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Governo avalia subsídios para combustíveis após altas do petróleo

A medida seria semelhante à adotada em 2018 para controlar uma greve de caminhoneiros que havia paralisado a economia, colocando o custo sobre o governo

Governo avalia subsídios para combustíveis após altas do petróleo
Por Peter Millard e Martha Beck
07 de Março, 2022 | 01:45 pm
Tempo de leitura: 2 minutos

Bloomberg — O governo avalia criar subsídios temporários para os combustíveis após a invasão da Ucrânia pela Rússia elevar o petróleo para a casa dos US$ 120 o barril, segundo pessoas familiarizadas com as negociações.

A ideia, que será discutida em reuniões entre o governo e a empresa nesta semana, é compensar a Petrobras por vender combustível abaixo dos níveis internacionais, disseram as pessoas, pedindo para não serem identificadas porque as discussões são privadas.

A medida seria semelhante à implantação pelo Brasil de subsídios em 2018 para controlar uma greve de caminhoneiros que havia paralisado a economia, colocando o custo sobre o governo. O movimento vai na contramão do que ocorreu durante o boom do preço do petróleo de 2011-2014, quando a Petrobras perdeu dezenas de bilhões de dólares com a venda de combustível abaixo dos preços internacionais.

O plano é tocado por assessores políticos do presidente Jair Bolsonaro e pela própria Petrobras, que quer aumentar os preços dos combustíveis, mas está preocupada com a reação, disse uma das pessoas. O Ministério da Economia é contra a ideia, que diz representar um risco para as contas fiscais do país e teria pouco impacto para os consumidores, segundo a pessoa. A equipe econômica ainda quer encontrar uma solução para os preços dos combustíveis por meio de um projeto de lei no Congresso que altera o ICMS cobrado sobre o combustível e que pode ser discutido pelos parlamentares nesta semana.

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O Ministério da Economia não quis comentar sobre as discussões de subsídios, que foram noticiadas anteriormente pelo jornal O Estado de S. Paulo. O Ministério da Energia não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

O aumento dos custos de combustível é um problema político para Bolsonaro, que está atrás nas pesquisas para as eleições de outubro. Nesta segunda-feira, presidente disse que os preços dos combustíveis estavam em sua agenda e que regras que atrelam preço dos combustíveis no Brasil ao preço do petróleo no exterior são errôneas, segundo entrevista à Rádio Folha, de Roraima. Bolsonaro disse que se reunirá com o Ministério da Economia para discutir os preços do petróleo ainda hoje.

O presidente da Petrobras, Joaquim Silva e Luna, se reunirá com os ministros da Economia e das Minas e Energia nesta terça-feira para discutir o plano, disse uma pessoa familiarizada com as conversas.

A Petrobras mantém os preços estáveis desde janeiro, apesar do recente aumento. A companhia diz que não repassa imediatamente a volatilidade dos preços aos consumidores. A Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) criticou a estatal por vender combustível com defasagem, dizendo que isso está inviabilizando economicamente a importação de gasolina e diesel para o Brasil.

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Novo presidente do conselho

As conversas sobre subsídios acontecem no momento em que a Petrobras se prepara para eleger um novo presidente do conselho. O almirante Eduardo Bacellar Leal Ferreira decidiu deixar o cargo por motivos pessoais após três anos no comando. Rodolfo Landim, ex-presidente da distribuidora BR Distribuidora foi indicado pelo governo brasileiro para presidir o conselho.

A nomeação de um novo presidente do conselho quando a Petrobras precisa ponderar decisões importantes sobre os preços dos combustíveis pode gerar ansiedade entre os investidores, escreveram analistas do Morgan Stanley liderados por Bruno Montanari em um relatório desta segunda.

A gigante petrolífera estatal elegerá um novo conselho de administração na assembleia geral anual em 13 de abril.

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