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BCE pede testes de estresse de bancos que atuam na Rússia

Autoridade pede que os credores avaliem cenários, incluindo severas sanções econômicas, além das consequências reais de uma invasão

Bancos ainda estão planejando sua resposta caso as sanções sejam aplicadas a um espectro mais amplo de empresas e instituições financeiras russas
Por Nicholas Comfort e Sonia Sirletti
23 de Fevereiro, 2022 | 08:19 pm
Tempo de leitura: 2 minutos

Bloomberg — O Banco Central Europeu solicitou que instituições financeiras atuantes na Rússia relatem os riscos que enfrentam diante de diversos cenários militares e diplomáticos relacionados à tensão entre Moscou e o Ocidente por causa da Ucrânia. A informação é pessoas com conhecimento do assunto, que pediram anonimato.

Sediado em Frankfurt, o BCE está trabalhando com os bancos para avaliar riscos que atingem a liquidez, as carteiras de empréstimos e as posições em moedas e transações financeiras dessas instituições, bem como sua capacidade de continuar operando, afirmaram as fontes. Em alguns casos, o contato tem sido diário. A autoridade pede que os credores avaliem cenários, incluindo severas sanções econômicas, além das consequências reais de uma invasão, acrescentaram.

As tensões se intensificaram após o presidente russo, Vladimir Putin, aumentar o número de soldados na fronteira com a Ucrânia e reconhecer duas repúblicas separatistas no leste do país como independentes. Alertando para uma invasão iminente, nações ocidentais anunciaram a primeira onda de sanções e ameaçaram mais penalidades econômicas, criando a perspectiva de perturbações para as instituições financeiras. Moscou nega ter planos de invadir.

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O BCE está acompanhando a situação e em contato próximo com os bancos e autoridades reguladoras nacionais sobre riscos potenciais que podem surgir de uma escalada do conflito, de acordo com um porta-voz. Embora os bancos da Zona do Euro tenham diferentes níveis de exposição à Rússia, essa exposição de modo geral parece contida, segundo o porta-voz.

Vários bancos internacionais reduziram operações na Rússia nos últimos anos, mas Société Générale, UniCredit e Raiffeisen Bank International ainda estão entre os maiores bancos europeus por lá, segundo dados da Autoridade Bancária Europeia.

O BCE e os bancos ainda estão analisando o efeito das sanções que estão sendo implementadas, disseram as fontes. O BCE já havia identificado os credores mais expostos à Rússia e à Ucrânia e está avaliando potenciais fontes de risco, acrescentaram.

Os bancos ainda estão planejando sua resposta caso as sanções sejam aplicadas a um espectro mais amplo de empresas e instituições financeiras russas e em caso de grande impacto na economia e na moeda daquele país, segundo os entrevistados.

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Isso pode resultar em perdas em empréstimos concedidos a pessoas físicas e jurídicas afetadas pela turbulência resultante ou abalar as ações e os títulos de dívida que os bancos negociam, disse uma das pessoas.

No início deste mês, o Raiffeisen da Áustria informou o provisionamento de 25 milhões de euros (US$ 28,2 milhões) para riscos geopolíticos na Ucrânia mais 21 milhões de euros para sanções na Rússia.

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