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Negócios

Ford despenca com escassez e alto custo de commodities

Problemas da montadora afetaram ganhos no último trimestre de 2021, mas lucros devem subir até 25% em 2022

Modelos com forte demanda incluem o SUV Bronco e a picape Maverick
Por Keith Naughton
04 de Fevereiro, 2022 | 12:00 pm
Tempo de leitura: 3 minutos

Bloomberg — As ações da Ford Motor (FDMO34) caíram depois que a montadora ficou aquém das estimativas de seus lucros trimestrais e alertou que pode ter um início de ano lento devido aos problemas na cadeia de suprimentos.

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Para o último trimestre de 2021, a montadora divulgou lucro de 26 centavos por ação, excluindo alguns itens, ficando abaixo da estimativa média de analistas de 45 centavos. A escassez de componentes críticos, incluindo semicondutores, interrompeu a produção e afetará as entregas de veículos aos revendedores neste trimestre.

“Temos uma demanda incrível por nossos produtos”, disse John Lawler, CFO da Ford, a repórteres por telefone. “As cadeias de suprimentos limitaram o que poderíamos produzir e fornecer. Esperamos que isso diminua em 2022, e será possível ver isso fluindo através de nossos lucros”.

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As ações da Ford caíram até 6,8%, chegando a US$ 18,53 antes do início do trading. A queda foi de 4,2% este ano, até o fechamento desta quinta-feira (3).

As vendas aumentaram 5%, chegando a US$ 37,7 bilhões no quarto trimestre, e a receita automotiva representou US$ 35,3 bilhões desse total. Alguns analistas previam um crescimento de dois dígitos nas vendas, disse Lawler. A empresa estima que os custos mais altos das commodities representarão uma diferença de US$ 1,5 bilhão a US$ 2 bilhões este ano.

Os investidores aplaudiram o esforço do CEO Jim Farley para acelerar a mudança da Ford para veículos elétricos, elevando as ações em 136% no ano passado. A capitalização de mercado da Ford superou brevemente US$ 100 bilhões.

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Nas últimas semanas, o valuation da empresa caiu para cerca de US$ 80 bilhões.

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“O desempenho financeiro é obviamente fundamental”, disse Farley em comunicado. “Também estamos orgulhosos de que os clientes estejam vendo como a Ford está popularizando os veículos elétricos”.

CEO da Forddfd

A Bloomberg News informou em 1º de fevereiro que a Ford está considerando acrescentar até US$ 20 bilhões a seus gastos com veículos elétricos na próxima década para converter fábricas em unidades de bateria. A Farley já triplicou a produção de seu Mustang Mach-E elétrico no México e dobrou a produção do F-150 Lightning que será lançado ainda no primeiro semestre.

Neste ano, a Ford projeta que seu lucro antes de juros e impostos aumentará entre 15% e 25%, chegando até US$ 12,5 bilhões. A estimativa dos analistas é de US$ 12,2 bilhões. Lawler projetou um declínio percentual de um dígito alto ou dois dígitos baixos nas vendas no atacado para o primeiro trimestre devido à escassez de fornecedores.

Sua concorrente GM divulgou, no início da semana, lucros do quarto trimestre além das estimativas dos analistas, mas sua previsão para o ano foi pouco alterada em relação a 2021.

A Ford, com sede em Dearborn, estado do Michigan, viu que os compradores de carros pagaram por seus modelos mesmo com a pandemia e a escassez de semicondutores reduzindo o estoque das concessionárias. O preço médio de venda dos modelos da Ford nos EUA atingiu quase US$ 51 mil no quarto trimestre, acima dos US$ 46.211 do ano anterior, segundo o site de pesquisa automotiva Edmunds.com.

Em seu mercado doméstico da América do Norte, a Ford aumentou o lucro ajustado antes de juros e impostos em 70% no quarto trimestre, chegando a US$ 1,82 bilhão, principalmente devido à forte demanda por veículos como o SUV Bronco e a picape Maverick. No entanto, o número ficou abaixo do lucro de US$ 2,34 bilhões projetado pelos analistas.

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O prejuízo da Ford na China – maior mercado de automóveis do mundo – mais que dobrou no trimestre, chegando a US$ 150 milhões, ante US$ 66 milhões no mesmo período do ano anterior.

--Com a colaboração de David Welch e Sean O’Kane.

--Esta notícia foi traduzida por Bianca Carlos, localization specialist da Bloomberg Línea.

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