceronte branco.

Em vez de pagar um cupom, o emissor fará contribuições para a conservação dos animais e os compradores do título receberão um pagamento do Fundo para o Meio Ambiente Global com base em metas predefinidas para o crescimento populacional. Para receber o pagamento máximo, a população de rinocerontes precisará aumentar mais de 4% ao ano.

“A estrutura financeira de “pay-for-success” (pagamento com base no êxito) protege uma espécie ameaçada e fortalece os esforços de conservação da África do Sul, alavancando a infraestrutura do Banco Mundial e o histórico nos mercados de capitais”, disse David Malpass, presidente do Banco Mundial, no comunicado. “A ideia pode ser replicada e dimensionada para canalizar mais capital privado para outras ações de conservação e clima e para objetivos de desenvolvimento em todo o mundo.”

O Credit Suisse (CS) estruturou o título e atuou como joint bookrunner com o Citigroup (C).

PUBLICIDADE

O título foi vendido a 94,8% de seu “valor nominal agregado” e pagará um valor máximo de US$ 13,8 milhões, segundo o Banco Mundial. A Conservation Alpha foi encarregada de determinar o sucesso do programa e seus pagamentos. O agente de verificação é a Sociedade Zoológica de Londres.

Os rinocerontes estão ameaçados pela caça furtiva, principalmente por causa da demanda no Vietnã e na China pelo pó de seus chifres, que acredita-se curar o câncer e melhorar a virilidade. Addo é uma reserva de 1.640 quilômetros quadrados, enquanto o Great Fish é um parque de 450 quilômetros quadrados. Ambos estão na província de Eastern Cape, na África do Sul, e são administrados pelo estado. O número de rinocerontes nos parques não foi divulgado por questões de segurança. Juntos, eles receberão 152 milhões de rands (US$ 10,4 milhões).

Em documentos anteriores, os defensores do título disseram que ele pode ser replicado para proteger as populações de rinocerontes em três reservas quenianas.

Embora o título para proteção dos rinocerontes seja o primeiro, os chamados títulos sustentáveis têm sido usados para financiar uma variedade de causas sustentáveis, desde projetos marinhos e de pesca nas Seychelles até a educação de meninas na Índia rural.

– Esta notícia foi traduzida por Marcelle Castro, localization specialist da Bloomberg Línea.

Veja mais em bloomberg.com

Leia também