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Agro

Pessimismo com safra de soja chega à indústria

Com corte na produção, empresas estimam que será necessário exportar menos para poder manter níveis de abastecimento interno

Indústrias reduzem estimativa para produção de soja e esperam por volume menor exportado em 2022
28 de Janeiro, 2022 | 05:28 pm
Tempo de leitura: 2 minutos

Bloomberg Línea — Desde que a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) reduziu sua estimativa para a produção de soja na safra 2021/22 no início de janeiro, todas as atenções do mercado se voltaram para a indústria. Mesmo antes do anúncio oficial do governo, muitas consultorias privadas já haviam atualizado suas estimativas, sinalizando uma safra menor do que a projetada anteriormente. Faltavam os dados de quem compra e processa o grão.

A Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais) também reduziu sua estimativa. A entidade que representa as empresas processadoras e exportadoras de soja espera que sejam colhidas neste ano 135,8 milhões de toneladas. O volume representa um corte de 4,2 milhões de toneladas (-3%) em relação ao número anunciado no início de janeiro, de 140 milhões de toneladas.

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O motivo é o mesmo dos demais atores do mercado. A seca que atinge a região Sul do Brasil está influenciando diretamente a produtividade das lavouras. Apenas no Paraná, a Conab reduziu em mais de 10% sua estimativa de colheita em seu último relatório. No Rio Grande do Sul, os dados permanecem o mesmo, mas já existe um certo consenso no mercado que o número será atualizado no relatório de fevereiro.

Apesar do corte relevante, a estimativa das indústrias permanece acima dos números indicados pelas principais consultorias do mercado (veja abaixo). A diferença para a consultoria mais otimista em relação à produção de soja neste ano é de 1,6 milhão de toneladas (+1,2%), enquanto para a mais pessimista é de 4,8 milhões de toneladas (+3,6%).

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Se por um lado a estimativa das indústrias processadoras se mostra otimista em relação às consultorias privadas, em comparação com o número oficial da Conab existe um certo pessimismo. Em seu último levantamento, a estatal fez um corte de apenas 2,3 milhões de toneladas e passou a esperar uma colheita de 140,5 milhões de toneladas. Assim, a estimativa de 135,8 milhões de toneladas da Abiove se posiciona 3,3% abaixo do número oficial do governo.

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Com a revisão na estimativa de produção de soja do Brasil, as indústrias esperam agora que o país reduza as vendas externas do principal produto da pauta de exportação nacional (veja abaixo). A projeção da Abiove para 2022 é que sejam embarcadas 86,9 milhões de toneladas, cerca de 4,2 milhões de toneladas a menos do que o esperado no início do ano. Ainda assim, se confirmado, o novo número representaria um crescimento de 1% em comparação às vendas externas do ano passado.

A ideia de se reduzir as exportações tem por objetivo preservar o abastecimento interno. A estimativa de processamento segue inalterada em relação ao início de janeiro em 48 milhões de toneladas, aumento de 2% em comparação ao ano passado. A produção de farelo e de óleo, bem como a estimativa para o consumo doméstico dos dois derivados também não foram alteradas em relação ao que já havia sido anunciado no início do ano.

Alexandre Inacio

Alexandre Inacio

Jornalista brasileiro, com mais de 20 anos de carreira, editor da Bloomberg Línea. Com passagens pela Gazeta Mercantil, Broadcast (Agência Estado) e Valor Econômico, também atuou como chefe de comunicação de multinacionais, órgãos públicos e como consultor de inteligência de mercado de commodities.

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