Bloomberg Línea — Os preços das commodities agrícolas negociadas na bolsa de Chicago acentuaram ainda mais o movimento de valorização que vem sendo registrado desde o início da semana. Há pouco (13h26), as cotações do trigo para março operavam em alta de 5,33%, a US$ 9,77 por bushel, depois de terem subido mais de 10% no pregão de ontem. A soja, que fechou a segunda-feira em alta de 3,7%, operava há pouco com valorização de 3,03% a US$ 16,94 por bushel. Na mesma tendência, os preços do milho subiam no pregão de hoje 5,66% e eram negociados a US$ 7,37 por bushel.
Percentualmente, o milho é o que apresenta maior valorização nesta terça-feira. Isso porque, os bombardeios no sudeste e sul da Ucrânia destruíram a infraestrutura de ferrovias, responsáveis por transportar a produção do país para os portos. A Ucrânia é o quinto maior produtor e o terceiro maior exportador de milho do mundo. O país produz cerca de 42 milhões de toneladas e exportar por ano aproximadamente 33,5 milhões de toneladas.
O preço do trigo continua refletindo a dificuldade do mercado em operacionalizar as operações. Sem agentes para financiar o comércio e até mesmo sem seguradoras para garantir as cargas, os negócios com o cereal continuam praticamente suspensos no mercado russo. A Rússia colhe por ano pouco mais de 75 milhões de toneladas de trigo, é o terceiro maior produtor do mundo e responde, sozinha, por aproximadamente 10% da oferta global. No que se refere ao comércio internacional, o país é o maior exportador do mundo e responsável por vender cerca de 17% de todo o trigo comercializado no planeta.
A soja segue na esteira da valorização do milho e do trigo, mas também reflete uma piora nas condições climáticas na América do Sul. No Brasil, as chuvas que caem sobre o Centro-Oeste e parte do Sul do país têm atrapalhado o avanço da colheita e também as lavouras que estão em fase final de desenvolvimento.