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Urânio dispara com protestos no Cazaquistão

País é o maior produtor do mundo, mas seu reinado pode chegar ao fim

Protestos e manifestações no Cazaquistão devido ao aumento dos preços de energia afetaram preço do urânio
Por Yvonne Yue Li e Stephen Stapczynski
06 de Janeiro, 2022 | 08:56 am
Tempo de leitura: 2 minutos

Bloomberg — Os preços do urânio dispararam enquanto o Cazaquistão, o maior produtor mundial do metal radioativo, se esforça para conter protestos mortais que representam o maior desafio para a liderança do país em décadas.

O país da Ásia Central, espólio da antiga União Soviética que produz mais de 40% do urânio mundial, interrompeu as redes de comunicação e restringiu algumas viagens em uma tentativa de conter as manifestações. O Kremlin disse que a Rússia e seus aliados na Organização do Tratado de Segurança Coletiva enviarão “forças de paz” depois que o presidente do Cazaquistão, Kassym-Jomart Tokayev, pediu ajuda.

O urânio subiu quase 8%, chegando a US$ 45,25 a libra (aproximadamente US$ 90 por quilo) na quarta-feira (5), em comparação com US$ 42 por libra (aproximadamente US$ 84 por quilo) na terça-feira (4), de acordo com dados da UxC, empresa líder de pesquisa e análise de mercado de combustível nuclear. A crise pode levar a uma maior dependência de fornecedores de fora do Cazaquistão, resultando em um aumento nas ações de empresas de urânio na América do Norte e na Austrália.

Considerando o papel do Cazaquistão como principal fornecedor de urânio do mundo, “seria como se os sauditas tivessem problemas com petróleo”, disse Jonathan Hinze, presidente da UxC. “Mesmo que não haja escassez agora, o potencial para que isso crie uma escassez constitui a maioria das apostas”.

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O combustível nuclear teve um retorno impressionante em setembro, com os preços subindo 24% e atingindo o melhor desempenho mensal desde o final de 2008. Os investidores apostam que a energia nuclear terá um renascimento à medida que os governos deixarem os combustíveis fósseis de lado.

Embora os preços estejam subindo com as notícias dos problemas no Cazaquistão e de possíveis interrupções no fornecimento, não há uma escassez imediata de urânio nem um fechamento iminente de usinas nucleares. Ao contrário das instalações que funcionam com petróleo ou gás natural, usinas nucleares podem continuar operando com o atraso nas entregas, pois muitas delas acumularam estoques nos últimos anos.

E algumas operações de mineração também continuam ativas. As atividades da Katco, uma joint venture de mineração de urânio entre a NAC Kazatomprom JSC (0ZQ.F) e a francesa Orano, não foram suspensas, já que o local de mineração está longe das áreas de tensão, segundo porta-voz da Orano.

Ainda assim, as ações da Kazatomprom, maior mineradora de urânio do Cazaquistão, caíram 10% nos últimos dois dias em Londres. A maioria das empresas de urânio na América do Norte ampliou os ganhos na quarta-feira em comparação com o início da semana, depois que a União Europeia avançou com um plano para rotular alguns projetos nucleares como sustentáveis.

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Com o tumulto no Cazaquistão, “as pessoas percebem o fato de que talvez não possamos contar com apenas um grande produtor”, disse Nick Piquard, gestor de carteira da Horizons ETFs.

--Com a colaboração de Yuliya Fedorinova e François de Beaupuy.

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