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Mercados

Preocupação com inflação pressiona bolsas globais, que caem nesta quinta

Investidores repercutem aumento no preço das commodities e energia, que pode prejudicar o crescimento econômico global

A Petrobras anunciou o aumento no preço da gasolina e do diesel nas refinarias.
10 de Março, 2022 | 02:55 pm
Tempo de leitura: 2 minutos

Bloomberg Línea — A sessão desta quinta-feira (10) é de queda para ativos de risco ao redor do mundo, diante da perspectiva de que o preço mais elevado do petróleo – e das commodities, de forma geral – pressionará a inflação e dimunuirá o crescimento econômico.

Seguindo os índices globais, o Ibovespa (IBOV), principal índice de renda variável da Bolsa brasileira, ampliou as quedas nesta tarde, enquanto o dólar subia, puxando os contratos de juros futuros.

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  • O petróleo tipo WTI era negociado na casa dos US$ 108 o barril, enquanto o tipo Brent, aos US$ 111.
  • O combustível mais caro contribuía para a queda de companhias aéreas na B3: os papéis de Gol (GOLL4) recuavam cerca de 5%, enquanto os de Azul (AZUL4) cediam 4,1%, por volta das 14h50 (horário de Brasília).
  • Varejistas também tinham queda nesta quinta, em meio às preocupações com a alta dos juros. As ações de Natura (NTCO3) caíam 11%, as de Via (VIIA3) recuavam 6,2%, enquanto as de Magazine Luiza (MGLU3) tinham baixa de 5,8%.

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Em relatório, o UBS disse estimar um risco significativo de alta da inflação em meio à guerra na Ucrânia. Para os analistas, a forta alta dos preços de energia e commodities pode aumentar a inflação de 2022 em mais de 1% – e uma inflação mais alta pode significar expectativas de inflação de longo prazo mais altas, escrevem.

Há impacto também para o ritmo inflacionário de 2023, pela inércia. “Para evitar que isso aconteça, acreditamos que o Copom manterá seu ritmo de 150 bp na reunião de março, diferente do planejado, mas necessário para limitar os danos das expectativas”, diz o UBS, estimando uma Selic de 12,25% ao ano ao fim deste mês.

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Já entre os ganhos do índice, destaque para os papéis da Petrobras (PETR3; PETR4), que avançavam cerca de 2% e 3,3%, após a companhia aumentar o preço do diesel e da gasolina nas refinarias.

  • O Ibovespa tinha queda de 1,09%, por volta das 14h50 (horário de Brasília), negociado aos 112.653 pontos;
  • O dolar à vista subia 0,73%, a R$ 5,05;
  • No mercado de juros futuros, o DI para 2025 tinha alta de 18 pontos-base, a 12,37%;
  • O Bitcoin (BTC) recuava 6,64%, aos US$ 39.113;

Quadro externo

Com a guerra na Ucrânia ainda sem mostrar sinais de abrandamento e após a inflação acelerar pelo sexto mês seguido nos Estados Unidos, as ações têm queda em Wall Steet na tarde desta quinta.

Em fevereiro, o dado de preços ao consumidor nos EUA avançou 0,80%, dentro do consenso, mas acumulando alta de 7,9% no ano. Embora o salto esteja em linha com as previsões, reforçou as expectativas de que o Federal Reserve deverá começar a elevar as taxas de juros na próxima semana para conter a inflação que alguns economistas veem subindo acima de 8%.

Isso porque a guerra na Ucrânia e a proibição de Biden às importações de energia da Rússia restringiram o fornecimento de petróleo.

Os mercados desandaram desde que a Rússia invadiu a Ucrânia há duas semanas, com as ações dos EUA esta semana experimentando as maiores oscilações (de ganhos e perdas) desde 2020.

Os preços das commodities também oscilaram à medida que os investidores lidam com as incertezas em torno da guerra, enquanto a inflação, que já está no ritmo mais rápido em 40 anos, sem sinais de desaceleração, ameaça conter o crescimento econômico.

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“O mercado provavelmente já precificou o aumento da inflação e, em vez disso, está focado na Ucrânia e no impacto da guerra sobre as commodities, que já estão enviando ondas de choque pelo mercado”, disse Mike Loewengart, diretor administrativo de estratégia de investimento do Morgan Stanley, à Bloomberg.

  • Nos EUA, o Dow Jones recuava 1,18%, o S&P 500 tinha queda de 1,36%, enquanto o índice da Nasdaq cedia 2,03%;
  • Na Europa, os mercados operavam no vermelho: o índice Dax, da Alemanha, caía 2,93%, enquanto o CAC-40, de Paris, tinha baixa de 2,83%.

(Com informações da Bloomberg News)

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Mariana d'Ávila

Mariana d'Ávila

Redatora na Bloomberg Línea. Jornalista brasileira formada pela Faculdade Cásper Líbero, especializada em investimentos e finanças pessoais e com passagem pela redação do InfoMoney.

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