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Mercados

Ouro se torna ‘desinteressante’ e tem pior ano desde 2015

Investidores perdem interesse no metal e fundos do tipo ETF que seguem commodity perdem apelo

Tempo de leitura: 2 minutos

Bloomberg — O ouro está prestes a terminar 2021 da mesma forma que passou grande parte do ano: pouco oscilando e cambaleando em torno de US$ 1.800 a onça.

Após um início tumultuado da pandemia que levou o ouro a níveis recordes em 2020, o metal, famoso por ser um hedge contra o aumento dos preços, não conseguiu capitalizar sobre a inflação escaldante deste ano. Os traders parecem ter perdido neste ano o interesse no metal, deixando as negociações em faixas estreitas por semanas a fio, enquanto os fundos do tipo ETF referenciados em ouro perdem seu apelo entre os investidores.

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O ouro à vista caiu cerca de 4% este ano, e segue no caminho de sua maior desvalorização anual desde 2015.

Um dólar americano mais forte e a ameaça de uma retração nos estímulos pelos principais bancos centrais do mundo dissuadiram muitos investidores no interesse pelo metal, vendo melhores oportunidades de ganhos no mercado de ações.

Os empolgantes booms e do Bitcoin - frequentemente apresentado como um equivalente digital do ouro - também chamaram a atenção.

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O ouro começou o ano pressionado, caindo 10% no primeiro trimestre. O sucesso das vacinas gerou esperanças de uma recuperação rápida da pandemia, enquanto os senadores democratas ligados ao presidente Joe Biden abriram a porta para programas de infraestrutura pró-crescimento, além de mais ajuda fiscal.

Mais tarde, os preços se recuperaram após o surgimento de novas variantes do vírus e do impasse político nos EUA. Mas então o ouro ficou preso na estagnação.

Falta de interesse do mercado

Um fator-chave tem sido a falta de interesse dos investidores financeiros, que são cruciais para impulsionar as altas do ouro. As participações em fundos negociados em bolsa caíram quase 9% ao longo do ano, enquanto os fundos de hedge que negociam futuros de Comex mantiveram suas apostas em ouro silenciadas.

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Embora a perspectiva de aperto monetário tenha prejudicado o apelo do ouro, os preços foram apoiados pela forte demanda dos consumidores asiáticos de joias e pelas compras feitas pelos bancos centrais.

Os investidores deixaram o ouro pairando quase que magneticamente em torno da marca de US$ 1.800 a onça. Embora seja um preço historicamente alto, será decepcionante para aqueles que desfrutaram do aumento recorde dos demais ativos em 2020.

No entanto, o equilíbrio entre compradores e vendedores do metal pode não se manter por muito tempo. Mais ganhos do dólar podem significar perdas para commodities. Por outro lado, sinais de inflação galopante e persistente podem finalmente fornecer a centelha necessária para uma alta sustentável do ouro.

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Evy Hambro, da BlackRock Inc., disse no início deste mês que o ouro poderia subir em 2022, impulsionado por uma combinação de taxas de juros reais, desempenho do dólar americano e demanda por ativos portos. No entanto, analistas do JPMorgan Chase & Co. veem o ouro ficando sob mais pressão à medida que a recuperação econômica global continua, prevendo um preço médio de US$ 1.631 a onça para o próximo ano.

No último dia de 2021, o ouro subia 0,5% para US$ 1.822,76 a onça às 11h17 em Nova York (13h17 em Brasília). A prata também ganhou, enquanto a platina e o paládio recuavam. O Bloomberg Dollar Spot Index caia 0,2%.

--Com a ajuda de Yvonne Yue Li.

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