Mercados

Bolsas derretem e dólar sobe com aversão ao risco; Petrobras cai mais de 7%

Investidores monitoraram guerra na Ucrânia, preocupações com a alta da inflação e falas de Bolsonaro em relação aos preços da Petrobras

Bolsas têm sessão de queda ao redor do mundo, com investidores em busca de ativos mais seguros.
07 de Março, 2022 | 06:28 pm
Tempo de leitura: 2 minutos

Bloomberg Línea — As bolsas globais ampliaram as perdas nesta segunda-feira (7) e encerraram o pregão em baixa de mais de 2%, com investidores monitorando a guerra na Ucrânia e preocupações com a alta da inflação em meio à forte valorização das commodities.

No Brasil, o Ibovespa (IBOV) encerrou a sessão em queda de 2,52%, aos 111.593 pontos, após cair a 111.139 pontos na mínima do dia – na maior queda diária em mais de três meses.

Contribuíram para a forte queda as perdas nas ações da Petrobras (PETR3; PETR4), que têm grande peso no principal índice de renda variável brasileiro. Os papéis ordinários da companhia recuaram 7,65%, a R$ 34,14, enquanto os preferenciais caíram 7,10%, a R$ 31,80.

Pesaram sobre a companhia as críticas do presidente Jair Bolsonaro sobre a paridade no preço do petróleo. Em entrevista a uma rádio de Roraima, ele disse que o governo teria uma reunião nesta tarde para discutir medidas para a Petrobras não repassar toda a alta dos combustíveis para o consumidor.

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Segundo informações da agência de notícias Reuters, citando fontes não identificadas, a Petrobras deve solicitar aprovação do governo nesta semana para elevar os preços dos combustíveis nas refinarias. Espera-se um pequeno aumento do preço do combustível, abaixo dos preços internacionais, disseram duas fontes à agência.

Também caíram forte nesta segunda as ações de companhias aéreas e varejistas, como as de Azul (AZUL4), que despencaram 18% na Bolsa, e de Gol (GOLL4), com baixa de 17,36%.

Empresas como Americanas (AMER3), Alpargatas (ALPA3) e Petz (PETZ3) também estiveram entre as maiores quedas, com baixas de 10,24%, 9,87% e 8,96%, respectivamente.

Na ponta oposta, apresentaram ganhos as ações de mineradoras e siderúrgicas, em um dia de alta para o minério de ferro, como Vale (VALE3), que subiu 3,04%, aos R$ 105,07, e CSN Mineração (CMIN3), que teve leve alta de 0,59%, a R$ 6,78.

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  • O Ibovespa caiu 2,52%, aos 111.593 pontos;
  • O dólar à vista subiu 0,63%, aos R$ 5,10;
  • No mercado de juros futuros, o movimento foi de alta. O DI com vencimento em 2027, por exemplo, disparou 44 pontos-base, a 12,13%;
  • Por volta das 18h15 (horário de Brasília), o Bitcoin recuava 3%, negociado aos US$ 37.854;

“Sell off” de ações

Com os mercados ponderando o impacto do aumento dos preços das commodities na inflação e no crescimento econômico, os principais índices globais encerraram o pregão em queda nesta segunda.

Nos Estados Unidos, os índices caíram mais de 2% dado o aumento de aversão ao risco. As ações de tecnologia e de empresas de redes sociais foram as que mais contribuíram para as perdas no S&P 500, enquanto o setor de energia se recuperou.

O preço do petróleo saltou diante da perspectiva de uma proibição dos suprimentos russos, com o petróleo tipo Brent subindo para US$ 139 o barril, antes de ser negociado perto de US$ 120.

  • Nos EUA, o Dow Jones ciau 2,38%, o S&P 500 recuou 2,96%, enquanto o Nasdaq teve queda de 3,62%;
  • Na Europa, a sessão foi de queda para os principais índices acionários. O índice Dax, da Alemanha, caiu 1,98%, equanto o CAC-40, de Paris, recuou 1,31%;
  • Entre as commodities, o petróleo tipo WTI para abril subiu 3,21%, a US$ 119,40 o barril, enquanto o tipo Brent para maio avançou 4,32%, a US$ 123,21 por barril.

O governo Biden está considerando proibir a importação de petróleo e produtos energéticos russos, o que pode aumentar a pressão econômica à medida que mais empresas se retiram do país em resposta à invasão da Ucrânia por Moscou. Os governos da União Europeia estavam divididos sobre a adesão aos EUA.

“Quanto mais os preços do petróleo e a inflação permanecerem elevados – e, assim, ameaçar o fim precoce dessa expansão econômica e do mercado altista – mais os investidores reduzirão sua exposição às ações”, escreveu Sam Stovall, estrategista-chefe de investimentos da CFRA. “A incerteza do investidor deve elevar a angústia.”

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(Com informações da Bloomberg News)

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Mariana d'Ávila

Mariana d'Ávila

Redatora na Bloomberg Línea. Jornalista brasileira formada pela Faculdade Cásper Líbero, especializada em investimentos e finanças pessoais e com passagem pela redação do InfoMoney.

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