Por Matheus Mans para Mercado Bitcoin
São Paulo – Depois de El Salvador, que adotou o Bitcoin como moeda corrente no país e, agora, já fala em construir a primeira “Cidade do Bitcoin”, em um movimento de adesão cada vez maior ao mundo das criptos, a cidade de Miami vai em direção semelhante.
Desde a implementação da MiamiCoin, a criptomoeda oficial da região, em agosto de 2021, várias foram as medidas anunciadas pelo prefeito, Francis Suarez, para fortalecer a moeda digital e ampliar seu uso.
Em outubro, Suarez manifestou o desejo de pagar os funcionários da prefeitura em Bitcoin. Para isso, Miami emitiria uma proposta com foco na construção de mecanismos de pagamento que viabilizassem a ideia. Mais: também os moradores poderiam pagar taxas e impostos na moeda cripto.
Assumido entusiasta das criptomoedas, no mês seguinte, Suarez divulgou, em sua conta no Twitter, que passaria a receber seu salário 100% em Bitcoin. Também disse que Miami pagaria dividendos da moeda digital aos moradores.
E quando a China decidiu proibir a mineração do Bitcoin no país, Suarez declarou que Miami estava de portas abertas para receber os mineradores da moeda – aqueles que validam as informações para que as transações de criptomoedas possam ser concretizadas.
Isso tudo sem falar do objetivo do prefeito em levar cada vez mais mineradores para o centro da inovação da região, com energia limpa rendendo uma boa quantidade de criptomoedas. Para tanto, negocia com representantes da indústria energética local.
“É interessante observar como o mercado de criptos está cada vez mais presente de forma mainstream”, comenta Orlando Telles, sócio-fundador e diretor de research da Mercurius Crypto, casa de pesquisa em criptoativos.
“No caso de Miami, a cidade foi e será polo de conferências do setor, mostrando que criptomoedas estão sendo discutidas não apenas por lideranças locais, mas pela comunidade”.
Oportunidade cripto
Nessa movimentação, Suarez já não é voz isolada. As mudanças implementadas em Miami podem ajudar o mercado de criptomoedas, na medida em que permitem criar uma oportunidade de o setor mostrar como as moedas digitais podem movimentar a economia de uma cidade ou de um país.
“A importância de uma cidade como Miami em entrar no segmento de criptomoedas se confunde com a própria visibilidade que a cidade tem no cenário mundial. Miami é um dos destinos turísticos mais conhecidos mundialmente e a MiamiCoin está inserida nesse contexto”, explica Bruno Milanello, executivo de novos negócios do Mercado Bitcoin. “De uma maneira geral, é uma forma de a cidade arrecadar fundos voltados a projetos de políticas públicas”.
Para o futuro, a visão é otimista. “À medida que se percebe que a indústria cripto de fato é crescente e que necessita do impulso de outros locais, a tendência é de que mais países e cidades passem a adotar as criptomoedas. Acredito que esse é um primeiro passo para um movimento ainda maior, além de um sinal de que o segmento de moedas digitais, de modo geral, está se tornando mainstream ao redor do mundo”, complementa Orlando.


