PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
Negócios

América Móvil enfrenta pressão por concorrência e pirataria no Brasil

O negócio de telefonia fixa da América Móvil no Brasil contraiu 5% durante o terceiro trimestre

Para evitar o maior ambiente competitivo, a empresa busca aprimorar sua oferta em termos de qualidade, investindo em fibra óptica, o que lhe permite oferecer um giga de capacidade.
26 de Novembro, 2021 | 09:04 pm
Tempo de leitura: 3 minutos

Bloomberg Línea — A América Móvil, uma das principais empresas de telecomunicações da América Latina, enfrenta pressão devido ao nível de concorrência em seu principal mercado de telefonia fixa, o Brasil.

Durante o terceiro trimestre de 2021, a empresa de Carlos Slim registrou queda de 5% nas receitas de serviços fixos no Brasil, que incluem internet banda larga, televisão por assinatura e telefonia fixa, em relação aos números registrados um ano antes, em meio a um forte ambiente competitivo e de pirataria em serviços como o de televisão por assinatura.

PUBLICIDADE

“O Brasil se tornou um mercado extremamente competitivo em velocidade e preços”

Oscar Von Hauske, diretor-general de Operações Fixas da América Móvil em conferência com analistas e investidores em outubro

O mercado brasileiro é o maior para o negócio de telefonia fixa da América Móvil. Até o final de setembro, eram 31,6 milhões de acessos à linhas fixas.

Neste ramo de negócios, o Brasil supera o México, onde a empresa tinha 21,5 milhões de acessos à linha fixa até o final do terceiro trimestre.

Até ano passado, a América Móvil, que atua no Brasil com a marca Claro, tinha participação de mercado de 27% no segmento de banda larga fixa e 47,1% no de TV por assinatura. Sua presença no mercado de telefonia fixa é de 21%, segundo o portal especializado Telesemana.

PUBLICIDADE

A empresa tem visto um aumento da concorrência, principalmente em serviços de banda larga. Durante o terceiro trimestre, ela perdeu 20 mil acessos de banda larga fixa, embora tenha aumentado suas receitas em 5%.

Veja mais: Na Black Friday, brasileiros procuram roupa, comida, bebida e viagem

Para evitar a concorrência, a América Móvil tem buscado aprimorar sua oferta em termos de qualidade, investindo em fibra ótica, o que lhe permite oferecer um giga de capacidade.

As maiores pressões para o segmento fixo da América Móvil foram sentidas no negócio de televisão por assinatura. Durante o terceiro trimestre, os 181 mil desligamentos da rede de TV paga no Brasil mais do que compensaram o ganho líquido dos outros países onde a empresa oferece o serviço. As vendas de TV paga caíram 12,5%.

“Vimos que, desde que as operadoras começaram a lançar IPTV (televisão por IP), surgiu a possibilidade de aumentar a pirataria a um nível três ou quatro vezes maior que há dois anos”, acrescentou Von Hauske.

A América Móvil também enfrentará um novo concorrente no Brasil e no resto da região, pois a AT&T concluiu a venda da Directv Latin America, da SKY Brasil e da DirectvGo para o argentino Grupo Werthein em meados de novembro.

PUBLICIDADE

Nos últimos anos, a América Móvil aumentou sua presença no mercado brasileiro por meio de aquisições, principalmente com foco em seus negócios de telefonia móvel, que, no terceiro trimestre aumentou sua receita de celular no Brasil em 6,5%.

Em 2019, a empresa concretizou a compra da Nextel Telecomunicações por US$ 905 milhões, o que lhe permitiu ampliar a participação no segmento de telefonia móvel nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro.

Veja mais: Black Friday da bolsa: 8 insights sobre ações baratas com Ibovespa a 105 mil

PUBLICIDADE

A América Móvil está próxima de concluir a aquisição de 32% do negócio de telefonia móvel da Oi, em conjunto com a Telefônica e a TIM, em uma operação conjunta avaliada em US$ 3,1 bilhões.

As três empresas conquistaram os principais lotes nacionais do leilão 5G.

Segundo analistas da Banorte Casa de Bolsa, o 5G é uma das principais estratégias da empresa no mercado brasileiro, juntamente com a expansão da rede de fibra óptica e maior investimento em plataformas digitais.

“A partir de agora, a estratégia se concentrará na consolidação da América Móvil como uma operadora digital convergente, o que deve começar a se traduzir em crescimento nas vendas, lucros com participação de mercado e maior rentabilidade”, escreveram Marissa Garza e Alik García em nota de outubro.

PUBLICIDADE

Outros analistas consideram que a consolidação no Brasil, aliada a outros movimentos, como a venda da Tracfone nos Estados Unidos e a cisão de seu negócio de torres na América Latina, é fundamental para mais concorrência, não apenas no Brasil, mas em outros mercados, principalmente em serviços líderes para o crescimento, como banda larga fixa.

“O que a empresa está fazendo é se posicionar em um mercado muito competitivo em todas as regiões em que atua; e esse é o desafio – existem serviços muito líderes em crescimento, mas é neles que a concorrência é intensa, e é aí que a América Móvil está tomando suas decisões estratégicas”, disse Montserrat Anton Honorato, vice-diretor de Análise da Invex, em entrevista no mês passado.

Leia também

Nova variante piora perspectivas para moeda da África do Sul

PUBLICIDADE

China busca se distanciar dos EUA ao vender reservas de petróleo

EUA impõem restrições de viagens do sul da África por nova variante

Michelle del Campo

Michelle del Campo

Reportera mexicana especializada en empresas. Me gusta cubrir temas relacionados con sustentabilidad, empresas de reciente creación y asuntos transfronterizos. Anteriormente formé parte de Infosel-Sentido Común, Transparencia Mexicana y la Fundación Este País.

PUBLICIDADE