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Brasil

De onde vem a lentilha que comemos no Réveillon?

Com uma produção local praticamente inexistente, Brasil importa quase tudo o que consome do grão que surgiu na Ásia e já foi citado até na Bíblia

Tempo de leitura: 2 minutos

Bloomberg Línea — Ela esteve presente em uma das maiores disputas da história da Bíblia, quando foi oferecida por Jacó, um dos patriarcas do povo judeu, a seu irmão Esaú, em troca do direito de primogenitura. Originária do sudeste asiático, a lentilha é um dos alimentos mais antigos da humanidade, com registros que datam de 7.000 a.c. Apesar de o Brasil ter uma relação mais próxima com sua prima, a soja, o país não figura entre os maiores produtores do mundo, mesmo com o tradicional consumo nas festividades de fim de ano, especialmente durante o Réveillon.

E Jacó deu pão a Esaú e o guisado de lentilhas; e ele comeu, e bebeu, e levantou-se, e saiu. Assim desprezou Esaú a sua primogenitura.

—  Gênesis 25:34

Com uma produção de lentilha praticamente nula, o Brasil se abastece no mercado internacional, especialmente na América do Norte. Maior produtor do mundo, o Canadá também é o principal fornecedor do Brasil, de onde o país traz mais de 90% de tudo o que importa. Em segundo lugar aparece os Estados Unidos, que, apesar de ainda ser uma originação importante para o Brasil, perdeu espaço em 2021.

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Dados do Ministério da Economia mostram que o Brasil importou de janeiro a novembro 14,3 mil toneladas de lentilha. O volume representa uma queda de 32% em comparação ao mesmo período do ano passado. Apesar da retração, as importações de 2021 estão em linha com as médias históricas, sendo o ano passado considerado atípico, com um volume adquirido muito acima dos anos anteriores, em decorrência de uma queda nos preços internacionais da leguminosa.

Além do menor volume importado, 2021 trouxe algumas mudanças importantes na origem dos fornecedores. O Canadá, que se manteve como principal fornecedor da lentilha consumida no Brasil, aumentou sua fatia no mercado doméstico. No ano passado, 91% das importações brasileiras vieram das lavouras canadenses. Neste ano, o percentual subiu para 96%.

No sentido oposto, os Estados Unidos, que forneceram 9% da lentilha consumida no Brasil em 2020, reduziram sua participação para 3,74%.

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Uma parte relevante da lentilha que deixou de ser importada dos Estados Unidos passou a vir da Argentina. Nosso vizinho latino que nunca havia aparecido como fornecedor relevante embarcou neste ano 27 toneladas de lentilha para o Brasil, deixando para trás outros tradicionais exportadores, como França e Líbano.

Embora a lentilha seja um alimento importante na base alimentar de vários povos, é relativamente pouco consumido no Brasil, ficando sua demanda concentrada no fim do ano. Mais de 60% das importações brasileiras acontecem na segunda metade do ano, com o objetivo de abastecer o mercado doméstico para as comemorações de fim de ano. Acredita-se que comer lentilhas na noite do réveillon traz boa sorte para o Ano-Novo porque o grão de lentilha, com o seu formato de disco redondo ou oval e sua forma achatada, está associado às moedas e, portanto, simboliza sorte financeira.

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Alexandre Inacio

Alexandre Inacio

Jornalista brasileiro, com mais de 20 anos de carreira, editor da Bloomberg Línea. Com passagens pela Gazeta Mercantil, Broadcast (Agência Estado) e Valor Econômico, também atuou como chefe de comunicação de multinacionais, órgãos públicos e como consultor de inteligência de mercado de commodities.

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