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Mercados

Vírus derruba bolsas na Europa; dados pré-feriado são destaque

Futuros de índices recuam em NY em véspera de feriado carregada de indicadores; na Europa, bolsas caem à espera de novos lockdowns

Tempo de leitura: 2 minutos

Bloomberg Línea — As bolsas europeias e os futuros americanos recuavam no início desta quarta-feira (24), com investidores à espera de uma bateria de dados econômicos dos Estados Unidos, antes do feriado de Ações de Graças, que podem sinalizar o atual estado da economia do país.

Além de dados do PIB, de seguro-desemprego e dos estoques no atacado, os investidores aguardam a ata da última reunião de política monetária do Federal Reserve (Fed), que pode dar mais sinais sobre a retirada de estímulos gradual por parte do banco central americano. Na última reunião, o comitê decidiu manter a taxa de juros estável e anunciou a redução das compras de ativos a partir do fim deste mês.

As bolsas podem ficar tentadas a recuperar a perda de fôlego nas últimas sessões e repercutir os indicadores que os analistas esperam ser positivos. Contudo, a preocupação com a escalada dos preços – e seu efeito na política monetária – seguem no front, além da escalada dos casos de Covid-19 na Europa, que levou a França a registrar o maior número de infectados desde agosto e a Alemanha a repensar as medidas de distanciamento social.

A maior economia do Velho Continente deve anunciar novas restrições nesta quarta.

Nas primeiras operações desta quarta-feira, os contratos futuros de índices em Nova York caíam, com o Dow Jones Futuro, o S&P 500 e o Nasdaq recuando 0,41%, 0,37% e 0,44%, respectivamente. Ontem, as bolsas dos EUA declinaram a maior parte da jornada, mas no fim do dia Dow (+0,55%) e S&P 500 (+0,17%, a primeira alta em três dias) conseguiram virar, enquanto o Nasdaq terminou com 0,50% de queda.

Na Europa, que na sessão de ontem foi mais castigada - o STOXX 600 caiu 1,28%, seu pior rendimento diário em quase dois meses. Hoje, o índice DAX, negociado em Frankfurt, caía 0,45%, à espera de novidades sobre possíveis novos lockdowns.

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O que ressoa hoje

Três fatores nortearam as operações de ontem e devem continuar ecoando no mercado:

🛢️ Os Estados Unidos confirmaram ontem o que o mercado já dava como certo: a liberação de petróleo de sua Reserva Estratégica. Serão oferecidos 50 milhões de barris de petróleo bruto pelo país e a estratégia foi coordenada em conjunto com a China, Japão, Índia e Coreia do Sul – um pacto sem precedentes de três dos maiores consumidores de petróleo do mundo para domar os preços e que pode provocar uma reação da Opep+. No total, estima-se que a oferta de todos os países alcance entre 65 milhões e 70 milhões de barris, segundo analistas.

  • Porém, contrariando a lógica, logo após a notícia os preços do petróleo subiram (Brent +3,27% e WTI +2,28%). Isso ocorreu porque o mercado já vinha há dias antecipando a notícia. Além disso, a exigência de que parte dos barris comprados (32 milhões de unidades) da reserva estratégica sejam devolvidos em um intervalo de um a três anos amorteceu o impacto o anúncio.

🏦 A análise de que a renovação de mandato de Jerome Powell no comando do Fed pode significar uma atitude mais enérgica no combate à inflação, com redução mais acelerada do programa de compra de ativos e maior inclinação a um aumento dos juros.

🦠A proliferação da Covid-19 na Europa também nubla o cenário. Áustria já anunciou um novo lockdown nacional, a Alemanha enfrenta sua pior onda de coronavírus (nas palavras da própria chanceler Angela Merkel) e a França reconheceu que está vivendo uma quinta onda. Tudo leva a pensar que novos bloqueios no continente estão por vir.

No radar

No Brasil:

  • Caged de outubro (8h00)
  • Confiança do Consumidor FGV de novembro (8h00)
  • Receita Tributária Federal (14h30)
  • Fluxo Cambial Estrangeiro (14h30)

No exterior:

  • Atas do FOMC dos EUA, rendas e gastos pessoais, dados preliminares sobre os estoques do atacado (outubro), vendas de casas novas, PIB terceiro trimestre (segunda estimativa), pedidos iniciais de seguro-desemprego na semana, pedidos de bens duráveis dos EUA, sentimento do consumidor da Universidade de Michigan, hoje (24)
  • Decisão sobre taxas de juros do banco central da Nova Zelândia, hoje
  • Índice Ifo de clima empresarial na Alemanha (novembro), hoje
  • Japão: indicadores PMI dos setores de manufatura de novembro, hoje
  • Decisão de política monetária do Banco da Coreia, amanhã (25)
  • Dia de Ação de Graças nos EUA: amanhã os mercados de renda variável e de renda fixa no país estarão fechados

-- Com informações de Bloomberg News

Michelly Teixeira

Michelly Teixeira

Jornalista com mais de 20 anos como editora e repórter. Em seus 11 anos de Espanha, trabalhou na Radio Nacional de España (RNE) e colaborou com a agência de REDD Intelligence. Passou por importantes veículos do Brasil (Valor, Agência Estado e Gazeta Mercantil). Tem um MBA em Finanças e é posgraduada em Marketing pela ESIC Business School.

Ana Siedschlag

Ana Carolina Siedschlag

Editora-assistente na Bloomberg Línea. Jornalista brasileira formada pela Faculdade Cásper Líbero e especializada em finanças e investimentos. Passou pelas redações da Forbes Brasil, Bloomberg Brasil e Investing.com.