Brasil

Moro: ‘Não faz sentido abdicar, se tenho mais chance de derrotar extremos’

Em evento do BTG Pactual, Sergio Moro (Podemos) diz que é o único “reformista” com chance de vencer Lula e Bolsonaro e prega fim da reeleição e foro privilegiado

Pré-candidato disse não ter “preconceito com privatização”, mas não quis adiantar se alguma das atuais estatais seriam privatizadas em uma eventual eleição
22 de Fevereiro, 2022 | 01:46 pm
Tempo de leitura: 2 minutos

Bloomberg Línea — O ex-juiz e ex-ministro da Justiça Sergio Moro (Podemos) defendeu hoje a união dos candidatos da chamada terceira via para combater os “extremos” – isto é, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente Jair Bolsonaro (PL), que aparecem, respectivamente, em primeiro e segundo lugares nas pesquisas eleitorais.

“É essencial uma união contra os extremos. Se a gente não fizer as reformas modernizantes do país, a gente vai ter essa mesma conversa daqui a quatro anos numa situação pior”, disse o pré-candidato do Podemos no evento CEO Conference 2022, promovido pelo BTG Pactual.

“A gente precisa se unir, acho que é urgente. A gente está vendo nas pesquisas que estou em terceiro lugar, não faz sentido eu abdicar da minha candidatura se eu tenho maior potencial de vencer os extremos”, afirmou Moro.

POR QUE ISSO É IMPORTANTE: Pesquisas mostram Lula e Bolsonaro como prováveis oponentes no segundo turno de 2022.

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O petista aparece com percentuais que variam entre 40% e 48%, dependendo do instituto, enquanto Bolsonaro aparece em segundo com intenções de votos entre 21% e 30%, deixando pouco espaço para os candidatos que pregam a quebra da polarização.

Moro se apresenta como reformista

No evento do BTG, Moro buscou apresentar-se como o único nome “reformista” capaz de chegar à Presidência da República este ano.

Sem apresentar detalhes porque seu programa econômico ainda não está finalizado, o presidenciável defendeu uma reforma tributária – que “simplifique” o sistema, sem elevar a carga tributária – e uma reforma administrativa, que tenha foco não só em redução de custos, mas em estabelecer uma “meritocracia” no serviço público.

Moro afirmou que tem maior simpatia por uma reforma como a proposta do economista Bernard Appy (criação de um IVA nacional) em relação à proposta de dois impostos sobre valor agregado, um federal e outro estadual. Mas ele disse que ainda não se comprometeria com nenhuma proposta enquanto o seu programa econômico, coordenado por Afonso Celso Pastore, estivesse finalizado.

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O pré-candidato disse não ter “preconceito com privatização”, mas não quis adiantar se alguma das atuais estatais seriam privatizadas em uma eventual eleição.

“A agenda do Paulo Guedes pode ser uma, mas agenda do presidente é outra completamente diferente. Paulo Guedes é um liberal que está num governo iliberal”, disse o pré-candidato.

“Essas ilusões [de governo liberal sob Bolsonaro] já caíram por terra. Se alguém acredita que um segundo mandato do presidente será reformista, não aprendeu nada nesses três, quatro anos”, declarou.

Fim da reeleição

Moro prometeu hoje que, caso seja eleito, vai encaminhar o que chamou de “pacote ético”. Trata-se de proposta para acabar com a reeleição para presidente da República a partir de 2023.

Segundo o presidenciável, a dinâmica da reeleição trava a pauta de reformas modernizantes no país.

O ex-juiz da Lava Jato também defendeu o fim da prerrogativa de foro por função – o chamado foro privilegiado – para políticos.

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“[Pretendo] acabar com o foro privilegiado para todo mundo, inclusive para o presidente da República. Foro privilegiado tem servido infelizmente como blindagem para gente que faz coisa errada”, disse.

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Graciliano Rocha

Graciliano Rocha

Editor da Bloomberg Línea no Brasil. Jornalista formado pela UFMS. Foi correspondente internacional (2012-2015), cobriu Operação Lava Jato e foi um dos vencedores do Prêmio Petrobras de Jornalismo em 2018. É autor do livro "Irmã Dulce, a Santa dos Pobres" (Planeta), que figurou nas principais listas de best-sellers em 2019.

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