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Rio pode voltar a ter uma bolsa de valores?

Em parceria com a Nasdaq, o governo do Estado espera que a Bolsa de Ativos Ambientais esteja funcionando já no segundo semestre

"O segmento está ganhando força em todo o mundo e é visto como uma das alternativas de retomada da economia após a crise causada pela pandemia da covid-19"
09 de Março, 2022 | 05:53 pm
Tempo de leitura: 3 minutos

Bloomberg Línea — O governo do Estado do Rio de Janeiro anunciou, por meio de comunicado à imprensa, uma parceria com a Nasdaq para criar uma subsidiária brasileira da Bolsa americana. A bolsa vai organizar compra e venda de créditos de carbono e ativos ambientais, como energia, clima e florestas, e a expectativa é que já esteja funcionando no segundo semestre deste ano, de acordo com o comunicado do governo do Rio.

No dia seguinte (10), a Nasdaq contestou a informação do Estado do Rio, e esclareceu que “o escopo atual da parceria entre o negócio de Tecnologia de Mercado da Nasdaq e as demais partes está estritamente limitado à assinatura de um Protocolo de Intenções sob o qual as partes concordaram em realizar um estudo de viabilidade para a potencial criação de uma plataforma de negociação de ativos ambientais.” A companhia acrescentou que “não concordou em criar uma bolsa de crédito de carbono e ativos sustentáveis, e uma subsidiária da Nasdaq não será instalada no Rio de Janeiro”.

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Segundo o governo do Rio, a parceria prevê o intercâmbio de informações entre o governo do Estado, a Nasdaq e a Global Environmental Asset Plataform, para a implementação de políticas públicas para certificar, emitir e negociar créditos de carbono. Nos próximos 90 dias, serão criados um grupo de trabalho para discutir as medidas propostas e um projeto-piloto. Após esse período de avaliação, será instalada uma subsidiária brasileira da Nasdaq no Rio de Janeiro, disse a nota. “A Nasdaq fornecerá a tecnologia, e o Estado, os ativos ambientais” disse o governador do Rio, Cláudio Castro, ontem (8), em Nova York.

“Há expectativa que o potencial econômico ambiental do Rio alcance um estoque de CO2 de 73 milhões de toneladas, representando R$ 25 bilhões. E cada tonelada desse ativo ambiental pode custar em média US$ 5. O segmento está ganhando força em todo o mundo e é visto como uma das alternativas de retomada da economia após a crise causada pela pandemia da covid-19”, disse o comunicado.

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Após 21 anos do fechamento da Bolsa de Valores no RJ, o mercado financeiro volta ao estado com a implantação de uma plataforma para a compra e venda de créditos de carbono e ativos ambientais”, escreveu o governador em sua conta no Instagram.

Crédito de Carbono

Os créditos de carbono são vendidos para países que não atingiram suas metas de redução de gases causadores do efeito estufa por aqueles que reduziram as emissões. Os recursos financeiros são aplicados em projetos como reflorestamento e outras ações de mitigação de emissões de Gases de Efeito Estufa.

“A meta é trazer também os ativos ambientais da iniciativa privada para serem negociados por meio da plataforma da Nasdaq, que, a princípio, vai operar no exterior”, disse o secretário de Fazenda, Nelson Rocha. “Vamos criar ambiente propício para que essa expansão aconteça nos próximos anos. Queremos fazer do Rio um hub de investimentos de ativos ambientais.”

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A Nasdaq é criadora do Sustainable Stock Exchanges (SSE), programa em parceria com a Organização das Nações Unidas que disponibiliza uma plataforma global para que as bolsas estimulem o investimento sustentável com a colaboração de investidores e empresas. Em 2018, foi lançada a primeira bolsa digital regulamentada do mundo para tokens com base em ativos, que conta com a operação da Nasdaq Technologies.

(Atualiza às 11h51 do dia 10 de março com comentários da Nasdaq)

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Kariny Leal

Kariny Leal

Jornalista carioca, formada pela UFRJ, especializada em cobertura econômica e em tempo real, com passagens pela Bloomberg News e Forbes Brasil. Kariny cobre o mercado financeiro e a economia brasileira para a Bloomberg Línea.

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