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Eleições: Gráficos mostram avanço de Bolsonaro após Auxílio Brasil

CNT/MDA: Intenção de votos no presidente cresceu e avaliação negativa do governo caiu acima de margem de erro, mas Lula ainda mantém forte dianteira

Jair Bolsonaro, em Salgueiro (PE)
21 de Fevereiro, 2022 | 07:41 pm
Tempo de leitura: 2 minutos

Bloomberg Línea — Divulgada nesta segunda (21), a última rodada da pesquisa CNT/MDA mostrou um quadro cristalizado de disputa entre Lula (PT) e Bolsonaro (PL), com candidatos da chamada terceira estacionados muito longe dos dois principais antagonistas.

A novidade, contudo, foi a melhora da situação de Bolsonaro – acima da margem de erro de 2,2 pontos percentuais – tanto em intenções de voto quanto em avaliação do governo. A comparação se dá com pesquisas anteriores do mesmo instituto – isto é, com a mesma metodologia.

O principal fato novo entre os dois levantamentos foi a implementação do Auxílio Brasil (R$ 400/mês) em substituição ao antigo Bolsa Família (média de R$ 190/mês).

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Tanto Bolsonaro quanto Lula avançaram na intenção de voto espontânea – aquela que o eleitor aponta em que pretende votar sem que o entrevistador apresente o nome dos pré-candidatos. Bolsonaro avançou mais de quatro pontos percentuais (de 20,1% em dezembro para 24,4% agora). No mesmo período, Lula também cresceu na espontânea acima da margem de erro: tinha 30,1% em dezembro e agora tem 32,8%.

Esta modalidade é importante neste momento do jogo político – a menos de oito meses do primeiro turno – porque a intenção de voto espontâneo mede a lembrança que o eleitor tem de um candidato e o grau de interesse no pleito, sem que a campanha tenha, de fato, começada.

Na estimulada, quando o entrevistador apresenta as opções de candidatos, Lula foi de 42,8% (dezembro) para 42,2% agora – variação abaixo da margem de erro. Bolsonaro avançou além da margem: foi de 25,6% para 28% agora.

O número de eleitores que dizem não votar em Bolsonaro “de jeito nenhum” caiu de 59,2% para 55,4%. Neste quesito, Lula permaneceu estável, com 40,5%.

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Uma métrica importante para um político que vai buscar a reeleição é a da avaliação do governo. Entre dezembro de 2021 e fevereiro de 2002, a avaliação negativa do governo Bolsonaro caiu de 48% para 43%. A diferença – mais que o dobro da margem de erro – parece ter sido transferida para quem tem uma avaliação regular do governo (30% agora contra 24% em dezembro).

A avaliação de bom/ótimo do governo variou dentro da margem: 27% em dezembro para 26% agora.

Se a pesquisa mostra avanços de Bolsonaro em intenção de votos e avaliação do governo, há ainda indicadores desafiadores para o presidente: 61,4% desaprovam o desempenho pessoal dele no cargo (eram 62,3% em dezembro).

Segundo o instituto MDA, só Michel Temer – que não foi candidato à reeleição – tinha uma desaprovação maior no mesmo período do ano eleitoral. Em março de 2018, 73,3% dos eleitores desaprovavam o então presidente.

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A taxa de FHC era 28,8% em fevereiro de 2002 (não disputou a reeleição), Lula tinha 21,4% em fevereiro de 2006 (foi reeleito meses mais tarde) e apenas 5,8% de desaprovação em 2010, quando elegeu a sucessora, Dilma Rousseff (PT). Em fevereiro de 2014, Dilma era desaprovada por 24,4% dos eleitores.

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A pesquisa foi realizada a partir de 2002 entrevistas em 137 municípios, entre os dias 16 e 19 de fevereiro. A pesquisa do instituto MDA foi contratada pela CNT (Confederação Nacional do Transporte).

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Graciliano Rocha

Graciliano Rocha

Editor da Bloomberg Línea no Brasil. Jornalista formado pela UFMS. Foi correspondente internacional (2012-2015), cobriu Operação Lava Jato e foi um dos vencedores do Prêmio Petrobras de Jornalismo em 2018. É autor do livro "Irmã Dulce, a Santa dos Pobres" (Planeta), que figurou nas principais listas de best-sellers em 2019.

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