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Brasil

Conselho da Petrobras está desconfortável com falta de reajuste

Em fevereiro, eles solicitaram explicações da área de comercialização da empresa sobre o motivo do não aumento dos preços, conforme fontes

A Petrobras está sob crescente pressão política para baratear o combustível antes das eleições de outubro
Por Mariana Durao e Martha Beck
09 de Março, 2022 | 05:43 pm
Tempo de leitura: 2 minutos

Bloomberg — O conselho de administração da Petrobras (PETR4) (PETR3) está ficando desconfortável com o fato de a estatal não ajustar os preços dos combustíveis mesmo com a alta do petróleo, disseram duas pessoas com conhecimento direto do assunto.

Os membros do conselho, responsáveis ​​por supervisionar o cumprimento da política de preços da empresa, estão cada vez mais inquietos com as discussões políticas envolvendo a Petrobras, afirmaram as fontes, pedindo para não serem identificadas porque as conversas são privadas.

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Em fevereiro, eles solicitaram explicações da área de comercialização da empresa sobre o motivo do não aumento dos preços, disseram as pessoas.

A Petrobras está sob crescente pressão política para baratear o combustível antes das eleições de outubro. Os investidores estão nervosos com uma possível interferência política, enquanto o setor privado diz que a diferença entre o que a Petrobras cobra na refinaria e os níveis internacionais inviabiliza economicamente a importação de gasolina e diesel para o Brasil.

Veja mais: Petrobras deve pedir aprovação do governo para reajuste de preços, diz Reuters

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Subsídio

A equipe econômica já aceita dar subsídios ao diesel e ao gás de cozinha, com a aposta de que essa medida combinada ao projeto de lei que muda a forma de cobrança do ICMS sobre os combustíveis será suficiente para suavizar os preços, disseram duas pessoas familiarizadas com o assunto.

Os integrantes da equipe do ministro da Economia, Paulo Guedes, não querem discutir o congelamento dos preços da Petrobras, mas pressionam para que a empresa faça um gesto, como demorar mais para transferir custos para os preços, disseram as pessoas, pedindo para não serem identificadas porque as conversas são privadas.

A Petrobras e o Ministério da Economia não comentaram.

O conselho também está discutindo uma mudança na política de preços para permitir à companhia considerar um período mais curto para ajustar os preços ao nível internacional. Vários membros do conselho já se manifestaram a favor, segundo as fontes. As discussões, porém, ainda estão em estágio muito inicial e podem ficar para o novo conselho, que será eleito no próximo mês.

Veja mais: Novo chairman da Petrobras: de ex-braço direito de Eike ao Flamengo

No começo da pandemia de covid no início de 2020, a Petrobras passou a avaliar a paridade com os preços internacionais anualmente, sendo que antes disso o ajuste era trimestral.

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A estatal mantém os preços inalterados desde janeiro, quando o petróleo oscilava perto de US$ 82 o barril, mais de 30% abaixo do preço de fechamento da commodity na terça-feira.

Tanto o presidente Jair Bolsonaro quanto Luiz Inácio Lula da Silva, que lidera as pesquisas eleitorais, criticaram o lucro elevado da Petrobras e afirmaram que a empresa precisa contribuir com sua parte, embora Bolsonaro tenha prometido não intervir.

Na terça-feira, a Amec, associação que representa investidores institucionais com cerca de US$ 700 bilhões no mercado de ações, expressou preocupação com a falta de transparência na Petrobras.

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O uso de empresas para servir aos interesses públicos “aumenta a percepção de risco de mercado e prejudica os planos de investimento planejados”, disse a Amec em carta aberta à gigante estatal.

Veja mais em bloomberg.com

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