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Dólar vai abaixo dos R$ 5 e bolsa recua com Ucrânia e IPCA-15 no radar

Mercados repercutem escalada das tensões na Rússia, dados de inflação acima do esperado no Brasil e temporada de balanços

Dólar chegou a testar mais cedo o patamar abaixo dos R$ 5 pela primeira vez desde junho de 2021
23 de Fevereiro, 2022 | 02:40 pm
Tempo de leitura: 2 minutos
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Bloomberg Línea — Os mercados têm mais um dia de aversão ao risco nesta quinta-feira (23), com a queda das bolsas globais em meio à escalada das tensões na Rússia.

Por aqui, as atenções recaem ainda sobre os dados do IPCA-15, considerado uma prévia da inflação oficial do país, que apresentou alta de 0,99% em fevereiro – acima do esperado e a maior taxa para o mês desde 2016.

Com isso, traders aumentam as apostas de que o Banco Central possa aumentar o ritmo das altas de juros nos próximos meses, a começar pela próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em março.

Destaque ainda para o dólar, que chegou a testar mais cedo o patamar abaixo dos R$ 5 pela primeira vez desde junho de 2021.

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Por volta das 14h30 (horário de Brasília), o Ibovespa (IBOV), principal índice de renda variável da Bolsa brasileira, operava em queda de 0,2%.

Contribuíam para a queda do índice as ações de 3R Petroleum (RRRP3), com baixa da ordem de 7% após divulgar seus resultados referentes ao quarto trimestre de 2021.

Entre as maiores quedas também estavam Banco Inter (BIDI11), com baixa de 6,7%, e Suzano (SUZB3), com perdas de 6,4%.

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Na ponta oposta, os maiores ganhos vinham de Eletrobras (ELET3;ELET6), com ganhos de 2,7% e 4%, além de Petrorio (PRIO3), com alta da ordem de 4%.

Confira o desempenho dos mercados nesta quinta-feira (23):

  • O Ibovespa caía 0,21% por volta das 14h30 (horário de Brasília), aos 112.652 pontos;
  • O dólar comercial tinha queda de 0,82%, negociado a R$ 5,010 na compra;
  • Os contratos de juros futuros tinham queda, acompanhando o dólar; o DI com vencimento em 2025 caía 17 pontos-base, a 11,27%;
  • O Bitcoin (BTC) subia cerca de 2%, negociado a US$ 38.625;

Quadro externo

Na cena internacional, as bolsas dos Estados Unidos e da Europa tinham queda nesta quarta por conta do cenário de maior risco no exterior, depois que a Ucrânia disse que vários sites de governos e bancos foram submetidos a um ataque cibernético.

Os investidores estão avaliando o impacto potencial das primeiras sanções ocidentais depois que o presidente dos EUA, Joe Biden, disse na terça-feira (21) que a Rússia começou a invadir a Ucrânia.

As sanções americanas – e outras, de aliados dos EUA – não chegaram a medidas abrangentes, embora autoridades tenham alertado que podem ser ampliadas.

O temor de que a tensão na Ucrânia possa prejudicar a oferta de commodities reforçou desde o setor de energia ao trigo e níquel. Ontem, o petróleo retomou um rali, com o petróleo Brent atingindo US$ 98 o barril. O ouro também subiu.

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Entre as commodities agrícolas, o preço do milho atingiu o patamar mais alto da história na bolsa de Chicago, cotado a US$ 6,7625 por bushel.

  • Nos EUA, o índice Dow Jones tinha leve queda de 0,05%, o S&P 500 recuava 0,19%, enquanto o da Nasdaq caía 0,37%;
  • Na Europa, o índice Dax, da Alemanha, tinha queda de 0,42%, enquanto o CAC-40, de Paris, tinha leva queda de 0,10%.

O presidente Vladimir Putin negou que a Rússia pretenda invadir a Ucrânia, mas os legisladores lhe deram luz verde para enviar tropas para regiões controladas pelos separatistas. O principal diplomata dos EUA, Antony Blinken, também anunciou que uma cúpula marcada para esta semana com o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, foi cancelada.

(Com informações de Bloomberg News)

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Mariana d'Ávila

Mariana d'Ávila

Redatora na Bloomberg Línea. Jornalista brasileira formada pela Faculdade Cásper Líbero, especializada em investimentos e finanças pessoais e com passagem pela redação do InfoMoney.