Mercados

Custos globais de alimentos recuam do recorde e dão trégua na inflação

Custos dos alimentos não devem se estabilizar por um tempo ainda, conforme especialista da ONU

Queda nos preços dos alimentos no mês passado foi impulsionada principalmente por óleos vegetais e açúcar
Por Megan Durisin
06 de Janeiro, 2022 | 09:38 am
Tempo de leitura: 2 minutos

Bloomberg — Os preços globais dos alimentos caíram de quase uma alta recorde no final do ano passado, oferecendo alguma trégua aos consumidores e governos que enfrentam uma onda de pressões inflacionárias.

Um índice das Nações Unidas que acompanha de tudo, de grãos a carne, caiu 0,9% em dezembro, potencialmente ajudando a aliviar a alta nos preços de produtos. Ainda assim, o indicador permanece próximo ao recorde histórico de 2011 e os preços médios saltaram cerca de 28% em 2021, o máximo em 14 anos.

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Os preços subiram devido a contratempos na colheita e altas taxas de frete, bem como a escassez de mão de obra e uma crise de energia que atingiu as cadeias de abastecimento. Essas questões permanecerão em destaque, já que os agricultores enfrentam condições climáticas incertas e a perspectiva de escassez de fertilizantes nos próximos meses. Os custos chegaram aos supermercados, aumentando a pressão sobre as autoridades e os orçamentos familiares e piorando a fome, principalmente nos países pobres.

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Os custos dos alimentos não devem se estabilizar por um tempo ainda, de acordo com Abdolreza Abbassian, economista sênior da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação.

“Nada mudou fundamentalmente nos últimos dois a três meses para nos fazer sentir algum grau de otimismo de que o mercado de alimentos vai se restabelecer a preços mais estáveis ou até mais baixos”, disse ele. “Todas as incertezas estão aí, elas não desapareceram, o que significa que tudo ainda é possível.”

Índice da ONU caiu em dezembro, mas permanece perto do recorde históricodfd

A queda nos preços dos alimentos no mês passado foi impulsionada principalmente por óleos vegetais e açúcar, disse a FAO nesta quinta-feira (6).

A raiva em relação à inflação recentemente levou a violentos protestos no Cazaquistão, enquanto o Sri Lanka revelou um pacote de US$ 1 bilhão para moderar as preocupações com alimentos e itens médicos caros. Países como Ucrânia, Rússia e Argentina também tomaram medidas para controlar os custos dos alimentos.

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As preocupações com o clima ainda são abundantes entre os principais fornecedores de safras, já que o padrão climático La Niña perturba as condições típicas de cultivo. A seca em partes do Brasil e da Argentina está reduzindo as expectativas de safras abundantes de soja e milho. Na Malásia, inundações recentes prejudicaram algumas plantações de óleo de palma. E a Austrália enfrentou um dilúvio de novembro que restringiu a qualidade de seu trigo.

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A recente crise energética também elevou os preços dos fertilizantes, ameaçando aumentar ainda mais os custos de produção de alimentos. Já há sinais de que os agricultores estão reduzindo as compras de nutrientes ou mudando de grãos para culturas menos intensivas em fertilizantes.

A inflação também está contribuindo para a crise de fome no mundo, com preços mais altos para tudo, desde combustível até habitação, reduzindo o que as pessoas podem gastar com comida. Aproximadamente um décimo da população global estava subnutrida em 2020, quando a pandemia Covid-19 começou- e os custos dos alimentos aumentaram muito mais desde então.

Em outras medidas para combater o aumento dos preços ou oferta restrita, a Tailândia esta semana impôs uma proibição às exportações de suínos até o início de abril. O presidente dos EUA, Joe Biden, prometeu “lutar por preços mais justos” para os agricultores e consumidores em uma tentativa de combater a inflação do preço da carne, enquanto os limites de compra foram reintroduzidos em centenas de supermercados australianos com a disparada de casos de ômicron.

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