Agro

Biden ameaça frigoríficos e derruba ações de JBS e Marfrig no Brasil

Presidente americano quer dar US$ 1 bi para fomentar empreendimentos independentes, estimular a concorrência e conter inflação

Presidente dos EUA vai anunciar medidas contra a concentração do setor e ações das empresas brasileiras caem na bolsa
03 de Janeiro, 2022 | 06:58 pm
Tempo de leitura: 2 minutos

Bloomberg Línea — As ações da JBS e da Marfrig começaram o primeiro pregão do ano em forte queda na B3, pressionadas por notícias vindas dos Estados Unidos. Os papéis da JBS terminaram o dia negociados a R$ 36,35, com queda de 4,22%, enquanto as ações da Marfrig recuaram 3,62%, para R$ 21,27.

O motivo para o início de ano turbulento para as empresas brasileiras são os movimentos que a Casa Branca deve comunicar ainda nesta segunda. O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, vai anunciar os planos do governo para combater o poder de mercado dos conglomerados que dominam o processamento de carnes e aves, intensificando uma campanha que já dura meses e destaca práticas anticompetitivas no setor como parcialmente culpadas pela inflação de alimentos, conforme a Bloomberg News.

Com isso, o efeito sobre as ações das empresas foi praticamente imediato. A JBS tem nas operações de carne bovina dos Estados Unidos seu maior negócio em todo o mundo. Há quem diga que hoje a empresa é muito mais americana do que brasileira. No terceiro trimestre do ano passado, por exemplo, a JBS viu seu lucro líquido dobrar exatamente por conta dos seus resultados nos Estados Unidos.

Na Marfrig, a situação não é diferente. Depois da compra da National Beef, a empresa viu o peso das operações americanas crescer de forma significativa no resultado geral da companhia. Assim como a concorrente, foi a operação dos Estados Unidos que garantiu um resultado positivo do terceiro trimestre do ano passado à Marfrig, com seu lucro líquido crescendo duas vezes e meia.

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Com a movimentação da Casa Branca para tentar conter o poder do setor, muitos investidores estão ajustando suas posições. Biden vai se juntar ao secretário de Agricultura, Tom Vilsack, e ao procurador-geral, Merrick Garland, para ouvir queixas de pecuaristas e fazendeiros sobre a consolidação no setor, que ainda engloba empresas como Cargill e Tyson Foods. Juntas, as quatro empresas concentram 80% da capacidade de processamento de carne bovina dos Estados Unidos.

Dinheiro para concorrentes

Entre as medidas que devem ser anunciadas, segundo a Bloomberg News, está a liberação de US$ 1 bilhão em assistência federal para auxiliar a expansão de empreendimentos independentes. Além disso, novos regulamentos de concorrência estão em análise. A briga de Biden com os frigoríficos já o coloca como um presidente disposto a enfrentar interesses comerciais poderosos quando se trata dos preços cobrados do consumidor.

Esse é outro motivo para que o presidente americano tome medidas contra o setor. A ideia é tentar conter a inflação dos preços das carnes, que garantiram os lucros das empresas no terceiro trimestre do ano passado. As carnes, que acumulavam alta de 16% nos 12 meses até novembro, deram a maior contribuição à inflação nos supermercados. Representantes do setor atribuem o avanço dos preços à escassez de mão de obra, à alta de preços dos combustíveis e às restrições nas cadeias de suprimentos, segundo a Bloomberg News.

(atualizado às 18h55 com cotação do fechamento)

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Alexandre Inacio

Alexandre Inacio

Jornalista brasileiro, com mais de 20 anos de carreira, editor da Bloomberg Línea. Com passagens pela Gazeta Mercantil, Broadcast (Agência Estado) e Valor Econômico, também atuou como chefe de comunicação de multinacionais, órgãos públicos e como consultor de inteligência de mercado de commodities.

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