Negócios

Credores aprovam plano de recuperação judicial do Hopi Hari

Parque diz que deverá seguir com os projetos para novos investimentos; companhia está em recuperação judicial há 5 anos

Fundado em 1999, o Hopi Hari, em Vinhedo, no interior de São Paulo, quer investir em novas atrações após aprovação de plano de recuperação judicial
03 de Fevereiro, 2022 | 02:50 pm
Tempo de leitura: 5 minutos

São Paulo — O Hopi Hari, maior parque temático de diversões do Brasil, recebeu o sinal verde dos credores para seu plano de recuperação judicial (RJ), depois da tentativa de um grupo de concorrentes de assumir a empresa, situada em Vinhedo, interior paulista.

A reunião entre os representantes legais dos administradores do parque e os advogados dos credores, realizada ontem (2), durou nove horas, segundo comunicado divulgado na tarde desta quinta-feira (3).

Veja mais: Hopi Hari anuncia acordo de R$ 2,8 bi com banco para reestruturação

“A presença de credores como o BNDES, SLW, Prevhab e Mirai, antes alijados do processo pela administração anterior, demonstrou a confiança no plano apresentado pela atual gestão”, informou o Hopi Hari.

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O presidente do parque, Alexandre Rodrigues, disse que a companhia aguarda que o plano seja homologado pelo juiz responsável pelo processo de recuperação judicial. Em 2016, o Hopi Hari entrou em recuperação judicial com uma dívida estimada em R$ 500 milhões.

“A aprovação corrobora com o ótimo momento vivenciado pelo parque, uma vez que fechou o ano de 2021 - mesmo com os efeitos da pandemia do covid-19 sobre a economia como um todo – com um faturamento de R$ 98 milhões (recorde em toda história do parque), alcançando R$32 milhões de Ebitida e R$12 milhões de resultado. Com apenas oito meses de atividade e 148 dias aberto, o parque recebeu 733 mil visitantes - uma média de 4,9 mil por dia”, diz a nota da empresa.

O Hopi Hari acrescentou que a empresa “vinha sendo alvo de repetidas tentativas de grupos investidores de destituir os atuais gestores, usando de difamações e de inverdades levadas à imprensa, com o intuito de paralisar o processo de RJ”.

No ano passado, as empresas concorrentes do Hopi Hari (Beto Carrero, Playcenter e Wet’n Wild) entraram com pedido de aprovação de proposta alternativa de pagamento aos credores, mas a atual gestão anunciou, em seguida, um acordo com o banco norte-americano de investimentos Whitehall & Company LLC, com promessa de aplicar até US$ 500 milhões (cerca de R$ 2,8 bilhões) no empreendimento. Hoje, o presidente do parque deu uma nova versão sobre esse acordo, dizendo que nunca teve contato com o banco, mas com seu acionista majoritário, a Brooklyn International Group.

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A expectativa da atual gestão é reestruturar suas obrigações com os credores e expandir suas atrações. Inaugurado em 1999, o Hopi Hari fica a 72 km da capital paulista e, ao longo das últimas décadas, entrou no roteiro turístico do estado, tendo sua montanha-russa de madeira como um dos seus brinquedos mais procurados. Antes da fundação do Hopi Hari, o parque mais famoso do Brasil era o Playcenter, na Marginal Tietê na capital paulista, que acabou fechando em julho de 2012.

O Hopi Hari conta com a condução jurídica do Escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, feita pelo advogado Felipe Genari.

Próximos passos

O presidente do Hopi Hari respondeu à lista de questões enviadas por Bloomberg Línea.

A aprovação inclui o acordo anunciado com a WhiteHall?

O Hopi Hari nunca teve contato com o banco e, sim, com o acionista majoritário [Brooklyn International Group]. Contudo, o acionista majoritário, no acordo com os credores na aprovação do plano, assumiu o compromisso de investir R$ 150 milhões no HH. Entendo que o acionista esteja bem preparado para isto, seja com este banco ou com qualquer outro investidor que entenda ser adequado para o projeto do parque.

O que acontece agora? Quais os prazos legais?

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Não existe um prazo para o juiz homologar a aprovação do plano. Isto vai para pauta do juiz onde existem inúmeras outras decisões. Mas entendo que seja rápido, devido ao tempo que o parque está em recuperação judicial.

Muda alguma coisa na rotina operacional do parque?

Sim. O parque sai de uma situação desconfortável, onde o mercado mantinha uma desconfiança na operação e na viabilidade da empresa. Com esta aprovação e, mais ainda, com os grandes credores aprovando o plano de recuperação do HH, o mercado passa a olhar para o parque creditando mais credibilidade. Dessa forma, as aproximações com possíveis investidores e patrocinadores acontecem organicamente.

Qual a previsão para sair da recuperação judicial? Já dá para estimar?

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O Plano de Recuperação Judicial (PRJ) do HH tem um prazo de pagamento das dívidas de 16 anos. Antes, eram 20 anos, mas conseguimos reduzir.

O que ficou definido para pagamento de credores?

Em qualquer plano de recuperação judicial, são atribuídas classes de credores. Os pagamentos seguem após a homologação do plano pelo juiz, seguindo com as condições aprovadas no Plano de Recuperação Judicial (PRJ).

No caso do HH, existem 4 classes: a classe 1 - Trabalhista, que será paga em 12 meses. Nesta classe, ressalto que conseguimos autorização do juiz para iniciar os pagamentos desde agosto de 2021, antes mesmo da aprovação do plano e da homologação. Então, já pagamos 5 parcelas, mas após a aprovação do plano seguiremos com as 12 parcelas para os credores que ainda não se habilitaram para receber seus créditos habilitado. Isto porque a empresa entendeu que cinco anos é tempo demais para a classe esperar para receber seus valores.

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A classe 2 - Garantia Real é a classe que tem o maior valor da dívida, nesta classe estão o BNDES e a empresa SLW, como únicos credores. Para esta classe, o pagamento será em 16 anos, seguindo condições e cláusulas firmes e muito bem ajustadas.

Já a classe 3 - Quirografários é a segunda com maior valor e com maior quantidade de credores. Nesta classe estão entre tantos outros, dois grandes credores, Prevhab e Mirai, que sozinhos representam quase 90% do valor de toda está classe. O pagamento será também em 16 anos, respeitando critérios também aprovados na AGC.

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Por fim, temos a classe 4 - Especial ME e EPP, que será paga em 4 anos, respeitando critérios também aprovados na AGC.

Há algum questionamento judicial ainda em andamento contra a administração atual do parque?

Não, mas mesmo que venha a ter, serão derrubados como todos os outros, pois temos uma administração transparente e honesta, diferente de todas anteriores. E isto está sendo comprovado com os trabalhos e resultados apresentados e com as auditorias que estão em andamento.

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Quais os próximos capítulos?

Os próximos capítulos serão o cumprimento do plano aprovado, os investimentos pontuais no parque, o aumento gradual do faturamento, a busca de parcerias que agora teremos muita procura. Enfim, agora é trabalhar muito para deixar o HH em seu lugar de destaque no cenário do turismo no Brasil e na América Latina.

(Atualiza às 15h20 com respostas do presidente do Hopi Hari)

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Sérgio Ripardo

Sérgio Ripardo

Jornalista brasileiro com mais de 25 anos de experiência, com passagem por sites de alcance nacional como Folha e R7, cobrindo indicadores econômicos, mercado financeiro e companhias abertas.

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