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Internacional

Alta de juros deve esfriar crescimento acelerado da Colômbia

Para o codiretor do BC do país, Maurício Villamizar, a economia estará funcionando em plena capacidade na metade do ano

Inflação na Colômbia terminou 2021 em 5,6%, a maior em cinco anos e acima do centro da meta de 3%
Por Andrea Jaramillo e Oscar Medina
04 de Fevereiro, 2022 | 03:47 pm
Tempo de leitura: 2 minutos

Bloomberg — A rápida recuperação econômica da Colômbia das consequências da pandemia e o aumento das expectativas de inflação podem forçar o banco central a elevar os juros para um nível em que esfrie o crescimento da atividade, alertou um integrante do comitê de política monetária.

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Para o codiretor do BC Maurício Villamizar, a economia estará funcionando em plena capacidade na metade do ano, muito antes das previsões iniciais. Nessas circunstâncias, o “caminho preferível” é elevar gradativamente a taxa básica de juros até um patamar que não estimule nem restrinja o crescimento, acrescentou ele.

Uma possibilidade seria subir a taxa básica para um nível “neutro, de modo que estaríamos reduzindo a postura expansionista, mas não recuando para território contracionista”, disse Villamizar em entrevista na quinta-feira. “Não podemos descartar a possibilidade de ficar acima de neutro e realmente entrar em território contracionista.”

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Villamizar e seus colegas de comitê elevaram o juro básico em 2,25 pontos percentuais desde setembro para 4%. No mês passado, fizeram um movimento maior do que o esperado pelos analistas para tentar controlar o avanço dos preços ao consumidor. A inflação em 12 meses deve atingir um pico entre 6% e 7% no primeiro trimestre e então começará a recuar, prevê Villamizar.

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Os preços ao consumidor estão ultrapassando as metas de inflação dos bancos centrais em toda a América Latina — e também nas economias desenvolvidas. A demanda vem aumentando sem que as cadeias de suprimentos estejam totalmente recuperadas da pandemia e as empresas estão repassando o aumento dos preços internacionais das commodities aos clientes.

Mesmo quando a inflação global começar a cair, na Colômbia o núcleo da inflação — que acompanha tendências subjacentes ao excluir os preços mais voláteis — deve continuar se acelerando, segundo ele.

“Para este ano esperamos queda significativa nos alimentos e preços administrados, mas também esperamos alta do núcleo. Nossos acréscimos preveem isso. E há benefícios em se antecipar o ciclo de política monetária”, disse ele.

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A inflação terminou 2021 em 5,6%, a maior em cinco anos e acima do centro da meta de 3%. Analistas sondados pelo BC estimam que a inflação estará em 4,5% no fim deste ano, comparado a uma previsão anterior de 3,9%.

O PIB da Colômbia se expandiu a um ritmo estimado de 10% no ano passado, o maior crescimento em mais de um século, após a suspensão das restrições adotadas para combater a disseminação da Covid-19. O produto superou os níveis pré-pandemia no terceiro trimestre, segundo Villamizar.

Este ano, a economia na Colômbia vai crescer 4%, mais rápido que no Brasil, México, Peru e Chile, segundo analistas consultados pela Bloomberg.

Mesmo que a Colômbia supere seus vizinhos, os títulos do país estão entregando os piores retornos entre os mercados emergentes, devido às eleições deste ano.

Gustavo Petro, que lidera as pesquisas de intenção de voto para a presidência, prometeu paralisar a exploração de petróleo e promover uma transformação para um novo modelo econômico que não dependa de combustíveis fósseis. O posicionamento tem causado nervosismo entre os investidores, uma vez que petróleo e carvão são as maiores exportações do país.

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