Tempo de leitura: 4 minutos

Bloomberg Opinion — Au-Au Noel está chegando.

Em meio aos problemas da cadeia de suprimentos e temores de que a confiança do consumidor vá sucumbir com o peso da inflação, espera-se que um segmento se mantenha estável neste fim de ano: o de presentes para animais de estimação.

A varejista britânica Pets at Home tem uma variedade de cerca de 300 presentes para cães, gatos e pequenos animais – quase o mesmo número de 2020 – mas comprou o maior estoque de sua história, na expectativa de que mais pessoas mimem seus amigos peludos este ano.

Depois de aproveitar um aumento nas vendas de fim de ano no ano passado, a varejista on-line de produtos para animais de estimação Zooplus, da Alemanha, adicionou mais de 100 itens de Natal.

Nos Estados Unidos, a Chewy expandiu seu leque de produtos de fim de ano, incluindo sua seleção de presentes personalizados e uma parceria com a Walt Disney Company para criar presentes com temas de seus personagens.

E não se trata apenas de pet shops apostando alto em animais de raça. O Walmart, maior varejista do mundo, está estocando centenas de presentes para animais de estimação neste fim de ano, enquanto a Target e a Nordstrom também esperam atrair consumidores indulgentes. A forte varejista britânica Marks & Spencer está vendendo quase 50% mais presentes para animais de estimação este ano.

Veja mais: Disney suspende venda da maioria dos ingressos anuais para os parques

De acordo com a American Pet Products Association (APPA), cerca de 51% dos donos de animais de estimação dos EUA entrevistados afirmaram que compraram um presente de Natal para seu animal em 2020, ante 47% em 2019. 56% deles pretendem repetir o feito este ano.

Os presentes para animais de estimação podem parecer frivolidade. Mas há boas razões para varejistas e fabricantes desejarem uma fatia desse mercado.

A demanda por animais de estimação explodiu durante o lockdown. Os gastos aumentaram. Os norte-americanos desembolsaram mais de US$ 100 bilhões com seus animais de estimação pela primeira vez em 2020, segundo a APPA. Isso incluiu despesas com cuidados médicos, alimentação, serviços e os custos dos próprios animais. Os gastos este ano estão estimados em pelo menos cerca de US$ 110 bilhões. O mercado de pet care também está crescendo na Europa e na Ásia, segundo a GlobalData.

Peter Pritchard, CEO da Pets at Home prestes a deixar o cargo, comparou o fluxo de novos cães e gatos a um “baby boom”. Portanto, a empresa está vendendo brinquedos para cães com os dizeres My First Christmas (Meu Primeiro Natal) estampado.

Mas não é apenas o volume de animais que está impulsionando a demanda. Os animais de estimação são vistos como parte da família e temos o desejo de tratá-los como pessoas. Os donos até buscam maneiras mais sofisticadas de mimar seus animais – seja comprando um calendário do advento – uma grande tendência no mercado de presentes para humanos – ou levando-os a um spa para um tapa no visual antes do feriado. O Pets at Home já vendeu mais de 70 mil calendários do advento para cães.

Veja mais: Batalha da Amazon contra a Visa está escalando

Considerando o apoio que muitos animais representaram durante a pandemia, é natural que os donos queiram mimar seus bichinhos. Com as preocupações sobre os níveis de obesidade, muitos não querem presentear com comida. Em vez disso, optam por guloseimas e brinquedos, cujas vendas superaram as de artigos de necessidade.

Outro motivo pelo qual os varejistas e empresas de bens de consumo estão tão interessados no mercado de animais de estimação é porque são os clientes mais jovens e abastados que tendem a gastar mais. A Marks & Spencer descobriu que um quarto das transações que incluíam um produto para animais de estimação também continham roupas femininas, uma divisão que a empresa está tentando resgatar.

Mas o Natal nem sempre é uma boa notícia para os bichinhos. As instituições de caridade há muito alertam sobre os perigos de comprar animais vivos para dar de presente. A Purina, negócio da Nestlé, enfatiza os perigos para os animais de estimação oriundos de comidas das festas de fim de ano, flores e decorações. A Pets at Home tornou todas as suas roupinhas não inflamáveis.

A demanda por novos animais de estimação diminuiu este ano, segundo a Pets4Homes, plataforma on-line responsável pela compra ou adoção de pelo menos um em cada três filhotes no Reino Unido. O número de compradores por animal anunciado caiu de um pico de cerca de 400 em abril de 2020 para cerca de 125 atualmente. Isso pode significar um contingente menor de bichinhos a serem mimados nas próximas temporadas de festas de fim de ano.

Veja mais: Mistura de Monster com Corona pode ser bastante energética

Também existe o perigo de que, com a reabertura das economias, cuidar de um animal de estimação se torne um fardo cada vez maior. O aumento dos preços, que pressiona a renda das famílias, é outra questão a ser enfrentada. Isso pode levar ao aumento do abandono de mais animais. Embora alguns abrigos individuais tenham ficado lotados, isso ainda não aconteceu em larga escala. A normalização da oferta e da demanda na Pets4Homes foi causada por donos de canil que tiveram mais ninhadas, não por animais abandonados.

Felizmente, para a maioria dos animais de estimação nesta temporada de festas de fim de ano, o melhor presente será um brinquedinho ou uma roupinha de Papai Noel, não um novo lar.

Esta coluna não reflete necessariamente a opinião do conselho editorial ou da Bloomberg LP e de seus proprietários.

Andrea Felsted é colunista da Bloomberg Opinion e escreve sobre os setores de varejo e bens de consumo. Anteriormente, escrevia para o Financial Times.

Veja mais em Bloomberg.com

Leia também

“Eu não sei quanto tem, mas a Receita sabe”, diz Guedes sobre offshore

Touro de Ouro é publicidade e terá de sair da B3, decide Comissão