Internacional

China avalia comprar fatias de empresas russas de energia

A China prometeu continuar as relações comerciais com a Rússia normalmente, apesar de um enorme êxodo de empresas europeias e americanas

As principais autoridades do governo da China emitiram ordens para priorizar a segurança do fornecimento de commodities
Por Bloomberg News
08 de Março, 2022 | 03:18 pm
Tempo de leitura: 2 minutos

Bloomberg — A China considera comprar ou aumentar participações em empresas russas de energia e commodities, como a gigante de gás Gazprom e o produtor de alumínio United Co. Rusal Internacional, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

Pequim está conversando com empresas estatais, incluindo China National Petroleum, China Petrochemical, Aluminium Corp. of China e China Minmetals, sobre oportunidades de investimentos em empresas ou ativos russos, disseram as pessoas. Qualquer acordo seria para reforçar as importações da China enquanto o país intensifica seu foco em segurança energética e alimentar -- não como uma demonstração de apoio à invasão russa na Ucrânia, disseram as pessoas.

As discussões estão em estágio inicial e não necessariamente levarão a um acordo, disseram as pessoas, pedindo anonimato, já que as negociações não são públicas. Algumas conversas entre empresas de energia chinesas e russas começaram a ocorrer, segundo outras pessoas.

A CNPC e a China Petrochemical - conhecida como Sinopec Group - não quiseram comentar, segundo funcionários de comunicação das empresas. O regulador chinês de ativos estatais Sasac, as empresas Aluminium Corp. of China e China Minmetals não responderam imediatamente aos pedidos de comentários. Representantes da Gazprom e da Rusal não comentaram imediatamente durante um feriado nacional na Rússia.

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A invasão na Ucrânia aumentou a pressão sobre Pequim para garantir importações enquanto os custos de energia, metais e alimentos disparam a níveis sem precedentes. Preocupados com o impacto que o aumento dos preços terá na economia, as principais autoridades do governo da China emitiram ordens para priorizar a segurança do fornecimento de commodities, informou a Bloomberg na semana passada.

A China prometeu continuar as relações comerciais com a Rússia normalmente, apesar de um enorme êxodo de empresas europeias e americanas. BP, Shell e Exxon Mobil surpreenderam o setor de energia ao saírem de participações de bilhões de dólares em ativos russos.

Veja mais: Petróleo segue escalada com recuo da Shell na Rússia

Enquanto isso, o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, disse no início desta semana que os laços China-Rússia permanecem sólidos como uma “rocha”, mesmo enquanto Pequim expressou preocupação com as baixas civis e pediu negociações de paz para acabar com a guerra. Entre os atuais investimentos em energia da China na Rússia, a CNPC tem uma participação de 20% no projeto Yamal LNG e de 10% no Arctic LNG 2, enquanto a Cnooc também detém 10% do Arctic.

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Os dois países já vinham estreitando laços, com os presidentes Xi Jinping e Vladimir Putin assinando no mês passado uma série de acordos para aumentar a oferta russa de gás e petróleo, bem como de trigo. Gazprom e Rosneft estavam entre os gigantes de energia russos selando acordos quando os dois líderes se encontraram em Pequim antes dos Jogos Olímpicos de Inverno.

Ainda assim, qualquer investimento na Rússia está repleto de riscos que vão além do equilíbrio geopolítico que Pequim enfrenta. A Rússia tornou-se um mercado quase impossível de investir para empresas globais à medida que a economia do país se deteriora rapidamente.

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