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Eleições: Bolsonaro atingiu teto ou pode virar votos de Moro e Doria?

Sem terceira via competitiva, pesquisas apontam presidente no segundo turno, mas especialistas divergem sobre potencial de voto demonstrado em pesquisas

Presidente Jair Bolsonaro (PL) no Palácio do Planalto, em 16 de dezembro de 2021
11 de Março, 2022 | 04:50 pm
Tempo de leitura: 2 minutos

Bloomberg Línea — A pesquisa XP/Ipespe divulgada nesta sexta-feira (11) mostrou mais um retrato do cenário que vem se repetindo pelo menos desde outubro do ano passado: as intenções de voto no presidente Jair Bolsonaro (PL) em torno de 25% e no ex-presidente Lula (PT), em torno de 40%.

O cientista político Marco Teixeira, professor da FGV-SP, analisa que as diferenças de porcentagens nas respostas espontâneas (quando o entrevistador não fala o nome de nenhum candidato para o entrevistado) e estimuladas mostram um cenário pior para Bolsonaro. Isso indicaria que o presidente atingiu um limite de crescimento difícil de extrapolar.

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A pesquisa do Ipespe divulgada nesta sexta mostra que o presidente foi citado espontaneamente por 26% dos pesquisados. Na entrevista estimulada, Bolsonaro ficou com 28% das intenções de voto.

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Já Lula aparece com 36% das intenções de voto na entrevista espontânea e 43%, na estimulada.

“Por mais que tanto Lula quanto Bolsonaro venham se mantendo estáveis ao longo dos últimos meses nas pesquisas, o fato de o presidente apresentar pouca ou nenhuma variação da espontânea para a estimulada indica que ele pode ter encostado em seu teto de intenções de voto: os mesmos 25% a 30% do eleitorado que ele sempre teve”, diz Teixeira.

A pesquisa divulgada hoje mostra ainda que o número de entrevistados que acham que a economia está no caminho errado caiu de dezembro para cá (69% a 61%). E a proporção de eleitores que avalia o enfrentamento da pandemia pelo governo como “ótimo ou bom” cresceu de 20%, em janeiro, para 28% agora.

No entanto, Marco Teixeira acredita que “isso não tem se traduzido em intenção de voto”. “Estão tendo dificuldade de furar o teto”, afirma.

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O estudo mostra ainda que 65% dos entrevistados não acreditam que serão beneficiados com a liberação do saque do FGTS.

Voto “envergonhado”

O pesquisador Bruno Carazza, professor da Fundação Dom Cabral, observa os mesmos dados que o colega Marco Teixeira, mas é mais cauteloso.

“O presidente tem usado toda a máquina governamental neste ano de eleição para tentar recuperar um eleitor que já foi dele - mais educado, mais velho e com mais poder aquisitivo. E os números mostram que ele tem conseguido”, analisa Carazza.

Para ele, “é difícil cravar que o Bolsonaro tenha batido no teto”. “Se a intenção de voto não mudou, pode ser que haja um ‘voto envergonhado’, como houve em 2018. Ou pode ser que, num cenário de segundo turno, os eleitores de Sergio Moro e João Doria migrem para ele. Ainda tem muita coisa para acontecer daqui até outubro, não descartaria a possibilidade de o presidente capturar eleitores desses outros candidatos”, diz.

Carazza vê ainda como “movimento interessante” a reação dos eleitores em relação à pandemia. Em janeiro, 35% dos entrevistados disseram ter “muito medo” da pandemia. Na pesquisa divulgada hoje, a cifra caiu para 15%.

“Esse sentimento de que o pior da pandemia já passou e que a vida já pode voltar ao normal pode acabar favorecendo Bolsonaro”, afirma.

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A pesquisa ouviu mil pessoas por telefone entre os dias 7 e 9 de março. A margem de erro é de 3,2 pontos percentuais para mais ou para menos, com índice de confiança de 95%. O registro no TSE é BR-03573/2022.

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Pedro Canário

Pedro Canário

Repórter de Política da Bloomberg Línea no Brasil. Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero em 2009, tem ampla experiência com temas ligados a Direito e Justiça. Foi repórter, editor, correspondente em Brasília e chefe de redação do site Consultor Jurídico (ConJur) e repórter de Supremo Tribunal Federal do site O Antagonista.