Por Gino Matos para Mercado Bitcoin
São Paulo — O impacto do Bitcoin, criptomoeda com o maior valor de mercado, na vida das pessoas rompeu a barreira do ambiente financeiro para entrar no âmbito social e humanitário. Por tratar-se de um ativo digital descentralizado, que não pode ser controlado por nenhum grupo de pessoas, empresas ou governos, a moeda tem sido apontada como uma solução para diversos problemas nessa esfera.
Um deles, por exemplo, diz respeito à censura. Seja no mundo das artes, da política ou em relação à liberdade de expressão. Exemplo de como o Bitcoin pode ajudar está no caso do ativista norte-americano Edward Snowden, ex-analista de sistemas que ficou famoso por revelar um esquema de espionagem do governo dos Estados Unidos a cidadãos do país e também a estrangeiros.
Snowden, acusado pelo governo dos EUA de roubo e espionagem, deixou o país, vive exilado hoje na Rússia e teve seus bens bloqueados. Mas encontrou no mundo digital a oportunidade de conseguir recursos por meio de doações em Bitcoin e pagar as despesas com advogados para sua defesa. O que fez a criptomoeda ser vista como um instrumento de resistência à censura, ainda que de forma figurada.
Mais recentemente, a ex-gestora de produtos financeiros do Facebook Frances Haugen também se apoiou no universo virtual do Bitcoin. Usa o mundo das criptomoedas contra qualquer retaliação financeira por parte da gigante da tecnologia após testemunhar no Congresso dos EUA e dizer que os algoritmos incitariam a discórdia, criariam dependência nos usuários, que não combateriam o crime organizado e que levariam perto de 13% dos adolescentes a pensamentos suicidas e de anorexia.
Frances contou, durante seu depoimento no Congresso dos EUA, que seus investimentos em criptomoedas são atualmente seu suporte financeiro. Para o ativista digital e empreendedor Pablo Lobo, sócio-fundador da Sthorm, empresa que desenvolve soluções digitais com o objetivo de resolver problemas da vida real, o Bitcoin pode ir muito mais além de ser um instrumento capaz de driblar a censura.
“O Bitcoin nos leva a repensar muitos conceitos sobre poder e limites dos poderes”. Lobo faz parte de um movimento denominado cypherpunk, criado nos EUA nos anos 90, onde seus participantes acreditam no uso das criptomoedas como garantia à privacidade e à liberdade individual.
Ao falar sobre limite de poderes, Lobo destaca que o Bitcoin é a ponte para o metaverso, o ecossistema virtual que copia o mundo real, onde as pessoas podem interagir sem limitações geográficas.
O universo virtual do Bitcoin garante maior liberdade a um número maior de pessoas, na opinião de Mariano Hermida, sócio-fundador do estúdio de design de produto e identidade Possima.
Blockchain soma esforços
O caso da ex-funcionária do Facebook abre espaço para outra discussão: o uso da blockchain também como reforço contra a censura. A rede descentralizada é tida como um espaço onde o registro das informações não pode ser alterado. Isso significa que informações internas e relevantes de grandes empresas não poderiam ser censuradas após serem registradas em blockchain.
Lobo avalia que as características da blockchain por si só já garantem a inviolabilidade de documentos ali registrados, embora destaque que a tecnologia não garante a veracidade das informações ali depositadas, deixando que cada pessoa avalie os dados. Hermida, no entanto, acredita que a blockchain é capaz de oferecer maior transparência às mais diversas informações.


