Por Matheus Mans para Mercado Bitcoin
São Paulo - Foi no final de outubro que Mark Zuckerberg anunciou a mudança do nome da empresa controladora do Facebook, que passou a se chamar Meta. A alteração é um claro sinal de que o executivo começa a enxergar no metaverso possibilidades para além das redes.
Esse universo digital e online, que lembra um pouco a experiência mostrada em filmes como ‘Tron’ e ‘Jogador Número 1′, replica virtualmente o ambiente real, permitindo que haja uma interação entre as pessoas como se de fato estivessem próximas fisicamente, em um mesmo local. Para isso, o metaverso usa avatares.
Dentro dessa lógica, há um pilar imprescindível nessa tecnologia: as criptomoedas. Isso porque, em uma “realidade digital paralela” em que as pessoas podem se reunir, trabalhar, comprar e vender produtos e ideias, é preciso ter uma moeda digital descentralizada, amparada em uma tecnologia como a blockchain.
“O metaverso é um universo digital que nos dá o sentimento de convívio social, consciência espacial compartilhada, além da capacidade de interagir em um espaço com economia virtual extensa e profundo impacto social”, diz Orlando Telles, sócio fundador e diretor de research da Mercurius Crypto, casa de pesquisa em criptoativos.
Com isso, é possível dizer que as criptomoedas tendem a ampliar sua presença na economia e no dia a dia das pessoas, favorecidas pelo ambiente de interação proporcionado pelo metaverso. Ainda que virtual, permitirá que negócios sejam fechados dentro dele, à semelhança do mundo real.
“Os criptoativos podem ser compreendidos como um elo central dentro da economia do metaverso, tanto na criação de itens não fungíveis, via NFTs, nos quais é possível criar o senso de propriedade, caracterização e diferenciação para os usuários, como com tokens de transações fungíveis, onde as pessoas vão transacionar valores, ganhar recompensas à medida que interajam e convivam nesse universo”, explica Telles.
Criptos, uma necessidade
Engana-se, porém, quem pensa que haverá a opção por usar criptomoedas dentro do metaverso. É uma necessidade. O conceito inerente ao mercado de cripto, que circula ao redor da descentralização e da blockchain, acaba sendo um dos principais fundamentos desse novo espaço virtual que, além do Facebook, começa a ser discutido pela Microsoft e por outras gigantes da tecnologia.
“Não são as criptos que estão entrando no metaverso, mas o Facebook que ingressa no universo das criptomoedas”, diz Tasso Lago, especialista em criptomoedas e fundador da Financial Move. “Estão diretamente ligados, uma vez que a descentralização da internet e do dinheiro passa pela blockchain e pela tecnologia trazida pelas criptomoedas”.
Nos últimos seis meses, o metaverso, que inclui tokens não fungíveis colecionáveis e games compartilhados, se tornou um dos destaques do mercado cripto: o setor de marketplace movimentou pouco mais de US$ 2,4 bilhões, enquanto os games em blockchain, cerca de US$ 180 milhões semanalmente, a partir do segundo trimestre.
“Os dois setores estão se tornando robustos e atraindo cada vez mais investimentos de Venture Capital. Acredito que, à medida que o metaverso comece a se expandir, tornando-se mainstream, ampliará sua relevância no mercado de criptos.”, diz Telles.
“Empresas do porte do Facebook estarem trabalhando nessa perspectiva pode, sem sombra de dúvidas, impactar o futuro do setor, pois não só facilita a compreensão do conceito para o grande público como abre grandes oportunidades para integração e parcerias entre o mercado centralizado de aplicações e o descentralizado”, completa.


