Mercados

BCE poderia parar de comprar títulos em setembro de 2022

Economistas entrevistados pela Bloomberg preveem que a ferramenta de compras de títulos permanecerá em vigor pelo menos até o fim de 2023

Robert Holzmann, presidente do Banco Central da Áustria
Por Jana Randow e Leonard Kehnscherper
11 de Novembro, 2021 | 08:13 am
Tempo de leitura: 2 minutos

Bloomberg — O Banco Central Europeu poderia suspender as compras de títulos já em setembro do ano que vem se a inflação retornar de forma sustentável à meta oficial, disse o membro do conselho da autoridade monetária, Robert Holzmann.

Introduzido em 2015, o Programa de Compra de Ativos (APP na sigla em inglês) tinha como objetivo trazer a alta dos preços ao consumidor de volta a 2%, de acordo com Holzmann, que comanda o banco central da Áustria e é considerado um dos mais “hawkish”, ou favorável ao aperto monetário, da zona do euro.

“Por isso, a eliminação da condição e, portanto, o fim do programa poderia - dependendo da evolução da inflação - acontecer em setembro ou no fim daquele ano”, disse em evento na quarta-feira em Londres.

O cronograma de Holzmann sugere a retirada do estímulo muito antes do previsto por observadores do BCE. Economistas entrevistados pela Bloomberg preveem que a ferramenta de compras de títulos permanecerá em vigor pelo menos até o fim de 2023.

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Autoridades do BCE estão a cinco semanas de uma reunião para traçar o caminho da política pós-pandemia. Embora a presidente do BCE, Christine Lagarde, tenha indicado que o programa da pandemia terminará conforme planejado em março, não há consenso sobre o que acontecerá com o plano convencional de compras de títulos do banco, atualmente em 20 bilhões de euros (US$ 23,1 bilhões) por mês.

A inflação na zona do euro - sob controle nos anos que se seguiram à crise financeira global - está duas vezes acima da meta oficial de médio prazo.

Aposta na inflação

Holzmann, segundo o qual o crescimento dos preços deve ficar acima de 2% ao longo de 2022, disse que se opõe a qualquer mudança no plano convencional de compras de títulos. Ele também é contra outra rodada de operações de refinanciamento de prazo mais longo direcionadas, com o objetivo de incentivar bancos a concederem empréstimos à economia real.

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“As análises de dados que temos mostram que os efeitos adicionais sobre os empréstimos foram muito baixos”, afirmou. “Não vejo razão para que isso continue em vigor, o efeito econômico é baixo.”

O foco agora está na trajetória dos preços. O Goldman Sachs prevê que a inflação se estabilizará meio ponto percentual acima dos níveis pré-pandemia. Isso significa que a taxa natural de juros - na qual o crescimento econômico não é estimulado nem contido - poderia receber um impulso semelhante comparado ao período posterior ao crash de 2008.

“Inflação abaixo de 2% no fim de 2022: eu não apostaria muito dinheiro nisso”, disse Holzmann. No entanto, os modelos sugerem que o índice cairá abaixo desse nível em 2023 ou 2024, acrescentou.

A inflação deve ser de 2,2% em 2022, segundo novas previsões da Comissão Europeia a serem publicadas na quinta-feira. O BCE divulgará suas próprias projeções na reunião de dezembro.

Embora bancos centrais de países como Polônia e República Tcheca tenham surpreendido recentemente com aumentos dos juros mais fortes do que o esperado, o BCE insiste que os custos de financiamento não vão subir tão cedo. Na contramão das apostas de investidores, Lagarde descartou um aumento em 2022.

Os mercados monetários apostam que o BCE vai elevar a taxa de depósito em 10 pontos-base, para 0,4% negativo em setembro de 2022. No fim de outubro, o mercado indicava um aperto de 20 pontos-base em novembro de 2022.

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