Mercados da Europa e do EUA em descompasso após giro de ontem

Bolsas europeias sobem, na tentativa de se ajustarem à reviravolta nos EUA; Futuros de índices norte-americanos recuam e petróleo opera em vaivém ante conflito geopolítico

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Barcelona, Espanha — Os mercados de renda variável nos Estados Unidos e na Europa operam em descompasso. Os futuros de índices norte-americano recuavam há pouco, refletindo precaução e, ao mesmo tempo, realizando ganhos com a reviravolta das bolsas ontem. Já as bolsas da Europa, que afundaram no fechamento e não tiveram margem para recuperação, o movimento é de forte alta, em ajuste ao desempenho de seus pares norte-americanos no último pregão.

Os mercados tiveram uma jornada sísmica ontem, com as bolsas oscilando do nervosismo extremo a valorizações surpreendentes no final do dia, mas a cautela continua ditando o rumo. Assumir posições de risco antes do fim de semana pode ser temerário em um quadro geopolítico tenso e imprevisível, embora os cenários de crise também reservem oportunidades de investimento.

🪖 Conflito se intensifica

A situação na Ucrânia ganha contornos mais preocupantes. O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskiy, disse que as forças lideradas por Moscou continuam atacando alvos militares e civis no segundo dia de invasão depois que os Estados Unidos e seus aliados impuseram novas sanções e o presidente americano, Joe Biden, alertou para “um momento perigoso para toda a Europa”. As forças russas continuam avançando mais perto da capital da Ucrânia, Kiev, ao longo da margem ocidental do rio Dnieper, onde estão sendo combatidas por forças ucranianas, disse o porta-voz presidencial Oleksiy Arestovych. Os EUA e o Reino Unido impuseram à Rússia novas sanções depois da invasão russa. A União Europeia anunciará sua decisão posteriormente.

🛢O petróleo vai e vem

Depois de abrirem em alta, tanto os contratos de petróleo WTI como os tipo Brent passaram a cair. O Brent ontem fez uma viagem de ida e volta de US$ 8, movendo-se de uma máxima de quase US$ 106 e uma mínima abaixo de US$ 98, para terminar a US$ 99,08 - ainda o mais alto nível desde 2014. Esta é uma das commodities chave neste contexto bélico, já que a Rússia é um importante produtor de matérias primas energéticas e qualquer interrupção no abastecimento pode trazer riscos de escassez, sobretudo na Europa.

Já o ouro, ativo refúgio por excelência, há pouco perdia valor, enunciando uma ligeira melhora na disposição dos investidores a assumir riscos. Ao menos por enquanto. Os prêmios dos títulos do Tesouro de 10 anos também oscilam entre o positivo e o negativo - agora há pouco o yield caía.

🏦 Política monetária sempre no radar

Além do impacto da guerra na economia global e na configuração geopolítica, com a China se recusando a condenar o ataque russo, os mercados também estão de olho nas repercussões sobre a estratégia monetária dos bancos centrais.Autoridades do banco central norte-americano sinalizam que continuam a caminho de aumentar as taxas de juros no próximo mês, mesmo com a incerteza imposta pela invasão russa à Ucrânia, que desencadeou uma das piores crises de segurança na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.

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🟢 As bolsas ontem: Dow (+0,28%), S&P 500 (+1,50%), Nasdaq (+3,34%), Stoxx 600 (-3,28%), Ibovespa (-0,37%)

As ações dos EUA apagaram as pronunciadas perdas do dia, com os investidores posicionando-se sobretudo em ações de gigantes de tecnologia. O declínio nos preços do petróleo atenuou a preocupação de que a invasão da Ucrânia pela Rússia agravaria de imediato o quadro inflacionário. O Dow Jones terminou com alta de quase 0,3%, depois de oscilar no território de correção em meio à ofensiva militar russa. O índice Stoxx 600 (SXXP) não teve a mesma sorte e fechou com perdas de 3,28%. Contribuiu para a reversão em Wall Street a fala do presidente Joe Biden, que prometeu “sanções severas” por parte dos EUA e de seus aliados. Os líderes europeus estão planejando sanções que terão como alvo os bancos russos.

Na agenda

Esta é a agenda prevista para hoje:

EUA: Renda e Gastos Pessoais/Jan, Pedidos de Bens Duráveis (prévia), Vendas pendentes de Moradias, deflator PCE, Pesquisa sobre a Confiança do Consumidor compilada pela Universidade de Michigan/Fev

Europa: Zona do Euro (Massa monetária - Agregado M3/Jan; Empréstimos ao Setor Privado; Pesquisa sobre a Confiança de Empresas e Consumidores/Fev; Expectativas de Inflação ao Consumidor/Fev); Alemanha (PIB/4Tri21; Preços de Bens Importados/Jan); França (PIB/4Tri21; Índice de Preços ao Consumidor/Fev; Índice de Preços ao Produtor/Jan; Gastos dos Consumidores/Jan), Espanha (Índice de Preços ao Produtor, Confiança Empresarial)

Ásia: Japão (Indicadores Antecedentes)

Bancos centrais: Pronunciamentos de Christine Lagarde, presidente do BCE, e Edouard Fernandéz-Bollo (BCE)

Na América Latina: Brasil (IGP-M/Fev, Dívida Líquida/PIB/Jan); México (Atividade Econômica/2021; PIB/4Tri21, Balança Comercial/Jan, Transações Correntes)

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-- Com informações de Bloomberg News